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ALEAC aprova projeto de lei do Deputado Fagner Calegário que desburocratizará as atividades econômicas no Acre

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O projeto visa ainda a criação do Código de Defesa do Empreendedor

Na última terça-feira, 22 de Dezembro, a Assembleia Legislativa do Acre – ALEAC encerrou suas atividades em 2020, aprovando vários Projetos de Lei, incluindo a PL N°167/2020, de autoria do Deputado Estadual Fagner Calegário, que institui a criação do Código de Defesa do Empreendedor.

Segundo dados do SEBRAE e do Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP), três em cada dez brasileiros adultos entre 18 e 64 anos possuem uma empresa ou estão envolvidos com a criação de um negócio próprio. Em 10 anos, essa taxa de empreendedorismo saltou de 23%, para 34,5%. Deste total, metade corresponde a empreendedores novos.

Um dos grandes desafios do Governo é proporcionar alternativas para gerir o crescimento econômico, e conseguir auxiliar o empresário local a promover a geração de emprego e renda. A PL proposta pelo deputado Fagner Calegário, deverá diminuir a burocracia dos negócios firmados com a administração pública.

O projeto de lei entende que, quanto maior a complexidade burocrática e os valores de taxas e tributos locais, menor é o incentivo para abertura de novas empresas. Portanto, com a PL aprovada, toda edição e alteração de atos normativos de empreendedores locais, ou de usuários de serviços prestados aos órgãos públicos, serão precedidas da realização de análise de impacto regulatório, que conterá informações e dados sobre os possíveis efeitos das negociações, verificando a razoabilidade dos impactados econômicos de cada projeto.

Desse modo, quanto maior for a facilidade para abrir novos negócios, maior será a competição por preços mais justos e, principalmente maior será o impacto positivo na geração de oferta de empregos, de salários e das rendas familiares.

O projeto de lei do deputado Fagner Calegário, tenta retomar o consumo de pessoas em empreendimentos locais durante essa fase de retorno as atividades econômicas após a pandemia da COVID-19. As políticas liberais são necessárias para garantirmos aos micros e pequenos empreendedores, o cenário de crescimento. A partir de agora, com a PL aprovada, será dever do Estado, facilitar a abertura e fechamento de empresas, disponibilizar informações claras e acessíveis quanto aos procedimentos necessários ao início, ao regular exercício e encerramento de um empreendimento.

Cabe ao Estado ainda, a abstenção da exigência de especificações técnicas desnecessárias ou privilegiar determinado segmento econômico, em detrimentos de outros. A PL absorve ainda os Microempreendedores Individuais (MEI). Com isso, o Estado deverá abster-se de exigir atos públicos de liberação da atividade econômica de baixo risco desenvolvido por esses empreendedores. Por fim, com o projeto de lei, o Estado será responsável por estipular um prazo de no máximo 30 dias, para análise do pedido de licenciamento para atividades econômicas consideradas de médio risco, e 60 dias para atividades de alto risco.

Acreana Ana Sturmer estará no BBB 21, diz Léo Dias; vídeo com a modelo vaza nas redes

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A modelo acreana Ana Sturmer deve ser uma das participantes do reality show Big Brother Brasil 21, que iniciará no final do mês de janeiro. A informação foi divulgada pelo colunista Léo Dias.

O colunista do jornal Metrópoles, Leo Dias, teve acesso exclusivo a um vídeo promocional da 21ª edição do Big Brother Brasil, que estreia em 25 de janeiro na Rede Globo.

Segundo fontes do colunista, os anônimos que aparecem na chamada têm grande probabilidade de estarem no grupo da ‘Pipoca’, pois o diretor Boninho os teria selecionado a dedo para o vídeo. O vídeo promocional vazado tem a participação da acreana Ana Luíza Sturmer, de 24 anos, que enviou sua inscrição para a edição deste ano.

Ana é estudante do curso de inglês na Universidade Federal do Acre e venceu o concurso de Miss Teen.

Ministro atende pedido de Mara Rocha e prioriza escolas da Transacreana no Programa de Educação Conectada do governo federal

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Na manhã dessa terça-feira (05/01), a Deputada Mara Rocha (PSDB/AC) acompanhou o Vice-Governador Major Rocha, em audiência no Ministério da Educação, em Brasília, para tratar sobre o programa de Educação Conectada, do Governo Federal. O representante do governo do Acre em Brasília, Ricardo França, também esteve presente.

A audiência foi um convite do Ministro da Educação, Professor Milton Ribeiro, em resposta ao ofício encaminhado por Mara Rocha, em julho de 2020, solicitando a instalação de acesso à internet para Escolas na Zona Rural de Rio Branco.

Durante a reunião, o Ministro informou que, das seis escolas indicadas pela parlamentar tucana, apenas a Escola Boa Fé II não foi atendida, em razão da distância e das dificuldades técnicas.

“Em julho, quando o Ministro Milton Ribeiro assumiu a pasta, fiz questão de procurá-lo solicitando a inclusão de escolas da zona rural de Rio Branco no programa de Educação Conectada. Naquele momento indiquei as Escolas Santiago Dantas, Irene Dantas, Cláudio Augusto, Dalva de Souza, João Câncio e Boa Fé II, e hoje ele nos deu essa excelente notícia do atendimento do nosso pedido”, informou Mara Rocha.

“Nossa assessoria tentou atender à demanda por compreender que essas escolas, com conexão com a internet, servirão como um ponto de apoio à população, principalmente em tempos de pandemia, como o que vivemos”, declarou o Ministro Milton Ribeiro.

Vice-Governador Solicita Projeto Piloto de Robótica

Durante a audiência, o Vice-Governador, Major Rocha, solicitou a introdução de um Projeto Piloto de Robótica nas escolas cívico-militar para os alunos do ensino médio.

Encaminhei a solicitação de um projeto piloto de robótica nas nossas escolas cívico-militar como uma forma de incentivarmos um ensino que auxilie o aluno a explorar seus potenciais, o que poderá melhorar o nosso desenvolvimento econômico e social. Precisamos preparar o estudante do Acre para os desafios do século XXI”, afirmou o Vice-Governador.

“Daremos todo o apoio às iniciativas solicitadas”, reforçou o ministro da Educação. No caso do ensino de robótica, explicou que ele pode ser realizado por meio de parcerias com organizações e instituições parceiras, a exemplo do que ocorre com o programa Ensino Médio em Tempo Integral, que está em fase de reorganização.  

Bocalom diz que não fará da prefeitura balcão de negócios para agradar aliados

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O prefeito Tião Bocalom disse em recente entrevista que não pretende negociar os cargos da Prefeitura de Rio Branco nem mesmo com seus aliados, no caso, PSD e demais partidos.

Em entrevista à Gazeta, o prefeito relatou que sua ‘gestão não é um balcão de negócios’. “Chamo as pessoas independente de indicação, porque no momento em que eu aceitar alguém por indicação e essa pessoa não trabalhar do jeito correto ela pode pensar que está assegurada por algum padrinho”, disse.

O prefeito falou que comissionados não irão se sentir a vontade no cargo, em razão das indicações. “Isso é algo que não vai existir”, indagou.

Clã Bestene custa mais de R$ 2 milhões de reais por ano aos acreanos

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A familiocracia ainda impera no Acre de 2021 e os custos são altos a serem pagos pelos cofres públicos. Somente uma família da tradicional política acreana, os Bestenes, uma espécie de feudo, custa aos cofres públicos mais de R$ 2 milhões de reais por ano. Os Bestenes ocupam lugares chaves nas estruturas de poder do Acre. Somente em locais chaves, os Bestenes têm um deputado na Assembleia Legislativa do Acre, José Bestene, o líder do clã, um vereador recém-eleito para Rio Branco, Samir Bestene, um secretário de Estado de Saúde, Alysson Bestene, um diretor na Fundação Hospitalar, o genro do deputado Bestene, Marcelo de Lima, a nora do deputado que é diretora da Agência Reguladora dos Serviços Públicos do Acre (Ageac), Mayara Lima, e uma recém-nomeada secretária de Educação de Rio Branco, Nabiha Bestene, que foi exonerada no dia 5 de janeiro de 2021 de um cargo no governo do Estado onde recebia uma CEC-7.

Apenas contando os vencimentos de cada membro do clã, em postos de alto escalão, somando salários e décimo terceiro, eles custam R$ 2.163.282.00 milhões de reais do bolso dos acreanos anualmente.
A reportagem não contabilizou a verba indenizatória do deputado José Bestene porque não há informações públicas disponíveis.

O salário do deputado José Bestene, assim como dos demais parlamentares, é R$ 23 mil reais, de acordo com as últimas informações fornecidas pela Assembleia Legislativa do Acre que não dispõe de portal transparência em operação. Fora o salário, o depurado dispõe de R$ 50 mil reais mensais do que é chamado de verba de gabinete, sem contar com a verba indenizatória que a reportagem não teve acesso. Somente os valores declarados acima totalizam que José Bestene custa R$ 889 mil reais aos cofres públicos por ano.

Com o clã espalhando-se e consolidando uma espécie de feudo nos moldes da idade média, o filho do deputado José Bestene, Samir Bestene, foi um dos vereadoras mais bem votado de Rio Branco e passará a ter um salário de R$ 12 mil reais e mais R$ 30 mil de verba de gabinete. Samir custará aos cofres de Rio Branco R$ 516.000 mil reais ano.

A nora do deputado José Bestene, Mayara Lima, responde como diretora da Ageac com um salário estimado em R$ 15,8 mil. A moça recebe anualmente, contando com 13º salário, o total de R$ 205 mil reais.

O genro do deputado José Bestene, Marcelo Lima, que responde como diretor da Fundação Hospitalar, recebe R$ 15,8 mil e também custa R$ 205 mil reais aos cofres públicos.

Nabiha Bestene, que no último ano ganhou um salário de R$ 7,1 mil na Secretaria de Saúde como cargo em comissão referência 7, custava aos cofres públicos R$ 92,3 mil reais. A convite do prefeito Tião Bocalom, Nabiha assumiu a pasta de secretaria de Educação com salário de R$ 12 mil reais e passará a custar anualmente R$ 156 mil reais aos cofres públicos. Anualmente os Bestenes, somente os do alto escalão, custam mais de R$ 2 milhões de reais pagos com dinheiro do contribuinte.

“Fomos eleitos e trabalhamos para honrar os salários”, diz vereador Samir

Recém-eleito vereador por Rio Branco, o filho de José Bestene, Samir Bestene (PP), conversou com a reportagem da Folha do Acre sobre os ganhos da família e quantos eles custam aos cofres públicos.

O mais jovem do clã afirmou que enxerga o fato com naturalidade, haja vista que os dois parlamentares foram eleitos democraticamente e que os demais também trabalham para honrar seus salários.

“Fomos eleitos pelo voto popular. Não vejo nada demais nisso. Todos prestam serviços”, diz.

O WhatsApp que salva da morte em Rio Branco

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EL PAÍS acompanha na capital do Acre o trabalho da Equipe 91, formada por ex-criminosos agora pastores. Eles administram conflitos com facções e dão salvo-conduto para que integrantes deixem a vida fora da lei, desde que se tornem evangélicos. Presídio do Estado inaugura ala religiosa “livre” de grupos

Uma cortina improvisada substitui o vidro da porta em uma sala apertada e quente no centro de Rio Branco. Na casa vigiada por câmeras, o pastor Conrrado Sena senta-se na frente do conselheiro do Comando Vermelho, um dos articuladores da facção criminosa carioca que domina a capital do Acre. Em tom baixo e respeitoso, o pastor clama pelo perdão a um sentenciado à morte pelo tribunal do crime. É a última apelação para que o “decretado” tenha chance de viver. Enquanto Conrrado fala, o conselheiro do CV olha o telefone e responde a mensagens, fumando um cigarro. Ouve tudo em silêncio, esperando sua vez de falar sobre as mais recentes deliberações de sua gestão de conflitos. Tudo ali, relata o capo do CV, é prontamente investigado, avaliado e julgado em questões de horas, e por isso ele reclama da quantidade de problemas em que precisa intervir ―até incômodos menores, como música alta nas bocas de fumo, são de sua responsabilidade. Desta vez, para sorte de Paulino (nome fictício), houve clemência. O conselheiro da facção decidiu que o pequeno traficante de drogas da periferia será salvo.

Seis homens de pé e com os olhos fechados, levantam as mãos espalmadas para o alto. Liderados pelo pastor Conrrado, entoam cânticos religiosos e clamam pela vida de criminosos e pela graça alcançada de Paulino. Chega ao fim mais uma audiência da Equipe 91.

É uma rotina a que estão acostumados. Desde 2012, a Equipe 91 ―assim batizada por causa do salmo bíblico de mesmo número segundo o qual se livrarão da “peste perniciosa” os que estão ao lado do Senhor― cumpre a função de interceder por aqueles que prometem deixar o crime e abraçar Jesus Cristo. Evangélicos sem ligação com nenhuma igreja específica, os membros da equipe são ex-presidiários, ex-ladrões, ex-traficantes e homicidas que deixaram o crime e abraçaram a palavra de Deus. Cerca de 70 integrantes desenvolvem trabalhos de conversão em presídios, fóruns, igrejas, bairros, casas e onde mais puderem pregar, tudo de maneira precária com base em doações. O grupo estima que já tenha livrado da morte mais de mil pessoas, quer em audiências especiais improvisadas, como a que o EL PAÍS acompanhou em meados de agosto, ou virtuais. Nelas, a intervenção é feita sob medida e gravada pelo WhatsApp, e o vídeo enviado ao comando das facções serve como prova da mudança de vida.

Os pastores têm experiência precoce no mundo do crime. Conhecem todos os códigos do submundo violento do extremo norte do país. Com acesso às mais altas instâncias do tribunal da rua, debatem os problemas de quem tem a vida sujeita às leis das organizações criminosas. Uma vez parte, a porta de saída quase sempre é a da morte. Mas há uma regra clara: não se mata irmão “da caminhada de Jesus”, e é na brecha que a Equipe 91 entra. No dias em que a reportagem acompanhou o trabalho dos pastores, os telefones dos salvadores de almas acrianos não pararam de tocar noite a de. Pedidos de socorro, súplicas de ajuda para se inserir numa sociedade que não seja a do crime, mas pelo caminho “da bênção”, o termo para a conversão. Trata-se de um complexo esquema de sanções distintas por crimes distintos e anistia paralelas que só toca no sistema formal pelas arestas.

Na escuridão da periferia de Rio Branco, é o pastor Conrrado Sena, de 47 anos, quem conduz seu destacamento. Por telefone, recebe as coordenadas e repassa a todos. Juntos, vão decidindo o melhor caminho a ser percorrido, de carro. Há noites que chegam a visitar quatro destinos diferentes, com reuniões estendidas pela madrugada.

Era o início da noite de uma terça-feira, quando o telefone do pastor tocou. Era o conselheiro do CV retornando mais uma vez uma ligação. O grupo se encontra agora em uma clínica de reabilitação para dependentes de drogas nas redondezas de Rio Branco. O pastor explica que estão diante de um rapaz que, dias antes, fora resgatado após ser sentenciado à morte pelo tribunal do crime por cometer um estupro em seu bairro. A equipe o levou para a clínica.

Na presença dos envolvidos, a Equipe 91 instala a audiência. A conversa com os responsáveis pela sentença é por viva-voz:

― O jovem lá do negócio do estupro? — pergunta o conselheiro do Comando Vermelho.

― Isso, tá todo mundo te ouvindo… E aí, como é que tá a situação dele?

― Aqui [no bairro onde cometeu o estupro], ele não pode ficar. Se ele ficar aqui, aqui já era. Já foi decretado pra ele, já.

— Hummm… De todo jeito, então?

— Aqui? Deus me livre! Daquele jeito, da pior maneira.

— Tá bom, meu filho…

O missionário da Equipe 91 desliga o telefone, se dirige ao condenado: “Isso aqui é teu refúgio, pra tua vida ser transformada, pra tu viver e ganhar outras vidas. Jesus é quem salva, mas um lugar desse aqui protege”, diz Regimar Souza do Nascimento, de 46, um ex-veterano da velha guarda do crime de Rio Branco que está no grupo religioso. Com semblante resiliente, o sentenciado Maurício (nome fictício) se senta e ouve calado o sermão dos pastores. A partir de agora, ele será poupado, desde que aceite o Evangelho ―e não volte à comunidade onde cometeu o estupro.

Transformação no Acre e pavilhão evangélico

Um dos artífices da iniciativa de “salvamento de almas” em Rio Branco, o pastor Conrrado é protagonista e testemunha de uma transformação sem precedentes no mundo do crime do norte do país. Foi um dos criminosos célebres do Acre, um assaltante de banco conhecido em todo o Brasil, e cuja prisão inaugurou o presídio federal de Mato Grosso do Sul, em 2007. Ficou uma década preso. Reunido com a elite criminosa do país, acompanhou, durante os banhos de sol, a integração do Acre com as facções do Sudeste.

“Não era o dinheiro, era a adrenalina. Quando começava o tiroteio, eu lembro dos vidros começando a quebrar. E a gritaria de mulher, aquilo era som para meus ouvidos. Eu gostava daquilo, eu sorria”, lembra ele, sobre a vida no crime. “Eu deixava meus companheiros tudinho com medo. Eu saía por último. E a mala aqui [pressiona a mão na cintura] não deixava ninguém pegar. Hoje eu passo pelo banco e não sinto mais nada. Hoje temos algo muito melhor, que é Jesus.”

Mais de uma década depois, Conrrado viu o Estado de 894.000 habitantes, o terceiro menos populoso do país, se tornar um ponto nevrálgico. A região é disputada pelas facções criminosas mais articuladas pela posição estratégica no corredor logístico para o escoamento de drogas ao Brasil e ao exterior. O Estado faz fronteira ao sul e a oeste com Peru e, a sudeste, com a Bolívia, dois dos maiores produtores de cocaína do mundo. No princípio, a expansão das facções ―via cadastramento de integrantes, o chamado batismo― aconteceu sem maiores conflitos. Com o tempo, rusgas apareceram, e facções locais foram criadas em resistência às regras dos forasteiros, especialmente os cariocas do Comando Vermelho e os paulistas do PCC, estes últimos com cada vez mais pretensões hegemônicas.

Até 2015, o Estado negava a existência e influência dessas organizações criminosas, mas em outubro daquele ano o Acre viveria seu primeiro episódio de ataques orquestrados por facções. Foi quase uma semana de queima de ônibus e prédios públicos. A guerra do crime pelo domínio territorial chegou ao ápice em 2017, com mais de 400 inquéritos de homicídios instaurados, quando o Estado registrou uma taxa de 62,20 homicídios a cada 100.000 habitantes, segundo lugar na colocação nacional, atrás somente do Rio Grande do Norte. Desde então, as taxas de homicídio, ainda altas, seguem caindo ―até outubro, foram 5% a menos de mortes do que 2019, segundo o monitoramento do G1. Um dos maiores obstáculos da polícia para desvendar os homicídios é a dificuldade para conseguir testemunhas. “Todo mundo tem medo, porque os homicídios, em sua esmagadora maioria, estão relacionados à guerra das facções”, afirma Martin Fillus Cavalcante Hesser, 37, delegado da DHPP (Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa) acriana.

Um dos fatores para o arrefecimento da violência nas ruas é justamente o domínio do CV nos últimos anos, que, ainda assim, enfrenta uma pequena resistência do PCC. A dinâmica da expansão do crime organizado se reflete nas ruas, nas áreas rurais (inclusive aldeias indígenas) e, claro, pulsam no sistema carcerário local. Com aproximadamente 8.000 presos, as prisões estão completamente controladas por facções.

Inimigos mortais, os faccionados rivais são divididos em pavilhões, mas até ali é possível ver a influência da religião. Movimentos evangélicos se proliferam de do cárcere superlotado e o instituto que administra as prisões do Acre resolveu tomar o fenômeno como uma oportunidade. No sistema penitenciário acriano como um todo, mais de 30 pastores de diferentes vertentes têm autorização e a missão de converter criminosos em religiosos. O IAPEN-Acre criou, no início de 2020, um pavilhão exclusivo para evangélicos na Penitenciária Francisco de Oliveira Conde, a maior do Estado. São 625 presos divididos em 25 celas. Cada cela possui seu líder espiritual, que prega a palavra diariamente aos seus companheiros de cadeia, a maioria analfabetos.

Em uma breve visita em agosto, o EL PAÍS pôde observar a dinâmica distinta do pavilhão “da bênção”. Seus ocupantes seguem regras diferentes dos setores comandados pelas organizações criminosas e, ao mesmo tempo, são vigiados por meio dos mais diversos modos de controle das facções. A rotina do banho de sol vira um culto a céu aberto, com cânticos e bíblias. “Aqui é um hospital onde cada um está sendo tratado espiritualmente”, comparou, em conversa com a reportagem Fernando Henrique Junqueira, 39 anos, detento que ocupa a função de faxineiro do pavilhão ―ao contrário do que o senso comum pode imaginar, trata-se de um posto estratégico, de liderança no local.

O promotor Bernardo Fiterman Albano, coordenador adjunto do Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado), vê pragmatismo na fé. “Eu não confio que essas pessoas estão indo para fé pela capacidade de evangelização do pastor. Estão indo para lá como subterfúgio para sair da organização criminosa”, afirma.

Visita à Penitenciária Francisco De Oliveira Conde, a maior do Acre. Unidade tem um pavilhão exclusivo para evangélicos.
Visita à Penitenciária Francisco De Oliveira Conde, a maior do Acre. Unidade tem um pavilhão exclusivo para evangélicos.

Um chamado na Cidade do Povo

Nem quem deixa o sistema carcerário tem a via livre para recomeçar longe das facções e isso ficaria claro em um dos chamados. Em uma noite de agosto, os pastores da Equipe 91 foram solicitados por Alberto (nome fictício). Egresso da cadeia havia apenas quatro dias, ele é monitorado por tornozeleira eletrônica e solicitava o trabalho do grupo para tentar retomar a vida fora do crime. Alberto é da Cidade do Povo, um bairro a dez quilômetros do centro de Rio Branco e um exemplo de campo sangrento das batalhas de território existentes na cidade. Ao contrário do resto da capital, ali é o PCC quem controla a área em associação ao B13, facção local criada como oposição às do Sudeste. Pichações por todo o lugar indicam o domínio das organizações criminosas. O posto policial foi completamente depredado e marcado pela grafia que aproveita a ausência do Estado para ditar as regras. “Proibido roubar morador”, diz uma delas.

“Tem algumas coisas que queremos te passar, alguns cuidados para te ajudar”, diz Francisco Ferreira da Conceição, da Equipe 91, a Alberto no bairro projetado para abrigar famílias de baixa renda do programa Minha Casa Minha Vida. São cerca de 3.500 casas nos mesmos moldes das obras do programa em regiões mais frias do país. Possuem até aquecedor de água solar: “Usamos o aquecedor para pelar galinha”, brincam os moradores. Ali quase ninguém tem emprego formal, uma situação agravada pela pandemia. No Acre, 59,6% do total dos domicílios recebe auxílio emergencial, a quinta maior porcentagem do país.

Na conversa com o potencial novo fiel, os pastores são rígidos. Usam toda a expertise para escrutinar o nível de comprometimento com “a palavra de Deus”. “Se tu não quiser, é melhor tu ficar no crime mesmo, porque às vezes está querendo fazer o vídeo para se esconder e está no mundo. Morre mais rápido de quem tá no crime”, adverte Francisco. Perguntam em códigos sobre sua vida pregressa, sobre o comportamento na cadeia, os motivos que o levaram a buscar a Equipe 91.

A audiência segue como estabelecimento das novas regras de uma vida dedicada à religião: as vestes têm de ser compridas, o cabelo, sem muita personalidade. A rotina deve envolver orações e o afastamento do crime. Alberto ouve tudo de forma diligente, cercado de testemunhas. Finalmente, depois de concordar com a lista de exigências, é hora de gravar o salvo-conduto. O termo segue sempre a mesma lógica: o novo convertido cita seu nome, lembra seu vulgo, o codinome usado no mundo do crime, e também uma senha, outra burocracia da facção. Por fim, anuncia a saída do crime. O vídeo é então despachado por WhatsApp para todas as facções e, assim, Alberto tem a baixa da lista do crime e passa a integrar a lista dos irmãos da igreja.

“Eu oro, eu bebo”

O trabalho da Equipe 91, algumas vezes, não se encerra com o vídeo. Para que o salvo-conduto dê certo e siga sendo respeitado, é preciso constância e disciplina e esse e um dos trabalhos de acompanhamento feito por Francirley Barroso dos Santos, 43, conhecido como Caboclão.

Homem forte, de traços indígenas e voz imponente, com astúcia para a solução de qualquer problema, o ex-empresário do crime cumpriu dez anos de cadeia e está na Equipe 91 desde a fundação. Em uma tarde de agosto, dirige sua Parati branca, ano 2010, com ar condicionado quebrado, pela estrada de terra envolta pelo pó fino da tabatinga, a formação de solo comum no Acre, que entra pelas janelas. Ele se dirige a uma das comunidade onde atua, controlada pelo CV, que fica a duas horas de carro do capital.

Caboclão é recebido em uma casa construída com madeira de castanheira. A maioria dos que estão ali, vestidos com a melhor roupa e segurando a bíblia, são menores de idade com pouco ou nenhum estudo, com semblantes de adultos castigados pela vida e o sol do lugar. O pastor está ali para celebrar um culto que apresentará o anfitrião do lugar como novo homem, agora “na bênção”. O convertido, apreensivo, é Lucena (nome fictício), de 30 anos, que recebe o grupo de vizinhos na tarde de verão amazônico.

A trajetória de Lucena ilustra a infiltração do crime na zona rural do Acre, de delinquência comum ao crime organizado. A chegada dele na região foi responsável pela mudança na geografia. Em pouco tempo, ele devastou toda a floresta em volta, loteou e plantou banana e café. Vendeu alguns pedaços da terra e deu outros trechos para amigos. Durante esse período, permaneceu na vida criminosa: participou de pelo menos três homicídios. Entrou e saiu do sistema carcerário seis vezes.

A influência evangélica como contrapeso às facções não está apenas nas ruas. O instituto que administra as prisões do Acre criou no início deste ano um pavilhão exclusivo para evangélicos na Penitenciária Francisco De Oliveira Conde, a maior do Estado. São 625 presos divididos em 25 celas.

Se entrou no crime precocemente, com pequenos furtos, assaltos, brigas de gangue, Lucena mudou de patamar ao entrar nas facções. Com o currículo extenso, foi assediado por diversas organizações criminosas, e escolheu o CV. Ele foi responsável por implantar as regras do comando na região de floresta: montou bocas de fumo e batizou novos integrantes, fez funcionar o sistema urbano no campo. Com o tempo, chegaram as ameaças: “O fazendeiro mandou um pistoleiro me matar, porque estava colocando esses caras para invadir. Me alertavam, ‘Ei, tem cara tirando foto por aí’. Aquilo vai te abalando. Nessas horas, Deus tem um chamado pra sua vida”, conta Lucena.

“Um amigo pastor me chamou e contou um sonho: ‘Vi uma onça vermelha morta aqui nesse ramal’. Quando ele falou isso, eu me vi estirado, morto numa tocaia.” Foi a senha para a rendição a Jesus. Lucena procurou a Equipe 91, e acabou resgatado pela equipe de pastores ―que o esconderam numa clínica de reabilitação por dois meses. Algum tempo depois, voltou para a área “na bênção”, sob os cuidados de Caboclão. Recentemente, caiu na bebedeira. “Eu bebo, eu oro”, ele diz, em tom de lamento. Por causa do deslize, sofreu uma tentativa de homicídio enquanto dormia.

“Seria uma falta gravíssima usar a religião para escapar de uma traição que você já fez ao crime. Aí seria uma dupla traição”, diz Karina Biondi, professora da Universidade do Maranhão e autora do livro Junto e Misturado: Uma Etnografia do PCC (Editora Terceiro Nome). A antropóloga diz que há razões para que a religião seja respeitada pelos criminosos. “Perante Deus se estabelece uma relação de igualdade, como pecadores, e não como presos e libertos em referência ao sistema jurídico. Eles respeitam tanto a religião que eles abrem essa exceção de poder converter uma pessoa que, em outras circunstâncias, teria sido morta”, observa Biondi.

Com a nova ameaça contra Lucena, os pastores entraram mais uma vez em ação. De volta à sua casa, agora o novo fiel se mantém vivo sob a supervisão estrita dos conselheiros espirituais. Está no fio da navalha. “Está na mão dele agora”, explica Caboclão. “Eles são meninos bons”, diz. Com um forte aperto de mão e olhando nos olhos de Lucena, o pastor se despede: “Desiste não!”

EL País

 

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Comandante do Corpo de Bombeiros apresenta ao secretário de segurança relatório de ações em enchentes

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A cheia dos rios na capital e no interior do estado é um problema que se repete anualmente e causa transtornos e prejuízos para famílias e o estado. A mobilização da estrutura pública exige a elaboração de um plano de contingência capaz de ofertar aos afetados pelas cheias, socorro eficaz.

Na manhã desta segunda feira (4), o comandante do Corpo de Bombeiros Militar do Acre, coronel Carlos Batista apresentou ao secretário de Segurança Pùblica, Paulo Cézar dos Santos, um relatório completo de todas as ações realizadas pela corporação nas cheias dos últimos anos, com ênfase para a enchente na ponta do Abunã, que isolou o Acre por quase dois meses em 2015, e a alagação que atingiu Rio Branco, no ano seguinte.

Batista mostrou imagens e estatísticas que explicam porque uma enchente mobiliza toda a estrutura do estado e exige gastos não previstos no orçamento. O comandante enfatizou também que em todos os casos é necessária a elaboração do plano de contingência, primeira ferramenta acionada quando ocorre esse tipo de situação. Ele anunciou que ainda em janeiro, o Corpo de Bombeiros vai realizar um treinamento com todos os responsáveis pela Defesa Civil nos municípios para que o plano de contingência seja elaborado de forma integrada.

“Vamos capacitar todos os responsáveis pela Defesa Civil em cada município e acompanhar a elaboração do plano de contingência, principalmente daquelas cidades onde o histórico de enchentes é recorrente”, garante.

O secretário Paulo Cézar dos Santos destacou a relevância do trabalho realizado pelo Corpo de Bombeiros destacando a bravura dos militares que enfrentam todas as situações para levar o suporte do estado até as famílias.

Ele ainda observou que a Defesa Civil do Estado tem atuado integrada aos demais órgãos que integram a linha de frente em situações de enchente na capital e nas cidades do interior. “O tempo de resposta da Defesa Civil é um diferencial. Tivemos agora recente a situação de Tarauacá, onde nossas equipes atuaram de forma rápida no auxílio as famílias atingidas. Esse tipo de relatório ratifica ainda mais a importância do trabalho do Corpo de Bombeiros”, observa.

Jornal A Tribuna

Governo do Acre leva ações de educação em saúde aos municípios

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“A educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.” A frase do educador brasileiro Paulo Freire resume o que a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), por meio do Núcleo de Educação em Saúde, realizou durante o ano de 2020, mesmo com a pandemia do coronavírus, nos municípios acreanos.

A pandemia da Covid-19 exigiu que todos retornassem ao “ABC”, relembrando as instruções que cada um, quando criança, aprendeu ou deveria ter recebido, como lavar as mãos frequentemente e respeitar o espaço alheio. O “não falar com estranhos” virou o “não ter contato, mesmo com entes queridos”. Por isso, as ações de educação em saúde, voltadas às medidas de prevenção à infecção, foram intensificadas.

Ações de educação em saúde atingiram a meta desejada
“Alcançamos 99% dos municípios do estado, foi um trabalho realizado por muitas mãos e integrado com todas as áreas da Atenção Primária, sendo que as parcerias firmadas foram fundamentais para a realização das ações”, destacou a gerente do Núcleo de Educação em Saúde da Sesacre, Sônia Queiroz.

As ações de prevenção à Covid-19 foram levadas também à população prisional. Ainda, entre as parcerias importantes para a divulgação dos protocolos e medidas de prevenção ao coronavírus, está o apoio dos Núcleos de Educação em Saúde e Mobilização Social (Nesms) e dos Distritos Especiais Sanitários Indígenas (Dseis).

“Alcançamos a população indígena em parceria com os Dseis, para evitar que a doença se espalhasse nas aldeias. Buscamos principalmente a participação da população, para ser a protagonista das ações de prevenção à doença”, acrescentou a gerente do Núcleo.

Por ser uma infecção muito nova e com uma alta taxa de infectados, que se espalha muito rápido, a Covid-19 ficou sendo a prioridade de enfrentamento e controle, mas as outras doenças não foram esquecidas, como explica Sônia.

“Também trabalhamos a prevenção das outras doenças, principalmente as endêmicas, como é o caso da dengue, com um olhar para o perfil epidemiológico de cada município. Os municípios, por meio Nesms, trabalharam incansavelmente, coordenando e articulando essas ações para promover saúde”, relatou Sônia Queiroz.

Jornal A Tribuna

Governo recebe mais de R$ 1,5 milhão para reforma do hospital de Mâncio Lima

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O governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), recebeu mais de R$ 1,5 milhão para atender a reforma do hospital de Mâncio Lima. O montante destinado é fruto das emendas parlamentares do deputado federal Alan Rick, que tem atuado de forma assídua em benefício dos municípios do Acre.

A obra do Hospital Dr. Abel Pinheiro Maciel Filho terá orçamento de R$, 2,8 milhões, sendo que já foram recebidos mais de R$ 1,5 milhão para reforma e aquisição de insumos, e hoje conta com a liberação do valor de R$376.145,12 em emendas.

“Tenho trabalhado fortemente pela Saúde do Acre. Ao longo dos últimos seis anos, foram mais de R$ 100 milhões destinados aos 22 municípios e para o governo do Estado, entre emendas parlamentares e recursos extras”, afirma o deputado.

A obra, que é uma parceria entre a Sesacre e a Secretaria de Infraestrutura (Seinfra), já conta com dezenas de equipamentos, além da ampliação e reforma do bloco B, que se encontra em ajustes finais. Após sua inauguração e funcionamento, o bloco A será desativado e reformado.

Mais emendas
Além da contribuição para a obra do hospital de Mâncio Lima, o deputado federal também destinou mais R$ 700 mil para aquisição de insumos e manutenção para os hospitais de Sena Madureira, Tarauacá e Mâncio Lima. O objetivo é ampliar e modernizar os hospitais do interior do estado.

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