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Zezinho Barbary tentou driblar lei de consulta a indígenas em obra ilegal de ramal, diz Folha de S. Paulo

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Obras de abertura ou pavimentação de estradas financiadas por emendas parlamentares na região da floresta amazônica são alvo de processos na Justiça e denúncias por violação à legislação que exige a consulta prévia aos povos indígenas diretamente afetados pelos projetos.

As acusações de descumprimento da lei alcançam de pequenas vias intermunicipais a grandes rodovias, como a BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO).

A falta de um regramento detalhado sobre como a consulta deve ser realizada na prática muitas vezes é aproveitada por autoridades para burlar a obrigação legal.

Apenas a realização de audiências públicas, por exemplo, não é suficiente para que as comunidades locais possam contribuir efetivamente para a tomada de decisões, alertam especialistas.

A necessidade de levar em consideração os posicionamentos dos indígenas atingidos pelos empreendimentos públicos está prevista em linhas gerais em um tratado internacional assinado pelo Brasil, a Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho) sobre Povos Indígenas e Tribais.

No Acre, o caso de uma estrada de cerca de 80 km entre os municípios de Porto Walter e Cruzeiro do Sul mostrou uma tentativa das autoridades de usar um abaixo-assinado e o envio de ofícios para a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) como suficientes para configurar a consulta exigida por lei.

A partir de 2015, sob a administração do atual deputado federal Zezinho Barbary (PP-AC), a Prefeitura de Porto Walter executou serviços na via com máquinas pesadas compradas com emendas parlamentares do então deputado federal Flaviano Melo (MDB), que também foi governador do Acre e morreu em 2024.

A gestão iniciou os serviços promovendo desmatamento ilegal, conforme auto de infração lavrado pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

Em 2019, uma liderança indígena denunciou ao Ministério Público Federal no Acre que as obras da via haviam invadido a terra demarcada do povo Jaminawa do Igarapé Preto, sem que a comunidade local tivesse sido consultada.

A Procuradoria levou o caso à Justiça em 2022. Em sua contestação no processo, a Prefeitura de Porto Walter juntou aos autos uma folha de caderno com os dizeres “Autorização do cacique para passar a estrada dentro da terra indígena Jaminawa, em 28 de julho de 2019”, com a suposta assinatura de 18 pessoas.

De acordo com a prefeitura, o papel era um abaixo-assinado que representava “um pedido da comunidade indígena para que a estrada passasse perto de sua aldeia”.

Também réus na causa, o estado do Acre, o Departamento de Estradas de Rodagens do Acre (Deracre) e o Instituto do Meio Ambiente do Acre (Imac) protocolaram uma defesa conjunta no processo, apontando o papel como documento de aprovação dos indígenas.

O Ministério Público contestou essa argumentação ao informar que a população da terra indígena era composta por 171 pessoas e apenas 18 haviam subscrito o abaixo-assinado. Segundo a Procuradoria, o papel “assinado por um número ínfimo de indígenas, não pode ser comparado à consulta prévia, livre e informada, nos termos previstos na Convenção 169/OIT”.

O processo foi julgado em primeira instância em agosto de 2024. A juíza federal Raffaela Cássia de Sousa acolheu o argumento do Ministério Público. “O fato de enviar ofícios para a Funai ou fazer reuniões com caciques não equivale ao direito de consulta”, escreveu.

Segundo a magistrada, a consulta aos indígenas deve se feita “de forma culturalmente adequada, observando seus protocolos de consulta (caso os tenham), ou observando seus modos tradicionais de decisão coletiva”.

O último passo do caso na Justiça foi a homologação de um acordo proposto pelo Governo do Acre em 2025 pelo qual a administração estadual se comprometeu a realizar a consulta aos indígenas, legalizar a obra e ressarcir a comunidade indígena em R$ 500 mil.

No município de Tapauá, no sul do Amazonas, a pavimentação de uma estrada que contou com emendas do senador Omar Aziz (PSD-AM) ainda não teve a consulta prévia concluída. Em nota enviada por sua assessoria, o congressista afirmou que a responsabilidade técnica pela obra é da beneficiária do repasse.

O projeto é de trecho da rodovia estadual AM-366 que afeta as populações de duas terras indígenas, a Apurinã do Igarapé São João e a Apurinã do Igarapé Tawamirim.

Ao tomar conhecimento de que o poder público planejava executar os serviços no município, a Federação das Organizações e Comunidades Indígenas do Médio Purus (Focimp) resolveu adotar ações para elaborar um protocolo de consulta para as comunidades locais em 2022.

Após dois anos de discussões entre as comunidades afetadas, em 2024, o protocolo ficou pronto e foi entregue às autoridades municipais, estaduais e federais envolvidas na obra, segundo o cacique e agricultor José Raimundo Pereira Lima, o Zé Bajaga Apurinã, 59, coordenador-executivo da Focimp.

O protocolo dos povos Apurinã do Igarapé São João e Apurinã do Igarapé Tawamirim, disponível na internet, foi escrito em português e na língua dos indígenas. O documento é um guia simplificado que descreve como e onde a consulta deve ser realizada.

“O governo tem que conversar com a gente antes de fazer as estradas e ramais porque seremos afetados”, afirmam os indígenas no documento.

Porém, de acordo com o cacique Zé Bajaga Apurinã, a pavimentação da estrada seguiu sem a realização da consulta. Procurada pela Folha, a Prefeitura de Tapauá não se manifestou até a conclusão da reportagem.

Na mesma região da floresta amazônica, a obra rodoviária de maior porte é o asfaltamento de um segmento de cerca de 400 km da BR-319 conhecido como “trecho do meio”, que vem recebendo emendas de vários congressistas nos últimos anos.

Em novembro de 2024, o Ministério Público Federal no Amazonas apresentou uma ação civil pública contra a União e outros órgãos federais para condená-los a fazer a consulta prévia às comunidades indígenas afetadas pela obra, além de pagar indenização por danos morais pela suposta omissão e demora na realização da oitiva.

Na petição inicial da causa, a Procuradoria afirmou que “tentou, por anos, ser o mediador no âmbito extrajudicial”, mas nunca conseguiu que o Estado realizasse concretamente a consulta.

Responsável pela obra, o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) apresentou petição no processo dizendo que realizou entrevistas, reuniões e audiências públicas que cumpriram a exigência da consulta.

A Procuradoria alega que essas providências configuraram “uma forma mal sucedida de aproximar Estado e população e objetivam criar subterfúgio à fiscalização”. A ação judicial segue pendente de julgamento.

Especialistas ouvidos pela Folha dizem que muitas vezes as autoridades se aproveitam do fato de não haver um regramento detalhado sobre o tema para burlar a obrigação legal.

Segundo Pricila Aquino, advogada e coordenadora de Clima e América Latina na EDLC (sigla em português do Centro Legal de Defesa do Meio Ambiente), a regulamentação clara da consulta seria uma maneira de fortalecer judicialmente os povos originários, desde que respeitando a organização própria de cada comunidade.

“Temos parâmetros bem consolidados no direito internacional, mas no Brasil ainda não há uma lei específica sobre a consulta, que deve ser prévia, ou seja, antes de o projeto ser finalizado”.

Para Ellen Batista, advogada da Apiam (Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas), a solução para trazer mais proteção em casos como esse é o letramento sobre povos originários no sistema Judiciário. “Não sou a favor da uniformização porque somos muitos, não tem como colocar as comunidades numa caixinha”, afirma.

De acordo com as duas especialistas, é comum que o município convoque uma audiência pública no lugar de uma consulta prévia. “Isso explica por que tantas obras acabam em litígio. Não é um excesso de exigências, e sim uma falha estrutural no cumprimento da lei”, afirma Aquino.

Fonte: Folha de S. Paulo

Banco Master: proposta de CPMI atinge assinaturas e amplia pressão sobre Alcolumbre

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Plenário do Senado Federal/Waldemir Barreto/Agência Senado

O Senado atingiu ontem o número de assinaturas necessárias para instalar uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) dedicada a apurar crimes e fraudes cometidos pelos operadores do liquidado Banco Master. A proposta foi apresentada pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE) e conta com 42 assinaturas, 25 a mais do que o mínimo necessário — um terço do Senado.

A proposta no Senado amplia a pressão sobre o presidente Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que já tem sob a sua mesa uma proposta de CPI mista com o número necessário de assinaturas exigido por lei. A diferença entre as duas propostas é que abertura da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) depende da leitura do requerimento numa sessão do Congresso Nacional, quando se reúnem deputados e senadores sob a liderança de Alcolumbre.

Já a proposta de Girão pode ser lida pelo presidente da Casa Alta já na primeira sessão deliberativa do ano, prevista para o próximo dia 1º de fevereiro. Uma vez atingido o número necessário de assinaturas, cabe ao presidente do Senado ou da Câmara ler o requerimento de instalação da Comissão e designar um presidente para chefiar os trabalhos do colegiado.

As denúncias crescentes relacionadas ao Banco Master e as decisões controversas tomadas por ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) no caso têm feito com que Alcolumbre seja cada vez mais cobrado pelos seus pares para abrir uma CPI ou uma CPMI. O presidente do Senado tem adotado o silêncio como estratégia no período em que o Congresso está em recesso.

Além da proposta de CPI no Senado, uma CPMI é pleiteada pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ), que já reuniu mais de 197 assinaturas — 26 a mais do que o mínimo necessário para instalação do colegiado. Uma outra proposta de CPMI patrocinada pelas deputadas federais Heloísa Helena (PSOL-RJ) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS) segue na fase de coleta de apoios, assim como a iniciativa do deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) para que a Câmara crie uma comissão de investigação do caso.

UOL

MP investiga destruição de 54 hectares de floresta amazônica no interior do Acre

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O Ministério Público do Estado do Acre abriu um procedimento preparatório para investigar a supressão de cerca de 54 hectares de vegetação nativa do bioma Amazônia no município de Mâncio Lima. A apuração foi oficializada pela Portaria nº 138/2025, assinada pela promotora de Justiça Manuela Canuto de Santana Farhat.

Segundo o MPAC, a iniciativa resulta da transformação de Notícias de Fato Criminal encaminhadas pela Procuradoria-Geral de Justiça, fundamentadas em Autos de Infração Ambiental emitidos pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Os registros apontam desmatamento em duas áreas distintas, uma com 26,98 hectares e outra com 27,20 hectares, ambas situadas em zonas de proteção ambiental.

Para o órgão ministerial, o impacto ambiental é classificado como expressivo, o que demanda não apenas a estimativa financeira dos danos, mas também a apresentação de projetos técnicos voltados à recuperação das áreas afetadas. Caso a recomposição não seja viável, a obrigação poderá ser convertida em compensação financeira.

O MPAC ressalta que a legislação ambiental brasileira estabelece a responsabilidade civil ob
jetiva nos casos de dano ao meio ambiente, o que dispensa a comprovação de culpa. Além disso, as infrações podem resultar em penalidades nas esferas administrativa, civil e criminal, conforme previsto na Constituição Federal.

Entre as providências adotadas no procedimento está a notificação dos investigados, identificados pelas iniciais M.A.S. e J.S.B., para que apresentem documentos relacionados à posse ou propriedade dos imóveis, licenças ambientais, Cadastro Ambiental Rural, eventual adesão ao Programa de Regularização Ambiental e plano de recuperação das áreas degradadas.

O Ministério Público também solicitou ao Instituto de Meio Ambiente do Acre a realização de vistoria técnica para verificar a existência de Áreas de Preservação Permanente, identificar os responsáveis pelo desmatamento e analisar possíveis sobreposições entre os imóveis. A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e o Cartório de Registro de Imóveis foram acionados para prestar informações técnicas e fundiárias.

A apuração busca reunir elementos que embasem as providências cabíveis, que podem envolver recomendações, assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta, abertura de inquérito civil ou o arquivamento do procedimento.

Bocalom celebra pesquisa sobre prisão de Maduro e reforça discurso contra comunismo

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Posicionamento do prefeito de Rio Branco ocorre após levantamento indicar maioria favorável à neutralidade do Brasil diante da crise na Venezuela

O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PL), usou as redes sociais nesta terça (20/1) para celebrar a divulgação do levantamento realizado pelo instituto Ipsos/Ipec, que mostrou a percepção dos brasileiros em relação à captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, após operação dos Estados Unidos da América (EUA) no início de janeiro deste ano.

Em mensagem publicada no Instagram, o mais novo pré-candidato ao governo do Acre disse que o povo rejeita “as correntes ideológicas do comunismo” e defendeu valores como liberdade, trabalho, família e desenvolvimento. Para Bocalom, experiências desse modelo em outros países trouxeram atraso, miséria e perda de direitos.

O que diz a pesquisa

Segundo os dados, 66% dos entrevistados defendem que o Brasil mantenha neutralidade diante da ação estadunidense. Outros 17% apoiam a iniciativa militar e 9% acreditam que o país deveria se posicionar contra. O estudo também revelou que 57% não temem que os EUA realizem operação semelhante em território nacional. Já 14% disseram ter muito medo e 23% afirmaram sentir algum receio.

Em outro recorte, 23% acreditam que a intervenção pode trazer efeitos positivos ao país, enquanto 29% enxergam impactos negativos e 28% avaliam que não haverá consequências. A pesquisa ainda perguntou sobre as motivações envolvidas no caso. Para 26%, o objetivo foi controlar petróleo e recursos naturais da Venezuela. Outros 22% apontaram a defesa da democracia e dos direitos humanos, e 18% citaram o combate ao narcotráfico.

No total, 2 mil pessoas foram ouvidas em 130 municípios entre os dias 10 e 14 de janeiro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

Sindicalistas da Saúde cobram do governo implantação do PCCR e não descartam greve

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Servidores da Saúde podem deflagrar greve no Acre — Foto: Acinete Gadelha/G1

Representantes dos sindicatos da área da saúde estadual se reuniram para cobrar do governo do Acre a implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR) da categoria. A medida, aguardada há mais de duas décadas pelos servidores da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), voltou ao centro do debate diante do prazo legal para sua efetivação, que se encerra em 2 de abril, em razão das regras da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

De acordo com os sindicalistas, o PCCR vem sendo discutido desde o ano passado e já teve sucessivas datas previstas para apresentação, inicialmente em julho, depois em setembro e, por último, em 31 de dezembro de 2025. No entanto, até o momento, não houve manifestação oficial do governo estadual, por meio das Secretarias de Administração e de Saúde. Caso o plano não seja implementado até o prazo estabelecido pela LRF, a proposta poderá ficar inviabilizada até 2027, condicionada à existência de margem fiscal.

A longa espera tem gerado insatisfação entre os trabalhadores da saúde. Segundo os sindicatos, há 25 anos a categoria aguarda a reformulação do plano de carreira e a recomposição salarial. “A categoria da saúde foi a única que há 25 anos não tem reajuste salarial, não tem a sua reformulação de Plano de Cargos e Carreiras. Quem carrega a força do Sistema Único de Saúde não é valorizado, e isso é um absurdo”, afirmou Iunayra Cavalcante, presidente do SEEAC à TV 5.

Os sindicalistas alegam que o governo tem utilizado como justificativa a falta de análise do documento pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE). Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Estado do Acre (Sintesac), Jean Lunier, a demora seria uma forma de ganhar tempo. “É um plano que ainda não está na nossa mão. No ano passado, ele foi entregue ao governo para correções e para análise jurídica pela PGE, mas até agora não chegou aos sindicatos”, disse.

A elaboração do PCCR custou cerca de R$ 1,5 milhão, valor pago pelo Estado a uma empresa contratada para desenvolver o plano. Além disso, o deputado estadual Adailton Cruz (PSB) destinou uma emenda à Lei Orçamentária Anual (LOA), garantindo recursos para o pagamento do PCCR de aproximadamente 9 mil trabalhadores da saúde.

Diante da indefinição, os sindicatos não descartam a possibilidade de greve. “Queremos o nosso PCCR. Ele precisa chegar às nossas mãos para sabermos quais mudanças foram feitas. Se isso não acontecer, vamos intensificar os movimentos, procurar a Casa Civil e a vice-governadora [Mailza Assis]. Faremos o que for preciso para que esse plano seja aprovado no primeiro quadrimestre de 2026”, afirmou Alesta Costa, presidente do Sindicato dos Profissionais Auxiliares e Técnicos de Enfermagem e Enfermeiros do Acre (Spate).

A mobilização dos profissionais da saúde não é recente. Em novembro de 2025, a categoria realizou um protesto no Salão Marina Silva, na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), reivindicando o aumento do auxílio-alimentação de R$ 420 para R$ 1.000, a universalização do auxílio-saúde para todos os servidores públicos, ativos e inativos, e a aplicação da Revisão Geral Anual (RGA), estimada em cerca de 20%, para recompor perdas inflacionárias.

Já em dezembro de 2025, a Comissão de Orçamento e Finanças (COF) da Aleac aprovou a RGA, a recomposição das tabelas salariais da Educação em 10% e a criação de uma brecha legal que permite, havendo margem na Lei de Responsabilidade Fiscal, a implantação do PCCR dos servidores da saúde ainda neste ano.

Professor constrói o próprio túmulo no Acre para poupar família de logística: ‘Tudo vira despesa’

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“Quando a pessoa morre, tudo vira despesa. Velório, caixão, sepultamento. Sendo assim, eu preferi deixar tudo já organizado para minha família.”

A fala é do professor Paulo Onofre Lopes Craveiro, de 60 anos. O que para muitas pessoas é um temor, para ele despertou a necessidade de organização. Deficiente visual desde 2023 e em tratamento continuo de hemodiálise há seis anos, foi por conta de sua condição de saúde que ele decidiu construir o próprio túmulo ainda em vida, em Tarauacá, no interior do Acre, para evitar transtornos à família se precaver em relação à logística fúnebre.

O túmulo fica localizado no Cemitério São João Batista, único da cidade de Tarauacá. A obra foi concluída em 2025, em cerca de uma semana, e custou aproximadamente R$ 6 mil, incluindo mão de obra e materiais.

Segundo o professor, a ideia de antecipar a construção surgiu há cinco anos, quando passou a conviver com as limitações impostas pela doença. “Eu só quis deixar tudo encaminhado. Aqui é passagem, ninguém fica para sempre”, acrescentou.

O chefe de gabinete da prefeitura de Tarauacá, Edmundo Maciel, disse que o serviço de construção de um novo cemitério na cidade já foi licitado e contratado e que está sendo feita a construção do acesso e pavimentação até o local para iniciar obras no verão.

A estrutura do túmulo do professor tem apenas uma gaveta, é revestida em porcelanato preto com detalhes dourados e traz uma cruz com asas de ferro, inspirada no Salmo 91, da Bíblia. Cada detalhe da sepultura foi escolhido criteriosamente por Paulo.

“O preto representa o luto, e o dourado é voltado para a luz”, disse.

Informações G1

 

 

PRF recupera em Rio Branco veículo com registro de apropriação indébita

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Na manhã desta segunda-feira (19), a Polícia Rodoviária Federal (PRF) recuperou, na Rodovia AC-40, um veículo Fiat/Toro com registro de apropriação indébita. A equipe realizava rondas no bairro Santa Maria após alerta emitido pelo Centro de Comando e Controle (C3R) sobre a circulação do automóvel na capital.

O veículo foi localizado e abordado em frente a um estabelecimento comercial. O condutor afirmou ter adquirido o carro em novembro de 2025, porém, em consulta aos sistemas integrados, os policiais confirmaram uma restrição ativa registrada junto à Polícia Civil de São Paulo. Em contato com a empresa proprietária, foi verificado que o bem não havia sido restituído, confirmando a apropriação indébita.

Diante das irregularidades, o homem foi detido pelo crime de receptação e encaminhado à Delegacia de Flagrantes (DEFLA) em Rio Branco, juntamente com o veículo recuperado, para a continuidade dos procedimentos legais.

Ascom PRF

Detran publica nova portaria e redefine regras para funcionamento de autoescolas e instrutores no Acre

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O Departamento Estadual de Trânsito do Acre (Detran/AC) publicou, na edição desta terça-feira, 19, do Diário Oficial do Estado (DOE), a Portaria nº 49, de 16 de janeiro de 2026, que estabelece novas regras para o credenciamento, recredenciamento, funcionamento, fiscalização e descredenciamento das autoescolas e dos instrutores de trânsito vinculados a essas instituições no estado. A norma está alinhada à Resolução nº 1.020/2025 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e entrou em vigor na data de sua publicação.

De acordo com a portaria, o credenciamento passa a ser condição indispensável para que autoescolas possam atuar na formação de condutores, tanto no ensino teórico quanto na prática de direção veicular. O documento detalha uma série de exigências administrativas, estruturais e legais que devem ser cumpridas pelas instituições interessadas, incluindo apresentação de certidões negativas, comprovação de regularidade fiscal, infraestrutura adequada, acessibilidade, recursos didático-pedagógicos e veículos aptos para aulas práticas.

A norma também define que o credenciamento não gera direito adquirido e pode ser suspenso ou revogado a qualquer momento, caso sejam constatadas irregularidades ou descumprimento das regras estabelecidas. A renovação do credenciamento deverá ocorrer a cada cinco anos, mediante novo processo administrativo e vistoria técnica realizada pelo Detran.

Outro ponto abordado pela portaria é o controle e a fiscalização das atividades. O Detran/AC poderá realizar vistorias, auditorias, diligências administrativas e monitoramento remoto para verificar o cumprimento das normas. Em caso de infrações, estão previstas penalidades que variam de advertência à suspensão ou cancelamento do credenciamento, assegurados o contraditório e a ampla defesa.

Em relação aos instrutores de trânsito, a portaria determina que o exercício da atividade depende de autorização prévia do Detran, com validade de 12 meses. Os profissionais ficam sujeitos às mesmas regras, deveres e penalidades aplicáveis aos instrutores autônomos, conforme regulamentação específica já em vigor.

A portaria ainda estabelece critérios para o número de autoescolas por município, com base na quantidade de eleitores, e autoriza a realização de aulas teóricas e práticas no período das 5h às 22h. A medida busca padronizar procedimentos, garantir segurança jurídica e modernizar o processo de formação de condutores no Acre.

Bittar anuncia caminhada de 200 km pela anistia de Bolsonaro e contra “tirania” do STF

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O senador Márcio Bittar (PL) anunciou nesta terça (20/1) que se juntará à caminhada de 200 quilômetros pela anistia e liberdade dos presos ligados aos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023. O caso, já julgado pelo Supremo Tribunal Federal, condenou 1.399 pessoas por tentativa de golpe de Estado na capital federal, após a invasão das sedes dos três Poderes.

A manifestação, que mobiliza a direita conservadora do país, começou na última segunda (19/1) em Paracatu (MG) e deve ser finalizada no domingo (25/1) em Brasília (DF).

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Bittar afirmou ter cancelado compromissos durante o recesso parlamentar de janeiro para se unir aos deputados Nikolas Ferreira (PL-MG) e Gustavo Gayer (PL-GO), além de classificar como injusta a prisão de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Ele e todos os manifestantes do 8 de janeiro são presos políticos que estão pagando por um crime que não cometeram”, declarou.

De acordo com o senador, a caminhada será marcada pela ideia de persistência diante do que chama de tirania do Judiciário. Com isso, ele busca ampliar a visibilidade de um movimento que, para seus apoiadores, representa resistência e defesa da democracia. Para críticos, trata-se de uma tentativa de reescrever os fatos de janeiro de 2023.

A marcha deve se estender pelos próximos dias, com previsão de chegada à capital federal no domingo (25/1), quando está programada uma manifestação.

Oposição critica ato

A iniciativa, no entanto, recebeu críticas da oposição. O deputado Rogério Correia (PT-MG) comparou o ato às mobilizações históricas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). “Essa peregrinação não vai comover o país. Serve apenas como cortina de fumaça para esconder crimes”, afirmou.

Correia lembrou que o MST realizou jornadas semelhantes em defesa da democracia e da reforma agrária, como a Marcha Nacional Lula Livre, em 2018, que reuniu milhares de pessoas em Brasília pela liberdade do então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Três anos depois, o líder do Partido dos Trabalhadores teve as condenações anuladas pelo STF, que entendeu que o processo tramitava fora da jurisdição correta e que o juiz Sérgio Moro, responsável pelo processo, agiu de forma parcial na condução.

Produção de café no Acre cresceu quase 400% e rendeu R$ 139 milhões nos últimos anos

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Vanderlei de Lara é um grande produtor de café de Acrelândia. Foto: Diego Gurgel/Secom

O Estado do Acre apresentou dados significativos que comprovam o crescimento na produção de café no estado nos últimos seis anos. De acordo com levantamento divulgado na segunda-feira (19), de 2019 a 2025 o Valor Bruto da Produção (VBP) do café saiu de R$ 28,3 milhões para R$ 139,1 milhões, um salto de 391,5% no Acre.

De acordo com o governo, investimentos por parte do poder público foram fundamentais para o avanço da cafeicultura no estado.

O governador Gladson Camelí reforça que a cafeicultura se tornou uma política de Estado e representa uma oportunidade concreta de geração de renda, inclusão social e desenvolvimento regional.

“O café é hoje uma das grandes forças do nosso campo. Estamos falando de uma atividade que gera emprego, fixa o produtor na zona rural e movimenta a economia local, especialmente no Juruá, onde o cooperativismo tem papel fundamental nesse crescimento”, afirmou.

A vice-governadora Mailza Assis ressaltou o impacto social da cadeia produtiva do café, especialmente para a agricultura familiar.

“Mais de 90% dos nossos cafeicultores são agricultores familiares. Apoiar a Coopercafé é investir diretamente em quem vive da terra, em mulheres, homens e jovens que hoje assumem a gestão das propriedades, agregam valor ao produto e ajudam a transformar a realidade social do Acre”, pontuou.