Início Site Página 200

MPAC e Cedim alinham ações para fortalecer políticas de proteção às mulheres

0

Representantes do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) e do Conselho Estadual de Direitos da Mulher (Cedim) se reuniram na manhã da última sexta-feira, 27, na sede da instituição, em Rio Branco, para discutir prioridades e fortalecer a articulação em defesa dos direitos das mulheres no estado.

O encontro foi conduzido pelo Centro de Atendimento à Vítima (CAV) e pelo Observatório de Violência de Gênero (OBSGênero) e marcou a apresentação oficial da promotora de Justiça Bianca Bernardes como nova coordenadora das duas estruturas. A reunião também abriu espaço para que as conselheiras apresentassem demandas e desafios enfrentados pelo conselho.

Durante a agenda institucional, foram discutidas dificuldades identificadas na rede de atendimento e definidas duas pautas prioritárias para o primeiro semestre: o papel da mídia na prevenção da violência de gênero e ações voltadas ao enfrentamento da violência obstétrica.

Segundo a promotora Bianca Bernardes, a iniciativa representa o início de uma nova etapa de diálogo entre as instituições que atuam na proteção das mulheres. “Nosso objetivo é manter um diálogo constante com as instituições da rede de atendimento, voltado à implementação dos direitos da mulher e à prevenção da violência de gênero”, destacou.

Acre tem 3º pior rendimento domiciliar per capita do Brasil, diz levantamento

0

O rendimento domiciliar per capita para o Brasil, em 2025, ficou em R$ 2.316. O valor representa um avanço em relação a 2024, quando a renda média dos residentes no país ficou em R$ 2.069. Foi maior também na comparação com anos anteriores: R$ 1.893, em 2023, e R$ 1.625, em 2022.

Os dados registrados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua divulgados na sexta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE), a renda per capita no Acre foi de R$ 1.392,00 em 2025, uma das piores do Brasil. O estado aparece à frente apenas do Maranhão e Ceará.

Entre as unidades da federação, esse valor variou de R$ 1.219 no Maranhão a R$ 4.538 no Distrito Federal. Nove estados e o DF superaram o rendimento médio nacional.

Na sequência do DF, que registrou a maior renda, ficaram os estados de São Paulo (R$ 2.956), Rio Grande do Sul (R$2.839), Santa Catarina (R$2.809), Rio de Janeiro (R$2.794), Paraná (R$ 2.762), Mato Grosso do Sul (R$ 2.454), Goiás (R$ 2.407), Minas Gerais (R$2.353) e Mato Grosso (R$ 2.335).

Acre inicia 2026 com salto nas exportações e Brasileia assume liderança no ranking estadual

0

O Acre abriu o ano de 2026 consolidando sua posição como um importante player no comércio internacional da Amazônia Sul-Ocidental. Segundo dados do mais recente Boletim de Comércio Exterior, divulgado pela Secretaria de Planejamento (Seplan), as exportações do estado atingiram US$ 9,10 milhões em janeiro, demonstrando um crescimento de 11,7% em relação ao mês anterior. O resultado garantiu um superávit comercial de US$ 8,69 milhões, uma vez que as importações recuaram 42% no mesmo período.

Esse desempenho positivo é a continuidade de um ano histórico: em 2025, o Acre bateu recordes ao exportar US$ 98,90 milhões, valor 13,3% superior ao de 2024. A estrutura econômica atual, baseada em produtos do agronegócio e extrativismo, bem como a abertura constante de novos mercados, têm permitido ao estado manter saldos positivos ininterruptos, vendendo para o mundo muito mais do que compra.

A pauta de exportações de janeiro foi dominada pela carne bovina, que representou 47,7% das vendas (US$ 4,34 milhões). No entanto, a grande notícia do mês foi a forte recuperação da castanha-do-brasil, que, em função do período da safra, saltou para a segunda posição, com 32,3% de participação (US$ 2,94 milhões), seguida pela carne suína, com 7,7%.

Essa mudança no perfil dos produtos impactou diretamente o ranking dos municípios. Brasileia conquistou o primeiro lugar no estado, movimentando US$ 3,29 milhões, impulsionada justamente pela castanha e pela carne suína. Senador Guiomard ficou em segundo lugar, como o principal polo de carne bovina, enquanto a capital, Rio Branco, ocupou a terceira posição.

Geograficamente, o Acre está redesenhando suas parcerias. O Peru se consolidou como o maior destino das mercadorias acreanas, absorvendo 39% de tudo que foi exportado em janeiro. Os Emirados Árabes Unidos aparecem na sequência, com 28,2%, demonstrando a força da carne acreana no mercado asiático.

Essa proximidade com os vizinhos sul-americanos reflete-se na logística: a via rodoviária, especialmente por meio de Assis Brasil, deu um salto significativo, passando a responder por 43,9% do escoamento do estado. Embora a via marítima (via Porto de Santos) ainda lidere com 56,1%, o corredor rodoviário rumo ao Pacífico ganha cada vez mais relevância estratégica.

Apesar dos números positivos, ainda persistem gargalos que limitam o potencial exportador do estado. O chamado “custo Acre” continua sendo um desafio, com a recente concessão da BR-364 podendo encarecer ainda mais o frete. Além disso, a integração com o Peru segue demandando uma modernização aduaneira para agilizar o tempo de despacho nas fronteiras.

Para que esse crescimento seja duradouro, a implantação de obras estruturantes e presença de mão-de-obra especializada continuam sendo fundamentais. O estado vive hoje uma transição de uma economia antes isolada para um hub conectado aos fluxos globais, provando que os produtos acreanos têm qualidade e mercado garantidos.

Cresce percentual de mulheres que relatam medo de ser estupradas

0
Ato Por Todas Elas reúne mulheres no vão-livre do Museu de Arte de São Paulo, na Avenida Paulista, para mais um protesto contra o estupro Foto de arquivo: Rovena Rosa/Agência Brasil

O percentual de mulheres que declararam ter medo de sofrer um estupro cresceu em uma pesquisa realizada pelo Instituto Patricia Galvão e pelo Instituto Locomotiva, que teve novos dados antecipados com exclusividade nesta segunda-feira (2) à Agência Brasil.

Em 2020, 78% das mulheres ouvidas pelos pesquisadores disseram ter “muito medo de ser vítimas de um estupro”. Esse percentual cresceu para 80%, em 2022, e chegou a 82% segundo os dados obtidos em 2025.

Além das que declararam ter muito medo, 15% disseram ter “um pouco de medo”, o que significa um total de 97% de mulheres que vivem com algum grau de temor da violência sexual.

Em dois grupos, a proporção das que sentem “muito medo” é ainda maior, chegando a 87% no caso das jovens, entre 16 e 24 anos, e 88% entre as mulheres negras.

A diretora de conteúdo do Instituto Patrícia Galvão, Marisa Sanematsu, ressalta que além de o medo ser constante, nenhum espaço é considerado, de fato, seguro.

“O medo assombra as mulheres brasileiras o tempo todo, desde pequenas e em todos os lugares: a casa é insegura, assim como sair e voltar, esperar o transporte, enfrentar a condução lotada ou pedir um carro por aplicativo”, disse.

“Esse medo constante faz com que elas desenvolvam suas próprias estratégias de proteção: evitam sair à noite ou usar alguns tipos de roupas e acessórios, procuram estar sempre acompanhadas e até escolhem trajetos mais longos para se sentirem um pouco mais seguras”.

Violência dentro de casa

Os institutos divulgam, nesta segunda-feira (2), a segunda onda de dados da pesquisa de 2025. A primeira onda, publicada em setembro de 2025, já havia mostrado que 15% das entrevistadas eram sobreviventes de estupro, e oito em cada dez vítimas sofreu a violência com 13 anos ou menos.

Os dados divulgados hoje acrescentam que, entre as vítimas com até 13 anos, 72% foram violentadas dentro da própria casa. Em metade dos casos, o abusador foi um familiar e, em um terço dos relatos, foi um amigo ou conhecido da família.

No total, 84% dos estupros foram cometidos por um homem do círculo social da vítima.

Essa porcentagem diminui no caso das mulheres violentadas com 14 anos ou mais, porém os conhecidos ou membros da família se mantêm como a maioria: 76% dos abusadores eram pessoas conhecidas, incluindo amigos, parceiros íntimos, familiares e ex-companheiros. Além disso, 59% sofreram a violência dentro de casa.

Apoio às vítimas
A pesquisa Percepções sobre direitos de meninas e mulheres grávidas pós-estupro teve a participação de 1,2 mil pessoas, homens e mulheres, de todas as regiões do país.

Além de perguntar para as mulheres sobre suas próprias experiências com a violência sexual, as entrevistas também ouviram a percepção geral dos entrevistados sobre o assunto.

Nas respostas, foi praticamente unânime o entendimento de que as mulheres têm medo de estupro: 99% dos entrevistados concordam.

Apesar disso, 80% das pessoas acreditam que as vítimas nunca, ou quase nunca, revelam para outras pessoas a violência sofrida, principalmente por sofrer ameaças do agressor, por terem medo de não serem ouvidas ou por sentirem vergonha.

Os resultados gerais se assemelham ao que foi dito pelas entrevistadas que relataram ter sido vítimas, conforme a primeira divulgação da pesquisa.

Cerca de 60% das mulheres que foram vítimas antes dos 14 anos não contaram para ninguém sobre o abuso. Além disso, apenas 15% foram levadas a uma delegacia, e 9%, a uma unidade de saúde.

O apoio a políticas de apoio às vítimas também foi amplo: 93% concordam que o Estado deve fornecer acompanhamento psicológico imediato para meninas e mulheres vítimas de estupro, e a mesma porcentagem acredita que as prefeituras e governos devem aumentar a divulgação de serviços de saúde que atendem vítimas.

Depoimentos

Além dos percentuais obtidos com as respostas, os institutos também divulgam nesta segunda-feira depoimentos de mulheres que sofreram violência sexual.

Uma mulher parda, moradora do Sudeste, com idade entre 25 e 44 anos, contou:

“Comecei a ser abusada criança, com 6 anos, sem nem entender o que acontecia, e o abusador me fazia acreditar que eu era culpada e que, se eu contasse para alguém, ninguém acreditaria em mim. Meu abusador era o meu pai.”

Já outra vítima, uma mulher preta, moradora da região Sudeste, com 45 anos ou mais, até tentou pedir socorro mas não foi acolhida.

“Eu tinha apenas 11 anos, foi horrível, não entendia direito o que estava acontecendo. Tentei falar com a minha mãe, mas ela não acreditava em mim, dizia que eu queria acabar com o casamento dela. Ainda bem que minha avó percebeu algo estranho e me trouxe de volta pra casa dela”.

A gravidez e a falta de suporte para o abortamento adequado também aparecem nos depoimentos, como o de uma jovem parda, moradora da região Sudeste, com idade entre 16 e 24 anos.

“Eu sofri um abuso e engravidei por causa desse ato. Eu, com 13 anos, não poderia ser mãe e ia interromper minha vida, eu estava estudando, então, eu decidi não contar para os meus pais e pedir ajuda de uma amiga próxima minha. Então, ela me levou a um aborto clandestino e lá eu fiz o procedimento”.

Com informações Agência Brasil

Pregão eletrônico entre Iapen e empresa terceirizada vira alvo de investigação do TCE

0

O Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) instaurou o processo nº 149.319-TCE/AC para apurar a regularidade do Pregão Eletrônico nº 583/2023, realizado pelo Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen), destinado à contratação de serviços terceirizados e continuados. A medida consta na edição desta segunda-feira, 2, do Diário Eletrônico de Contas do TCE/AC.

A apuração tem como base o Relatório Preliminar de Análise Técnica nº 258/2026, que aponta possíveis falhas no procedimento licitatório. O processo envolve a empresa Mais & Pimentel Serviços e Consultoria Ltda., responsável pela prestação dos serviços.

À época da realização do pregão eletrônico, o policial penal Alexandre Nascimento de Souza era o presidente do Iapen, portanto, é citado como responsável pelo órgão no período analisado.

A denúncia tem relatoria da conselheira Dulcineia Benício de Araújo Barbosa, que determinou a citação do senhor Ellyson Oliveira Maia, sócio-administrador da empresa, para apresentar defesa no prazo de 15 dias úteis, contados a partir do recebimento da notificação.

De acordo com o Tribunal de Contas, o responsável poderá encaminhar documentos e esclarecimentos sobre as inconsistências apontadas pela área técnica. Caso não haja manifestação dentro do prazo estabelecido, poderão ser aplicados os efeitos da revelia, conforme previsto na legislação.

O relatório técnico e demais documentos do processo estão disponíveis para consulta no sistema eletrônico do TCE-AC, mediante cadastro prévio. O procedimento tramita como denúncia destinada a verificar a regularidade da licitação conduzida pelo Iapen.

Acreanos denunciam cobrança de taxas extras para receberem botijas do programa Gás do Povo

0
Moradores denunciaram o caso em grupo de WhatsApp/Foto: Reprodução

Moradores do município de Marechal Thaumaturgo, no interior do Acre, usaram as redes sociais no último domingo (1) para denunciar que estão sendo obrigados a pagar taxas extras para ter acesso às botijas de gás, através do programa do governo federal, “Gás do Povo”.

De acordo com conversas divulgadas em grupo de mensagens no WhatsApp, os moradores alertam que tiveram que pagar até R$ 30 reais para ter acesso à botija de gás.

“Minha mãe pagou R$ 37 reias, relatou uma usuária, sendo prontamente acompanhada por outros relatos de cobranças semelhantes feitas por estabelecimentos locais. “Minha amiga da faculdade pagou também”, disse outra.

Moradores denunciaram o caso em grupo de WhatsApp/Foto: Reprodução

Os integrantes do grupo de notícias da cidade chegaram a marcar, citar na publicação, um vereador do município sobre a situação.

O parlamentar justificou que o valor cobrado seria pela taxa cobrada referente ao “desembarque” do produto, visto que o município é de difícil acesso.

Um outro morador da cidade afirmou que tem algo errado, já que se trata de um programa social.

“Mas como é um benefício social ainda estão cobrando? Tem algo de errado pode ter certeza”, escreveu

 

 

 

Equidade, presença do Estado e o verdadeiro valor da inclusão no chão da escola

0
Secretário Aberson Carvalho/Foto: Assessoria SEE

Existe uma diferença fundamental entre igualdade e equidade que costumo debater na sociologia e na gestão pública. Igualdade é oferecer a mesma prova de nivelamento para todos; equidade é compreender que alguns precisarão de óculos, de uma prova em Braille, de um intérprete em Libras, de um ensino mais visual ou de mais tempo para concluir o raciocínio. Na educação, tratar os desiguais com políticas diferenciadas é o único caminho para a verdadeira justiça social. Ao olharmos para a nossa rede e vermos milhares de alunos com diagnósticos que vão do transtorno do espectro autista (TEA) a deficiências cognitivas, sabemos que abrir a porta da escola é insuficiente, e que a verdadeira inclusão exige estrutura aliada a um profissional qualificado para mediar esse aprendizado.

No Acre, tivemos a criação, em 2023, da Central de Referência em Educação Especial, além do fortalecimento de espaços já consolidados, como o Centro de Apoio ao Surdo (CAS), o Centro de Apoio Pedagógico ao Portador de Deficiência Visual (CAP), o Centro de Ensino Dom Bosco, o Núcleo de Altas Habilidades/Superdotação (NAAHS), e as salas de Atendimento Educacional Especializado (AEE) em nossas escolas.

Hoje, cerca de 8% da nossa rede estadual possui diagnóstico de deficiência ou transtorno do desenvolvimento. Esse índice representa mais de 11 mil estudantes, em todo o estado, que necessitam de acompanhamento especializado. Para atender a essa demanda, o governo do Acre empossou 735 novos professores efetivos de Educação Especial, sendo o primeiro concurso efetivo específico para a área na história do Acre, e consolida a maior base já estruturada para a educação especial no estado.

A lotação desses profissionais abrange todos os 22 municípios acreanos, descentralizando o atendimento da capital para garantir que o acompanhamento especializado alcance as comunidades onde o estudante vive. Com isso, as famílias não precisam interromper suas rotinas ou buscar apoio longe de suas realidades para assegurar o direito de aprendizagem de seus filhos. Em muitas localidades isoladas, o professor é o principal elo entre o poder público e o cidadão, e fortalecer a educação especial é, na prática, fortalecer a presença do Estado.

Historicamente, o Brasil cometeu o grave erro de confundir “matricular” com “incluir”, abandonando o professor regente em uma solidão pedagógica que apenas gerava frustração. A verdadeira transformação no chão da escola acontece com a chegada do profissional de Atendimento Educacional Especializado (AEE), que não entra na sala como um mero cuidador, mas como alguém que atua como um garantidor de equidade da aprendizagem: enquanto o regente domina o conteúdo da disciplina, o especialista domina o “como” aquele aluno específico absorve o mundo. É essa parceria técnica e estratégica que permite traduzir avaliações, adaptar materiais, executar estratégias de ensino e garantir que o conhecimento realmente chegue ao estudante, independentemente de suas limitações.

Essa dinâmica materializa a nossa premissa de que a justiça social só existe quando tratamos os desiguais com políticas diferenciadas. O impacto desse atendimento individualizado vai muito além das notas, pois atinge diretamente a autoestima do aluno e devolve a dignidade à sua família. Garantir o especialista ao lado do professor regente é a certeza de que o Estado está cuidando de nossas autoridades — as nossas crianças e jovens — de maneira responsável, provando que a educação inclusiva não se faz apenas por decreto, mas com ações estruturantes, colocando a ferramenta certa nas mãos do profissional adequado.

A universalização do atendimento especializado é um desafio de longo prazo, mas os alicerces estruturais e orçamentários estão postos. No governo do Acre, transformamos o que antes era uma promessa distante em política pública efetiva e permanente. Ao cumprir o papel de colocar um especialista dentro da sala de aula, seja na capital ou em um município de difícil acesso, ele entrega muito mais do que técnica pedagógica: tranquilidade para as famílias e dignidade aos nossos estudantes. Cuidar de nossas autoridades — nossas crianças e jovens — é assegurar que nenhum diagnóstico ofusque o brilho de um projeto de vida. O Acre prova, na prática, que o verdadeiro poder da educação está em enxergar a diferença não como um limite, mas como o início de tudo.

*Aberson Carvalho é sociólogo, professor e secretário de Estado de Educação e Cultura do Acre

Casa Ainbu Daya: resistência, cultura viva e protagonismo das mulheres Huni Kuin

0

Encerramento do projeto que une tradição e inovação marca o início de uma nova fase e abre caminho para novas parcerias.

Após seis meses de atividades, o projeto Casa Ainbu Daya chega ao fim, mas suas sementes continuam a dar frutos: o espaço pedagógico intercultural das mulheres Huni Kuin segue vivo no Jordão, Acre.

Fundada para promover autonomia socioeconômica das mulheres, valorizar seus saberes e preservar a cultura do povo Huni Kuin, a Casa contou com apoio do Programa Rouanet Norte e patrocínio do Banco da Amazônia, parceria do Banco do Brasil, Caixa e Correios, sob a realização do Ministério da Cultura e do Governo Federal.

O projeto custeou o aluguel do espaço por seis meses e investiu R$ 96 mil em bolsas de incentivo distribuídas para 44 mestras artesãs por 6 meses. Pintada pelas próprias mulheres com os grafismos Huni Kuin, a Casa foi equipada com computador, projetor, caixa de som e internet para realização das oficinas presenciais e online e para o funcionamento como sede administrativa do Instituto Ainbu Daya.

“Agora nossas três terras indígenas têm uma casa. Antigamente, não acontecia assim, mas agora nós estamos fazendo o trabalho das mulheres e eu estou muito feliz no meu coração”, compartilhou Txanani, mestra-artesã e vice-conselheira do Instituto.

Formação e fortalecimento das mestras-artesãs

O projeto Casa Ainbu Daya promoveu um ciclo de oficinas presenciais e online, com tradução simultânea para o Hãtxa Kuĩ, voltadas ao desenvolvimento das 44 mestras-artesãs Huni Kuin, representantes das aldeias da região, que posteriormente repassaram os conhecimentos adquiridos para suas aprendizes.

Os temas abordaram Moda, Corte e Costura; Gestão e Empreendedorismo; Finanças Básicas; Cadastro da Carteira de Artesã; Informática Básica e Uso do Celular; Fotografia e Audiovisual. Graças ao acesso à internet em algumas aldeias, parte das participantes pôde acompanhar as atividades online.

Na oficina de “Moda, Corte e Costura” as participantes trocaram referências sobre moda indígena de outros povos e lugares do mundo em uma primeira aula online. A etapa presencial, prática, contou com apoio de uma costureira local para aprimoramento dos acabamentos das peças artesanais (forros, zíperes, botões, reforço de alças) e também estimulou a criação de peças que combinam a tecelagem ancestral Huni Kuin com outros tecidos, ampliando o catálogo e a autonomia para produção.

Na oficina de “Gestão e Empreendedorismo”, o foco foi a organização comunitária para comercializar o artesanato produzido pelas mulheres. Em “Finanças Básicas”, as participantes trabalharam organização financeira, fluxo de caixa e planejamento de metas, sempre dentro da realidade das mulheres Huni Kuin.

A oficina “Informática Básica e Uso do Celular” abordou o uso responsável de celulares e computadores, com um olhar atento à segurança digital: como evitar golpes, os riscos de jogos de aposta e os cuidados com as crianças no ambiente online. Em “Fotografia e Audiovisual” as mulheres aprenderam a usar seus celulares para documentar suas peças, registrar os processos do artesanato e divulgar seus trabalhos, ampliando o alcance e as possibilidades de vendas.

Além disso, as mulheres iniciaram o “Cadastro da Carteira da Artesã”, em parceria com a Coordenação Estadual do Artesanato do Acre. Primeiro, foi realizada uma oficina online sobre vantagens e procedimentos para obter o documento. Depois, foram geradas 36 novas carteiras e 13 renovações. Esse reconhecimento nacional amplia o alcance do trabalho artístico-manual das artesãs Huni Kuin e garante acesso a benefícios da categoria.

Um legado de união, construído por elas e para elas

Com o encerramento do projeto, a Casa segue ativa como ponto de encontro das mulheres Huni Kuin dos três territórios próximos ao município de Jordão (Terra Indígena Kaxinawá do Rio Jordão, TI Kaxinawá do Baixo Jordão e TI Kaxinawá Seringal Independência) e vem se tornando lugar de pertencimento diante dos desafios de logística e isolamento da região.

Hoje segue como sede do Instituto Ainbu Daya e como a primeira associação de mulheres do município, com atividades para produção artística, acesso à internet e centro de apoio social, com palestras sobre a Lei Maria da Penha (em parceria com a Secretaria da Mulher) e visitas de equipes de assistência social, abordando temas essenciais para a comunidade. A Casa também ganhou quatro máquinas de costura: uma conquista que só foi possível porque agora as mulheres Huni Kuin dispõem de um local dedicado às suas produções.

“Eu falo para minha filha, para minha neta: quando eu ficar velha, quem que vai fazer essa organização? Vocês podem fazer, agora a gente já tem uma casa. E agora a gente está precisando de muito recurso, queremos melhorar essa nossa casa e comprar nosso material”, destacou Batani Huni Kuin, vice-presidente do Instituto.

Para garantir a continuidade, o Instituto Ainbu Daya busca novas parcerias, doações e apoios. Este é um convite para continuar acompanhando o tecer dessa história: uma história que segue em frente, impulsionada pela sabedoria ancestral das mulheres Huni Kuin.

Acompanhe o Instituto Ainbu Daya
instagram.com/casaainbudaya
instagram.com/ainbu.daya
[email protected]

(68) 9236-7763 (Rita Huni Kuin – Secretária do Instituto)
(11) 93217-3163 (Bunke – Presidente do Instituto)
Colaboração no texto: Diana P. Rodriguez

DNIT anuncia licitação para recuperação de 120 km da BR-364 entre Sena e Cruzeiro do Sul

0

O superintendente regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), engenheiro civil Ricardo Araújo, apresentou nesta segunda-feira (2) o balanço das ações em andamento na BR-364, no trecho que liga Rio Branco a Cruzeiro do Sul, e destacou o planejamento para os próximos meses. Segundo ele, com o fim do período mais intenso de chuvas, o ritmo das obras será ampliado.

De acordo com Araújo, no trecho entre Rio Branco e Sena Madureira, os serviços de recuperação, incluindo tapa-buracos e correção de pontos críticos com deslizamentos, estão em fase avançada e devem ser concluídos ainda em março.

Entre Sena Madureira e Manoel Urbano, as equipes executam serviços de tapa-buracos e intervenções em áreas com processos erosivos considerados mais perigosos, também com previsão de conclusão até o fim deste mês.

Já no trecho de Manoel Urbano a Tarauacá, está sendo realizada a aplicação de camada de pedra para melhorar a trafegabilidade e garantir mais segurança aos usuários. A partir de março, está previsto o início do recapeamento asfáltico nesses segmentos, medida que também será adotada no trecho entre Tarauacá e o distrito de Liberdade.

A partir de abril, o DNTI iniciará a execução de macadame e de capa sobre capa entre Manoel Urbano e Feijó, em pontos estratégicos da rodovia. O macadame é uma técnica de pavimentação que consiste na aplicação e compactação de camadas de pedras britadas de diferentes tamanhos, formando uma base resistente e estável para receber o revestimento asfáltico. Esse método é amplamente utilizado na recuperação de estradas, especialmente em regiões com solo úmido e tráfego intenso, por aumentar a durabilidade da via.

O superintendente também anunciou que o serviço de macadame começará nos próximos dias na estrada do Aeroporto, em Rio Branco, ampliando as ações de melhoria na capital.

“Estamos trabalhando de forma contínua, priorizando os pontos mais críticos e planejando intervenções estruturais para garantir mais segurança e melhores condições de tráfego à população. Com o período de estiagem, conseguiremos avançar com mais frentes de serviço e dar maior celeridade às obras”, afirmou Ricardo Araújo.

Além das ações emergenciais e de recuperação, o DNTI informou que abrirá, no início de março, o processo de licitação para os 100 quilômetros entre Sena Madureira e os primeiros 20 quilômetros após Manoel Urbano, reforçando o compromisso com a reestruturação completa do corredor viário.

Motorista é detido após invadir contramão e causar acidente com casal na Avenida Sobral

0
Jovens de 22 e 18 anos sofreram múltiplas fraturas /Foto: A Gazeta do Acre

Ryan Lima Gomes, de 22 anos, e Jamile da Silva Saldanha, de 18, ficaram feridos na noite deste domingo, 1º, após uma colisão frontal entre a motocicleta em que estavam e um carro na Avenida Sobral, no bairro João Paulo II, região da Baixada da Sobral, em Rio Branco. O motorista do automóvel foi detido sob suspeita de dirigir sob efeito de álcool.

Segundo testemunhas, o condutor trafegava no sentido bairro-centro quando teria invadido a contramão e atingido de frente a motocicleta ocupada pelo casal.

Com o impacto, Ryan e Jamile foram arremessados ao asfalto. Ryan sofreu fraturas expostas no fêmur, na tíbia, na fíbula e no tornozelo. Jamile teve fratura nos dedos da mão esquerda, fraturas expostas no fêmur, na tíbia e na fíbula da perna esquerda, além de lesões no pé esquerdo e traumatismo cranioencefálico moderado, que a deixou desorientada no momento do atendimento.

Após a colisão, o motorista saiu do veículo com cortes no nariz, no rosto e na cabeça, causados por estilhaços do para-brisa. Ele deixou o local e se escondeu em uma residência de dois andares situada a poucos metros do ponto do acidente. Moradores foram até o imóvel, arrombaram a porta, retiraram o condutor e o entregaram às autoridades de trânsito.

O homem admitiu ter ingerido bebida alcoólica em um clube, mas recusou-se a realizar o teste do etilômetro. Diante da situação, recebeu voz de prisão e foi encaminhado à Delegacia de Flagrantes (Defla), onde deverá responder por dirigir sob efeito de álcool.

Populares acionaram a Polícia Militar e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que enviou uma ambulância de suporte básico e outra de suporte avançado. As vítimas foram imobilizadas, estabilizadas e encaminhadas ao pronto-socorro de Rio Branco, com estado de saúde considerado estável, apesar das múltiplas fraturas.

Policiais militares do Batalhão de Trânsito isolaram a área para os trabalhos periciais. Após a conclusão dos procedimentos, os veículos foram removidos por guincho.