Início Site Página 15

Quatro deputados do Acre oficializam filiação ao União Brasil 

0

Os deputados estaduais Fagner Calegário, Chico Viga, Pablo Bregense e Michele Melo oficializaram, nesta terça-feira (31), suas filiações ao União Brasil, em ato realizado em Brasília com a presença de lideranças nacionais e estaduais da sigla.

A articulação contou com a participação do presidente nacional do partido, Antônio Rueda, e do dirigente estadual, Fábio Rueda, consolidando o movimento que já vinha sendo costurado nos bastidores da política acreana.

A chegada dos quatro parlamentares fortalece significativamente o União Brasil no estado, ampliando sua bancada e tornando a chapa mais competitiva nas eleições de 2026.

Na última semana, a sigla já havia recebido reforço com a filiação do deputado Afonso Fernandes.

Delegado adventista denuncia perseguição religiosa na Polícia Civil; direção nega e diz que caso segue orientação jurídica

0

O delegado de Polícia Civil do Acre, Judson Barros Pereira, denunciou ao Ministério Público do Estado (MPAC) o que classifica como “perseguição religiosa” dentro da corporação. Adventista do Sétimo Dia, ele afirma estar sendo obrigado a cumprir plantões aos sábados, dia considerado sagrado por sua fé.

Segundo Judson, a determinação partiu da direção da Polícia Civil, mesmo havendo, segundo ele, outros delegados disponíveis para substituição nas escalas.

“Eu sou adventista do Sétimo Dia e, por lei, temos o direito de resguardar o sábado. Principalmente na Polícia Civil, onde há vários delegados que poderiam me substituir”, afirmou.

O delegado relata que foi designado para trabalhar aos sábados após decisão do diretor do Departamento de Polícia da Capital e do Interior (DPCI), Roberth José de Sousa Alencar, com aval do delegado-geral da Polícia Civil, Henrique Maciel.

“Eles resolveram me colocar para trabalhar no sábado. Conseguiram um parecer superficial dizendo que eu teria que trabalhar, sem sequer levar em conta as teses do STF”, declarou.

Delegado Judson Barros/Foto: Arquivo Pessoal

Judson afirma ainda que se recusou a cumprir a ordem por considerá-la ilegal e que, a partir disso, passou a sofrer ameaças administrativas.

“Eu não fui trabalhar no sábado e houve toda essa situação de ameaças. Disseram que tomariam providências administrativas e jurídicas, inclusive que poderiam bloquear meu salário”, relatou.

Para ele, a situação configura discriminação religiosa e perseguição. “Entendo isso como discriminação religiosa. É uma perseguição. Tentei resolver administrativamente, mas não foi possível”, completou.

Na representação encaminhada ao MPAC, o delegado sustenta que a medida viola a liberdade religiosa prevista na Constituição Federal e aponta possível abuso de autoridade, desvio de finalidade e coação.

Polícia Civil nega perseguição e diz que houve parecer jurídico antes da decisão

Procurado pela reportagem, o delegado Henrique Maciel negou qualquer tipo de perseguição religiosa e afirmou que a convocação ocorreu dentro da rotina administrativa da instituição. Ele frisou que as determinações foram técnicas e comuns. Henrique salientou que nem ele, nem o diretor Roberth Alencar, têm nada contra o denunciante e nem contra qualquer tipo de religião.

“Temos uma rotatividade. Algumas pessoas entram de férias, ficam doentes, são situações temporárias. Ele foi convocado para substituir outro delegado”, explicou.

Delegado-geral da Polícia Civil, Henrique Maciel

Segundo Maciel, a decisão foi baseada em parecer jurídico interno, feito de forma consultiva previamente.

“Encaminhei para nossa assessoria jurídica e eles se manifestaram. Seguimos a orientação jurídica, que deu parecer para que ele cumprisse o plantão normalmente”, disse.

O delegado-geral informou ainda que o caso também foi submetido à Procuradoria-Geral do Estado (PGE) para análise.

“Também encaminhei à PGE, já que é um tema que ainda não é totalmente pacificado. Estamos aguardando esse posicionamento”, afirmou.

Maciel destacou que, caso haja entendimento contrário por parte da PGE, a orientação será revista.

“Se a PGE disser que estamos errados, vamos comunicar ao DPCI que nenhum outro adventista poderá ser convocado para trabalhar no sábado”, declarou.

Ele reforçou que não há motivação pessoal na decisão. “Não foi perseguição religiosa. Respeitamos todas as religiões. Não temos nada pessoal contra ele, foi uma questão de fluxo do dia a dia da Polícia Civil”, concluiu.

Governo reafirma ponto facultativo e feriado no período da Semana Santa

0

De acordo com o Decreto Estadual nº 11.809/2025, o governo do Acre estabeleceu ponto facultativo para a próxima quinta-feira, dia 2, em razão da Quinta-Feira Santa, e mantém o feriado nacional da sexta-feira, 3, em celebração à Paixão de Cristo. Com isso, os órgãos e entidades da administração direta e indireta do Poder Executivo estadual não terão expediente nessas datas.

Esta medida foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) e segue o calendário oficial de feriados e pontos facultativos de 2026.

A população deve ficar atenta ao funcionamento dos serviços públicos durante o período. Os serviços essenciais, como Saúde e Segurança Pública, continuarão operando normalmente. Permanecem em funcionamento as unidades de pronto atendimento (UPAs), o Pronto-Socorro de Rio Branco (Huerb) e as delegacias de polícia.

Já as unidades da Organização em Centros de Atendimento (OCA) e as secretarias de Estado estarão fechadas durante o feriado e o ponto facultativo, com retomada do expediente normal na segunda-feira, 6.

“A maior contribuição que podemos é a gente exigir do governo que ele mande uma proposta para ser discutida hoje na Aleac”, diz Edvaldo

0

O deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB) defendeu hoje (31/3) a discussão concreta de uma proposta que contemple todos os servidores do Estado. Ele pontou que a Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) pode ser essa mediadora, uma vez que até agora o governo não chegou a um consenso.

“A maior contribuição que podemos dar para esses servidores, é a gente exigir do governo que ele mande uma proposta para ser discutida hoje nesta Casa. Se não está pronta, não tem problema. A gente espera até de tarde, até de noite. Mas, precisamos dar um ponto final nessa novela que está comprida demais, que está tirando a tranquilidade e paciência dos servidores do Estado. A Assembleia precisa mediar esse momento”, disse o parlamentar.

Edvaldo Magalhães pontuou ainda que está escrito no Orçamento do Estado a Revisão Geral Anual (RGA). “Esse debate não começou ontem, nem no ano passado, nem no ano atrasado. Ele se aprofundou muito e avançou muito no final do ano passado quando da votação do Orçamento. Porque em meio a uma revolta justa das categorias, essa Assembleia alterou a peça orçamentária. Incluiu algumas obrigatoriedades, entre uma delas, está escrito no orçamento a Revisão Geral Anual. O governo poderia ter vetado. Não! Sancionou, é lei!”, explicou.

O deputado mencionou que o governo Gladson Camelí já poderia ter chegado a uma sinalização positiva com os servidores, porém, o Estado resolveu adotar o discurso da ‘arrogância’. “Qual foi a resposta, pelo menos até ontem, do governo, com relação a contraproposta do movimento? Foi a pressão e a arrogância através de declarações públicas em vários sites, dizendo assim: ‘Já que não fizeram acordo em torno da minha proposta, eu não vou mandar nada para a Assembleia’. O nome disso é desrespeito ao servidor público. O nome disso é autoritarismo. O nome disso é intolerância, porque no processo de negociação, desde que o mundo é mundo. Desde antes do nascimento de Jesus, numa negociação sempre tem debate, desentendimento, voltam para a mesa e chegam, a um entendimento. É assim que gente grande deve agir. E, ao governo, cabe a tolerância porque a paciência dos servidores está esgotando”.

Lula confirma Alckmin como candidato a vice-presidente e saída de ministério

0

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou, nesta terça-feira, 31, que o atual vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) vai sair como candidato ao mesmo cargo na chapa petista na eleição deste ano. A confirmação da candidatura foi feita por Lula no discurso de abertura da reunião ministerial.

Com isso, Alckmin terá que deixar o posto de ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC). A saída de Alckmin do ministério já era aguardada, mas ainda havia dúvida sobre a qual cargo ele iria se candidatar, já que ele chegou a ser cogitado para tentar o Senado pelo Estado de São Paulo.

Nesta Reunião Ministerial, Lula pretende se despedir de ao menos 18 ministros que devem deixar seus cargos para se candidatar nas eleições.

“Pelo menos 14 companheiros já comunicaram que deixarão o governo a partir de hoje. Mais quatro companheiros que vão anunciar daqui a pouco. E quem sabe até mais alguns, porque tem até quinta-feira à noite”, disse, se referindo ao prazo de descompatibilização exigido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para quem quer se candidatar.

Lula fez um discurso de agradecimento aos ministros e demonstrou apoio às escolhas de se candidatarem. O presidente chamou a reunião desta terça de “dia do saio”, em referência ao histórico “dia do fico”.

Ele brincou ainda com a situação de Camilo Santana (PT-CE), que anunciou a saída do governo mas não pensa em ser candidato, apenas atuar nas articulações eleitorais do partido.

“Tem gente que vai sair, sem ser candidato. É engraçado, gente que gosta tanto de eleição, que vai sair. Um cara sair sem ser candidato, vai ficar só na espreita”, brincou, sem mencionar diretamente o nome de Camilo.

Lula disse ainda que não pretende anunciar novos ministros para recompor a baixa, faltando menos de nove meses para o fim do governo. Ele explicou que os ministérios deverão continuar com as equipes existentes e as chefias serão substituídas por pessoas que já integram as pastas.

“Eu tomei a decisão de não ficar colocando ministro novo. Eu não quero que nenhum ministério comece tudo outra vez. Não tem nenhum novo programa de governo. a máquina está em andamento e ela tem que continuar andando. Nós temos confiança na equipe que vocês montaram, que é quem vai continuar trabalhando”, afirmou.

Portal Terra

Luiz Gonzaga sinaliza tendência a ficar no PSDB e apoiar Bocalom ao governo

0

O deputado estadual e primeiro-secretário da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), Luiz Gonzaga, afirmou na manhã desta terça-feira (31) que avalia a possibilidade de permanecer no PSDB para disputar a reeleição, condicionando a decisão à formação de uma chapa competitiva no partido. Gonzaga frisou que ficar no partido implicaria no apoio a Tião Bocalom, presidente do partido e que disputará o governo do Acre em 2026.

Em conversa com a imprensa, Gonzaga destacou que aguarda a definição dos nomes que irão compor a chapa proporcional da sigla antes de bater o martelo sobre seu futuro político.

“O presidente do partido ficou de me apresentar uma lista com os nomes dos pré-candidatos. Estou esperando isso para poder decidir. Sou do PSDB, já disputei mais de oito mandatos pelo partido. Se tiver chapa, possivelmente eu vou ficar e apoiar o Bocalom”, declarou.

Gonzaga foi presidente da Aleac e atualmente é o primeiro-secretário da Casa. O parlamentar sempre foi da base de apoio ao governonador Gladson Camelí.

Apesar das sinalizações, Gonzaga reforçou que ainda não há decisão definitiva e que o cenário político segue em construção.

Com custo de R$ 1,75 milhão, Bocalom inaugura fábrica de leite de soja com capacidade para 4 mil litros por dia

0

A Prefeitura de Rio Branco entregou, na manhã desta terça-feira, 31, o novo prédio da Fábrica de Leite de Soja, instalada na Rodovia Transacreana, nas proximidades da Ceasa. A unidade passa a integrar as ações voltadas à segurança alimentar no município.

De acordo com a gestão municipal, a produção será destinada a crianças da rede pública de ensino e a famílias em situação de vulnerabilidade social inscritas no Cadastro Único, atendidas pela Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos.

O prefeito Tião Bocalom destacou que a iniciativa retoma um projeto idealizado ainda na década de 1990. “Eu tinha um sonho que trago desde 1993, quando fui prefeito de Acrelândia. Não tive condição financeira de implantar uma usina daquela lá naquele período, mas isso ficou na minha cabeça”, afirmou.

A estrutura recebeu investimento de R$ 1,75 milhão e possui capacidade de produção de até 4 mil litros de leite de soja por dia. Inicialmente, a produção deve alcançar cerca de 2 mil litros diários. O produto será ofertado em diferentes sabores, como morango e chocolate.

Além da fábrica, o município também avança na implantação do Complexo de Agricultura Familiar, que reúne linhas de beneficiamento de arroz, feijão e milho. Parte da estrutura já está em funcionamento com o processamento de arroz, enquanto as demais linhas seguem em fase de instalação.

O complexo conta com investimento superior a R$ 20 milhões em recursos próprios, destinados à construção de galpões, aquisição de equipamentos, implantação de secadores e estruturas de armazenamento.

A proposta é ampliar o valor agregado da produção local, com utilização de tecnologia para melhorar a qualidade dos produtos. O arroz será processado com selecionadora eletrônica por cor, o feijão passará por polimento e o milho poderá ser transformado em produtos como fubá e xerém.

Segundo a prefeitura, a expectativa é que o complexo esteja totalmente operacional entre 60 e 90 dias. Atualmente, 23 produtores já cultivam arroz para abastecer a unidade.

Durante a entrega, o prefeito ressaltou que a iniciativa busca fortalecer a agricultura familiar e estimular a produção local. “Não há como melhorar a vida das pessoas sem trabalho e geração de renda. Queremos consumir o arroz do Acre, o feijão do Acre, ampliar a produção local e evitar que o dinheiro saia do estado”, declarou.

Investimentos em prédios públicos são estratégia para reduzir déficit previdenciário, diz governo do Acre

0
Prédio do Instituto de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) é um desses investimentos do Acreprevidência. Foto: Samuel Moura/Secom

O Instituto de Previdência do Acre (Acreprevidência) tem ampliado sua atuação para além da gestão tradicional, adotando uma estratégia considerada pioneira no país: investir em obras e infraestrutura pública como forma de contribuir para o enfrentamento do déficit previdenciário no Acre. Para isso, tem direcionado recursos para melhorias estruturais em órgãos estaduais.

De acordo com o presidente do Acreprevidência, Francisco Assis, o instituto tem promovido a valorização patrimonial e a otimização de ativos, o que fortalece sua sustentabilidade financeira a longo prazo.

“Adotamos uma medida inovadora ao investir em infraestrutura pública como forma de fortalecer o patrimônio do estado e, ao mesmo tempo, de contribuir para o equilíbrio do sistema previdenciário. Esses imóveis passam a gerar receita por meio de aluguéis, o que cria uma fonte contínua de recursos para a previdência”, ressaltou.

Os investimentos superam R$ 40 milhões, distribuídos em diversas intervenções, incluindo reformas, ampliações e adequações de espaços institucionais.

O prédio do Instituto de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) é um desses investimentos do Acreprevidência e foi entregue em fevereiro de 2025. Assim como o Procon, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também foi beneficiado com uma nova sede, entregue pelo Acreprevidência neste mês de março. O investimento foi de R$ 7,8 milhões.

A Secretaria de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia (Seict) contará, ainda este ano, com uma nova sede localizada no Via Tower Corporate Buildings, na Via Verde, bairro Distrito Industrial em Rio Branco. O investimento foi de R$ 7 milhões, com a aquisição de dois pavimentos do empreendimento.

Nova sede da CGE será inaugurada em setembro deste ano. Foto: cedida

Outras obras estão em andamento e irão contemplar os órgãos: Controladoria-Geral do Estado (CGE), Núcleo de Atendimento ao Servidor Público do Iapen (Nasp), Arquivo Público e Delegacia de Polícia Civil de Brasileia. As entregas estão previstas para ocorrer entre junho e setembro de 2026, dentro de um cronograma planejado.

O investimento em imóveis públicos passa a integrar a carteira patrimonial do instituto. Esses imóveis, utilizados por órgãos do próprio estado, geram receita por meio do pagamento de aluguéis institucionais. O modelo cria um ciclo sustentável, em que o patrimônio público é valorizado e, ao mesmo tempo, passa a produzir receita contínua para a previdência estadual.

Agência de Notícias do Acre

Bocalom oficializa criação da Creche Municipal Marta Ferreira Lopes, no bairro Vila Acre

0

A Prefeitura de Rio Branco oficializou, por meio do Decreto nº 618, de 30 de março de 2026, a criação da Creche Municipal Marta Ferreira Lopes, que passará a integrar a rede pública municipal de ensino. A unidade está localizada na Rodovia AC-40, nº 2.966, no bairro Vila Acre.

O decreto, assinado pelo prefeito Tião Bocalom (PSDB), estabelece que a creche ficará vinculada à Secretaria Municipal de Educação (Seme), seguindo as normas aplicáveis à educação infantil.

A criação da unidade atende à Lei Municipal nº 2.563, de 23 de abril de 2025, que já havia definido a denominação da creche. Segundo o documento, a formalização do ato é necessária para a regularização administrativa da unidade e sua inclusão nos sistemas oficiais.

O ato também considera despacho da Secretaria Municipal de Educação e destaca a necessidade de ampliar a oferta de educação infantil na rede pública do município.

O decreto entrou em vigor na data de sua publicação.

Fatores sociais empurram famílias para ultraprocessados, diz pesquisa

0
© Agência Brasil

A sobrecarga materna, o preço atraente e até componentes afetivos são alguns dos fatores sociais que impulsionam o consumo de alimentos ultraprocessados por crianças em comunidades urbanas de diferentes cidades brasileiras, segundo pesquisa divulgada nesta terça-feira (31) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

O estudo entrevistou cerca de 600 famílias de três comunidades urbanas do país: Guamá, em Belém (PA); Ibura, em Recife (PE); e Pavuna, no Rio de Janeiro (RJ).

Apesar de 84% dos entrevistados se considerarem muito preocupados em oferecer uma alimentação saudável para suas famílias, em metade dos lares os alimentos ultraprocessados faziam parte do lanche das crianças. Além disso, em um a cada quatro, algum desses produtos estava no café da manhã.

Os produtos ultraprocessados mais presentes nas casas foram iogurte com sabor, embutidos, biscoito recheado, refrigerante e macarrão instantâneo.

O que são ultraprocessados?

Os ultraprocessados são produtos alimentícios de origem industrial, resultantes da mistura de ingredientes naturais com aditivos químicos, como corantes, aromatizantes e emulsificantes. Isso permite a fabricação de produtos de baixo custo, longa durabilidade e com sabores intensos, que viciam o paladar.

Evidências científicas mostram que o seu consumo aumenta o risco de doenças como obesidade, diabetes, problemas cardíacos, depressão e câncer.

Sobrecarga materna

Nas famílias ouvidas pela pesquisa, 87% das mães exerceram a tarefa de comprar e servir o alimento às crianças, e 82% delas também foram responsáveis pela preparação.

Já entre os pais, apenas 40% comprou alimentos, enquanto 27% cozinharam e 31% ofereceram a comida às crianças da casa.

A oficial de Saúde e Nutrição do Unicef no Brasil, Stephanie Amaral, ressalta a sobrecarga das mulheres nos cuidados com a alimentação.

“Muitas mães fazem isso sozinhas, além de trabalhar fora. É uma sobrecarga que acaba fazendo com que a praticidade dos alimentos ultraprocessados pese muito mais”.

Desconhecimento

Outro ponto destacado pela pesquisa é o desconhecimento sobre os produtos ultraprocessados. Muitos alimentos que se enquadram nessa categoria foram apontados como saudáveis pela maioria dos entrevistados, como os iogurtes com sabor e os nuggets de frango fritos na airfryer.

A nova rotulagem frontal dos produtos, que traz avisos quando eles têm grande concentração de sódio, açúcar e gorduras saturadas também não cumpre seu papel de forma integral: 26% dos entrevistados disseram não saber o que esses avisos significam.

Além disso, 55% dos entrevistados nunca observam os avisos de alto teor no rótulo dos alimentos, e 62% admitem que nunca deixaram de comprar algum produto por causa deles.

Preço baixo

A percepção de preço também pode influenciar no consumo. A maioria das famílias (67%) considera que os sucos de caixinha, salgadinhos e refrigerantes são baratos.

Já legumes e verduras são considerados caros por 68% delas, proporção que sobe para 76% no caso das frutas e 94% no das carnes.

Os pesquisadores também fizeram entrevistas aprofundadas com algumas famílias e identificaram ainda um componente afetivo.

“Essas pessoas não tinham dinheiro para comprar os alimentos que elas queriam quando eram crianças, então agora elas se sentem felizes por poder comprar o que a criança quer comer. E aí esses alimentos ultraprocessados, ainda mais aqueles com desenhos e personagens, são associados a uma infância feliz”, explica Stephanie Amaral.

A oficial de Saúde e Nutrição do Unicef destaca ainda que é mais difícil controlar o consumo no caso dos ultraprocessados, porque os danos que eles causam à saúde são cumulativos e não imediatos. Mesmo assim, ela acredita que as escolas podem contribuir de forma essencial:

“As famílias mostram uma confiança muito grande na alimentação escolar, o que mostra como as escolas são importantes em oferecer o alimento saudável, mas também em promover essa alimentação para as famílias”.

Recomendações do estudo

Fortalecer a regulação de alimentos ultraprocessados: avançar na regulação da publicidade infantil, na tributação de ultraprocessados e na promoção de ambientes escolares saudáveis, reduzindo a exposição e o consumo desses produtos

Expandir creches e escolas em tempo integral: a ampliação da educação infantil e da jornada escolar fortalece redes de apoio às famílias, reduz sobrecargas, especialmente sobre as mulheres, e contribui para a proteção e promoção de hábitos saudáveis.

Fortalecer a orientação alimentar nos serviços de saúde: ampliar o aconselhamento alimentar, desde a gestação, de forma a promover informação de qualidade, evitar a introdução precoce de ultraprocessados e influenciar a adoção de hábitos saudáveis desde o início da vida.

Apoiar iniciativas e lideranças comunitárias: fortalecer ações locais — como hortas, feiras, atividades esportivas e redes de apoio — amplia o acesso a alimentos saudáveis e incentiva práticas de atividade física nos territórios.

Ampliar a compreensão e o uso da rotulagem frontal: promover campanhas e ações educativas que expliquem, de forma clara, o significado da rotulagem e seu uso no dia a dia e acompanhar a efetividade da rotulagem frontal, considerando seus critérios nutricionais e formato dos alertas.

Investir em comunicação para mudança de comportamento: estratégias de comunicação devem considerar a realidade das famílias, usar linguagem simples e abordar desafios práticos, como identificar “falsos saudáveis” e melhorar formas de preparo.

Agência Brasil