Única testemunha de acusação contra André Maia é o maior beneficiado de seu afastamento da prefeitura, diz jornalista

A morosidade da Justiça coloca nas mãos de um vereador de menos de 400 votos o destino de quase 23 mil habitantes de Senador Guiomard

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Por Wiliandro Derze

A questão judicial que afastou o prefeito de Senador Guiomard, André Maia (PSD), eleito pelo voto nas eleições de 2016, vem mexendo com a soberania dos moradores e eleitores do município. Depois das argumentações do advogado de defesa de Maia, de que o Tribunal de Justiça do Estado do Acre pode não ser o órgão colegiado correto para o julgamento das acusações imputadas ao escolhido da população. A dúvida sobre a volta do prefeito afastado continua sendo uma incógnita na opinião pública do Acre e principalmente da população do município que quer ver o prefeito eleito conduzindo a gestão da cidade.

As argumentações podem ser inúmeras para a permanência do afastamento de André Maia da gestão municipal. Mas tal decisão tem sido justa e dentro do que determina a legislação? O prefeito André Maia poderia está sendo injustiçado com todo esse tempo afastado que o povo o concedeu por quatro anos? As acusações e possíveis provas no processo poderiam ter sido obtidas de forma irregular? As cortes superiores teriam a mesma decisão sobre o caso e as tais provas levantadas contra Maia? Essas perguntas podem servir como argumentações para a sociedade refletir sobre o que pode está havendo essa burocracia para analisar uma questão de ordem.

Enquanto a morosidade da justiça continua, os maiores penalizados sofrem com a cidade sem planejamento nas áreas essenciais como limpeza, infraestrutura, apoio a produção e atendimento social e de saúde digno a população. Será que a Justiça irá definir pelos eleitores? Será que é difícil uma corte priorizar a analise de um processo que envolve cerca de 22.810 habitantes que elegeram um prefeito com 4.533 votos? E que por meio de sua decisão deixa um vereador com 375 votos comandar os destinos de uma cidade? A diferença para se eleger prefeito e vereador é gigantesca quando se trata de mais de oito meses de usurpação de cargo com autorização legal, mesmo não tendo tido voto suficiente para ser o mais votado entre os parlamentares.

A retirada de pauta do processo de André Maia da sessão do Pleno do Tribunal de Justiça completou sua segunda semana. A dúvida ou falta de compreensão dos competentes desembargadores é se a corte ainda tem competência paga julgar o processo do prefeito afastado. Enquanto a corte não define, a população continua sem seu representante legal afastado. O que vem gerando diversas dúvidas. Na realidade existe pressão externas? As constantes visitas de opositores a pessoas influentes seriam o retrato da morosidade das decisões? A população de Senador Guiomard quer saber se terá seu prefeito eleito novamente ao cargo ou se poderá o quanto antes ou na medida do tempo estabelecido pela legislação esperar por uma outra eleição. O que não pode é esperar todo esse tempo aturando o prefeito interino que não chegou nem perto da votação que precisaria para ser prefeito de Senador Guiomard.

Por isso, é questionado em todos os lugares dentro do município de Senador Guiomard se o afastamento de André Maia do cargo de prefeito da cidade ainda se configura justo. Já que a corte do Tribunal se mostrou apreensiva se tem a competência para julgar o processo. Os 180 dias da cautelar estabelecida pelo desembargador foram cumpridas. E agora, qual o destino de André Maia? A corte tomará uma decisão de imediato? Ou a população de Senador Guiomard com mais de 22 mil habitantes continuará sendo governada por um vereador de menos de 400 votos? Lembrando que a única testemunha que acusa o prefeito é a única que se beneficiou de tudo até hoje. Ocupando o mandato do prefeito eleito.

*Wiliandro Derze é jornalista.

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