Sem aceitar indicação e crescimento de Rocha, MDB ‘racha’ com o grupo de Gladson

0

Para quem apostou todas as suas fichas que a novela mexicana que se tormou a escolha do vice da oposição se encerraria com o anúncio do deputado federal Wherles Rocha (PSDB) como o escolhido, lamento dizer que este folhetim, regado a doses cavalares de intrigas e articulações malsucedidas, ainda está longe de um desfecho final. Pelo menos até o segundo turno, onde os acordos zeram e novas exigências são feitas.

Bem! Para quem acompanhou a coletiva de imprensa com cara de comício pode ter estranhado a ausência dos caciques emedebistas, gerando ainda mais especulações em torno da composição da chapa majoritária, que há quase 20 anos tenta tomar o comando do Estado das mãos do PT e sua trupe.

O que realmente aconteceu, meu caro leitor, que também pode estar estranhando a ausência de Flaviano Melo e Cia., foi que o MDB não aceitou ser coadjuvante nesta construção de chapa, apoios e conchavos políticos. Acostumado a dar as cartas e com uma fome insaciável de poder, os emedebistas, não todos, diga-se de passagem, não aceitaram ter seu espaço reduzido e se sentiram até desprestigiados quando, de alguma forma, foram preteridos por Gladson Cameli.

O certo é que o deputado federal Major Rocha, tucano de bico duro, tem se destacado no cenário político nacional, tornando-se uma pedra no sapato dos emedebistas acreanos. Isso, sem contar na declarada falta de afinidade entre o parlamentar tucano e o pré-candidato ao senado pelo MDB, Márcio Bittar.

A escolha de Rocha, causou um certo frio na barriga em Bittar, que, entre outras coisas, acredita, ou pelo menos acreditava, ser uma sumidade dentro da oposição acreana, um verdadeiro “Xamã” político, o mais capacitado e preparado para assumir todos os cargos de grande relevância entre os oposicionistas.

Rocha, que foi o autor da denúncia que levou o ex-presidente petista, Luiz Inácio Lula da Silva, a uma condenação de 12 anos e 1 mês no caso do Tríplex do Guarujá e que abriu mão de cargos de destaque na Câmara Federal por não aceitar votar a favor de projetos do Executivo Federal que prejudicavam diretamente os trabalhadores, entre outras coisas, agora tem voz e vez. Fato comprovado nesta quinta-feira, 15, quando foi ovacionado pelos militantes dos partidos presentes, parecendo até que ele era o candidato ao governo, e não Gladson Cameli.

Temendo perder espaço dentro do grupo e até mesmo preservar a candidatura de Márcio Bittar ao Senado, o MDB botou sua tropa na rua, literalmente. Vagner Sales, Pádua Bruzugu, Márcio Bittar, Ilderlei Cordeiro e até mesmo membros do segundo e terceiro escalão do MDB tentaram de todos os modos persuadir o coronel militar Ulysses Araújo (DEM) a abrir mão de sua candidatura ao governo e ser o vice de Cameli. Até mesmo o senador e pré-candidato progressista conversou com o oficial, que foi taxativo: “Se os partidos de oposição se unirem em torno de um projeto para o povo do Acre eu aceito, caso contrário, sigo com minha candidatura na rua”. Parece mesmo é que os projetos pessoais subjugaram o coletivo.

Porém, portanto, todavia… restou mesmo ao MDB buscar novas alternativas e apostar no segundo turno das eleições para assim tentar mais espaço dentro do grupo de oposição. Enquanto Gladson Cameli anunciava Rocha como seu vice, os caciques emedebistas se reunião com lideranças do DEM, sem a presença do deputado federal Alan Rick, para declarar apoio a Ulysses Araújo e assim tentar salvar a tão sonhada eleição de Bittar ao senado.

A reunião encerrou regada a um bom vinho, algumas latinhas de Itaipava, acompanhada de uma bela rabada no tucupi e é claro, ao som de violão dedilhado pelo Coronel Ulysses.

Ah, sim! Só resta saber se esse apoio a Ulysses será mais um blefe do Flaviano Melo, como o ocorrido semana passada, ou os emedebistas manterão sua palavra até outubro.

Comentários

comentários