Professor do IFAM dá dicas sobre educação financeira aos leitores da Folha do Acre

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EDUCAÇÃO FINANCEIRA

Por Pablo Marques*

Pablo Marques

Caro leitor do Folha do Acre, iremos falar sobre educação financeira, a ideia e mostrar para você a importância de termos conhecimento sobre como estamos nos comportando financeiramente, se precisamos ou não nos educarmos, além de trazer alguns pontos para reflexão.

É importante cuidar da nossa “saúde financeira”, pois se estamos bem financeiramente, estaremos bem com quem convive diariamente conosco, mas se estamos mal financeiramente, as pessoas do nosso convívio sofrem com nossa mudança de comportamento, ficamos irritados com besteiras, nosso humor praticamente inexiste, ou seja, nossa “saúde financeira” está intrinsecamente relacionada com nosso comportamento.

Desde criança começamos a lidar com várias situações relacionadas ao dinheiro e quando vamos crescendo percebemos que dinheiro não dar em árvore, precisamos trabalhar para tê-lo, e quando estamos na fase adulta que saímos da casa dos nossos pais para morar sozinho percebemos o quão importante é dar valor ao dinheiro que ganhamos, pois sabemos que manter uma casa (água, luz, telefone, alimentação, etc.) não é nada fácil.

Para que possamos tirar melhor proveito do nosso dinheiro é muito importante saber como utilizá-lo da forma mais favorável possível. Os conhecimentos sobre educação financeira nos ajudam de forma significante a melhorar a gestão de nossas finanças pessoais, quando colocada em prática os aprendizados da educação financeira tornam nossas vidas mais tranquilas e equilibradas, tudo isso é claro, sob o ponto de vista financeiro.

Se pararmos para refletir um pouco, estamos vivendo um mundo financeiro totalmente diferente do que nossos pais e principalmente nossos avôs/avós viveram. Infelizmente, o nível de educação financeira da população não acompanhou essa evolução que, diga-se de passagem, foi bastante complexa.

Como exemplo, citaremos um caso, a facilidade de acesso ao crédito aliado a ausência da educação financeira, tem feito com que muitas pessoas estejam em situação de endividamento excessivo, o que leva a uma privação de parte da renda devido à necessidade de pagamentos das prestações mensais, que por sua vez reduz a capacidade de consumir produtos que de fato nos trariam mais utilidade e satisfação.

A busca de informações que auxiliem na gestão de nossas finanças infelizmente não faz parte do cotidiano da maioria das pessoas. Essa situação torna-se mais grave, pois não há uma cultura coletiva, ou seja, uma preocupação da sociedade organizada em torno do tema. Nas escolas, onde poderiam ser ministradas disciplinas sobre educação financeira, pouco ou nada é falado sobre o assunto. No setor privado (as empresas), por não
compreender a importância de ter seus funcionários alfabetizados financeiramente também não investem na área ofertando capacitações sobre educação financeira a seus empregados. Em nossas casas não temos o hábito de reunir com nossos filhos e filhas para discutir a importância da elaboração e o cumprimento do orçamento familiar. Com nossos amigos, o assunto (educação financeira/finanças pessoal) é considerado como invasão de
privacidade e pouco ou nada se conversa sobre o assunto. Enfim, embora todos lidem diariamente com dinheiro, poucos se dedicam a gerir melhor seus recursos financeiros.

Esse desinteresse geral pela educação financeira pode ser pelo fato de acharmos que sabemos lidar com nosso dinheiro e que ninguém deve se meter, pois quem trabalha para ganhar somos nós, esse pensamento pode gerar uma falsa sensação de que dominamos o assunto sobre educação financeira.

Com o auxílio da educação financeira é possível obter alguns conhecimentos que nos leva a ter um comportamento mais racional sobre alguns temas, o que nos ajuda a minimizar nossos possíveis prejuízos e maximizar nossas satisfações, como por exemplo: podemos entender o funcionamento do mercado e o modo como os juros influenciam a vida financeira (a favor e contra); aprendemos a consumir de forma consciente, evitando o consumismo compulsivo; aprendemos a importância de saber se comportar diante das oportunidades de financiamentos disponíveis, utilizando o crédito com sabedoria e evitando o superendividamento; entendemos a importância e as vantagens de planejar e acompanhar o orçamento pessoal e familiar, além de diferenciá-los; compreendemos que a poupança é um bom caminho, tanto para concretizar sonhos, realizando projetos, como para reduzir os riscos em eventos inesperados; esses comportamentos nos ajudam a manter uma boa gestão financeira do nosso dinheiro.

Como podemos perceber caro leitor do Folha do Acre, a educação financeira da sociedade é muito importante para o país, é tão importante que o Governo Federal em 22 de dezembro de 2010, publicou o Decreto 7.397, que institui a Estratégia Nacional para Educação Financeira – ENEF.

Através da educação financeira é possível prover conhecimentos e informações que auxiliam o cidadão a ter comportamentos que possam contribuir para melhorar a qualidade de vida não só sua, mas de seus familiares e da comunidade como um todo.

Cidadãos educados financeiramente demandam produtos e serviços ajustados às suas necessidades, com esse comportamento, incentiva a competição e desempenha papel importante no monitoramento do mercado, além de exigir maior transparência das instituições financeiras, o que contribui significativamente para a solidez e para a eficiência do sistema financeiro.

A educação financeira é um instrumento a ser utilizado para promover o desenvolvimento econômico de um lar, de um bairro, de uma cidade, de um estado e até de um país. Pois, a qualidade (racionalidade) das decisões de um cidadão influencia no agregado, toda a economia. Isto ocorre pelo fato de que a escolha do cidadão estará intimamente ligada a problemas como os níveis endividamento e de inadimplência das pessoas e a capacidade de investimento dos países.

Nos próximos artigos explanaremos mais sobre o assunto, no sentido de municiar o leitor do Folha do Acre com mais informações sobre educação financeira, auxiliando-os nas tomadas de decisões, objetivando sempre, minimizar os possíveis prejuízos e maximizar a utilidade e satisfação.

Professor de Economia do Instituto Federal do Amazonas/IFAM

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