‘Operação frita líder’ e os deputados do muro: o retrato de uma complicada legislatura

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A Assembleia Legislativa do Acre virou um ‘balaio de gato’ sem precedentes. Embora não se espere que lá seja um mosteiro de paz e oração, espera-se minimamente que existam deputados comprometidos com suas plataformas políticas, grupos políticos e lados. Os deputados estaduais da própria base atacam virulentamente o líder do governo, Ghelen Diniz.

Movimentos sincronizados para desestabilizar Ghelen foram postos em ação e o desgaste começou. Bestene se esgueira pelos cantos com cara de inocente, movimenta-se com a sutileza da experiência. Roberto Duarte com o arroubo da juventude grita mais do que fala e se impõe e contra-põe ao líder numa queda de braço infantil, embora não inocente.

Paralelo à deflagração da “Operação queima-líder”, que visa desestabilizar emocionalmente e desacreditar Ghelen Diniz, há ainda um outro movimento mais perigoso e temerário: o afincamento de bandeiras dos deputados do muro. Está impossível definir quem é situação e quem é oposição na atual legisltura. Alguns deputados escolheram ficar em cima do confortável muro e dizer que não fazem parte de nenhum grupo político, embora tenham sido eleitos com filiação validada em partidos e dentro de coligações legalmente registradas no Tribuna Regional Eleitoral. Os deputados do muro que mais gostam do discurso escorregadio de que não são nem situação, nem oposição, embora não digam sequer quem são realmente, são Fagner Calegário e Roberto Duarte.

Fagner foi eleito pelo PV, partido que integra a esfacelada Frente Popular do Acre (FPA), portanto, é oposição e até natural que não queira tomar partido de um barco da FPA, que naufragou. O outro, Roberto Duarte, é do MDB, aliado de primeira hora do PP. Duarte fez dura oposição ao PT e foi ferrenho defensor da candidatura de Gladson, mas estranhamente não se intitula deputado da base. Segundo ele, seja lá o que isso queira dizer, é um deputado independente.

Em ambos os casos os deputados só recorreram ao discurso da independência depois de eleitos, pois nas campanhas necessitaram de legendas e grupos políticos para se elegerem. Complicado o discurso de independência em uma casa legislativa que se compõe de forças formadas por grupos políticos e em regimes onde os governos são de coalizão, ou seja, são sustentados por vários partidos de acordo com o regimento eleitoral vigente.

No final das contas percebe-se apenas que podemos estar diante de uma das legislaturas mais complicadas e nocivas dos últimos tempos, onde os aliados atacam uns aos outros e onde o muro é um lugar confortável.

*Gina Menezes é jornalista, colunista política e sócia-fundadora do jornal Folha do Acre.

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