O Gladson Cameli pode até ser “bonzinho”, mas os aliados são maus, muito maus

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O jeito bonachão de Gladson Cameli (PP) pode não ser tão bom para o Acre. O governador é acessível, sensível, bem intencionado. A avaliação dele chegou a 61%. Por outro lado, o governo que é uma ‘Torre de Babel’ só conseguiu aprovação de pouco mais de 50% da população.

Ninguém se entende no governo Cameli. Áreas estratégicas estão sendo prejudicadas e não é de admirar que a avaliação tenha tido apenas 52% de aprovação. Mesmo depois de 20 anos de administrações que usavam ‘mão de ferro’, o povo ainda não está tão inclinado a aprovar o governo novo. Outra coisa interessante é que enquanto Jorge e Tião Viana gozaram anos de imunidade, de supremacia, onde ninguém ousava crítica-lós, Gladson é espezinhado, criticado, traído e moído nas redes sociais. Exposto pelos próprios aliados. O Gladson pode até ser bom, mas tem uma turma por lá do lado dele que é má, muito má, conforme diria o garotinho de 2 anos do vídeo que viralizou no YouTube.

Guerra entre secretários e força superior governando nos bastidores

O povo sabe que algo está errado, embora o senso comum não consiga identificá-lo, mas o que revelam as fontes palacianas é uma guerra de egos, falta de comunicação, más intenções e desespero de alguns partidos para ver quem fica com a maior fatia do bolo. Tudo isso refletido no comportamento dos secretários.

Secretários de Gladson não se entendem

O resultado é uma baderna sem precedentes. Segundo a fonte palaciana que denominaremos de “Senhor Y”, a secretária Maria Alice, que comanda a Seplan e SGA, faz questão de sentar em cima das demandadas dos secretários que considera inimigos. Pelo menos 3 secretários não falam com ela, o resto se benze antes de entrar na sala.

A fonte garante ainda que a secretária da Fazenda, Semirames Dias, que deveria ser uma super secretária, haja vista que comanda uma das pastas mais importantes do governo, a cada vez que tem que liberar um pagamento costuma pegar o telefone e pedir autorização a um ser superior que não é Gladson Cameli. Ninguém sabe quem é o iluminado com poderes sobre os cofres públicos recheados com quase R$ 600 milhões.

Outra secretária é chamada pelos outros colegas de ‘boba da corte’, pelas costas obviamente, considerada a que mais quer se aparecer. Outros secretários simplesmente complicam a vida do secretário de Infraestrutura e Cidades, Thiago Caetano, que anda às voltas com prazos apertados para mostrar resultados. Os secretários não ‘mui amigos’ sentam em cima das demandas dele e o cara fica sem poder para nada, haja vista que é preciso dinheiro para resolver as coisas.

O secretário de Educação, Mauro Sérgio, administra através da esposa, garante a fonte. Para resolver qualquer demanda da educação tem que passar primeiro pela esposa do secretário.

Fora isso tem ainda a falta de unidade. Cada secretário fala o idioma dos seus interesses, dos seus partidos ou dos espertalhões remanescentes do PT que não estão dispostos a abrir mão de dinheiro fácil. Ninguém defende um projeto coletivo. É uma miudeza de interesses pessoais.

O caos na saúde e a antipatia de Mônica Feres

Some a tudo isso a chegada de uma secretária com sérios problemas de comunicação e que aparenta inabilidade social a nível extremo. A secretária de Saúde, Mônica Feres, é uma mistura de personagem de filme de suspense com caricatura de filme de terror que escrutina os outros com o olhar e faz qualquer pessoa se sentir idiota só com um olhar de soslaio.

Secretária de Saúde, Mônica Feres

Uma pessoa do alto escalão da Sesacre confidenciou-me que ninguém é autorizado a se dirigir diretamente a ela, sendo necessário antes passar o assunto e documentos pelo coronel que ela mandou buscar de Brasília. Se um desavisado diz: “Bom dia, dona Mônica”. Ela só responde para dar uma reprimenda e dizer que é doutora e não dona, e para mandar falar com o Rezende.

Os poucos setores que caminhavam bem na saúde, como a Fundacre, com a boa gestão de Lúcio Brasil, que é praticamente uma unanimidade como bom gestor, corre o risco de ser piorar, pois o gestor deve ser demitido. Para piorar tudo, a mulher doutora com problemas de comunicação retirou todos os especialistas da Fundacre e mandou para o Pronto Socorro. O resultado foi uma multidão de cirurgias canceladas e emergências adiadas. Como desculpa a secretária disse que foi uma recomendação do TCE, depois do Ministério Público, que já fez questão de dizer, em nota datada do dia 2, que nada tem a ver com a mudança.

O Pronto Socorro que era ruim corre o risco de ficar pior sem o ambulatório e atendimentos diversos, limitando-se só a urgências e emergências. Ou seja, os pacientes que estavam do interior aguardando cirurgias na Fundacre já podem começar a orar a Deus porque o Estado fechou as portas para este tipo de atendimento e para o diálogo.

Há um processo de expurgo dentro do governo Cameli. Os bons estão sendo convidados a sair. Talvez porque não sabem fazer o velho jogo da política ou porque não têm padrinhos tão fortes.

Gladson não sabe dizer não e lidar com a escória, portanto deveria escolher um coordenador político forte, eficiente e experiente porque não é qualquer pessoa que sabe lidar com os caciques do MDB que estão no poder desde que Noé desembarcou da arca, ou até mesmo com progressistas rasteiros e rápidos.

Minha mãe tem um ditado piegas e sem sentido que vou usar aqui, até porque nada do que acontece no Palácio Rio Branco faz sentido também. “O Gladson Cameli é tão bom que é ruim!”.

O governador necessita urgentemente fazer alguns ajustes. Se não for na equipe que seja em seus ‘modus operandis’, mas que se faça urgente, pois a balbúrdia da Torre de Babel já foi longe demais.

*Gina Menezes é repórter de política, colunista e sócia-fundadora do jornal Folha do Acre

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