Gladson encerra 10 meses de governo com saúde na UTI, decreto de emergência prolongado e troca-troca de secretários

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Gladson ao lado da secretária de Saúde do Acre, Mônica Feres, que deverá deixar o cargo em breve

O governo Gladson Cameli completa 10 meses de mandato nesta sexta-feira (1). São 10 meses de crise sobre crise dentro da pasta da Saúde. um decreto de emergência, assinado no início do governo, durou quase 10 meses, saúde publica na UTI com pacientes recém-cirurgiados deitados no chão do Pronto Socorro e uma secretária de Saúde que passeia no Acre de vez em quando e que agora, tardiamente, teve a demissão anunciada.

É segunda troca de secretários da Saúde desde o início da gestão, sem contar as mudanças dos adjuntos e diretores. É o ‘samba do crioulo doido’. Enquanto segue a balburdia dentro da Secretaria de Saúde com dezenas de denúcias que chegam à redação da Folha do Acre dando conta de falta de medicamentos e profissionais nas unidades, a secretária de Saúde, Mônica Feres, estava mais uma vez viajando. Desta vez o período dela fora do Acre é de 9 dias, mas ao que tudo indica ela poderá estender este período haja vista que teve a demissão anunciada e na segunda-feira (4) deverá ser formalizada a sua saída.

Paralelo ao anúncio da saída de Mônica, o grupo do deputado José Bestene (PP) que se ajoelhou e jurou lealdade à ‘Casa Cameli’, mesmo após as sucessivas humilhações sofridas por atitudes do governador, empolga-se para apresentar nomes para suceder Mônica Feres. Eles não têm ninguém com competência para resolver o caos que é a saúde pública do Acre e deveriam reconhecer isso para a vergonha ser menor.

Dizer que Lúcio Brasil é um dos nomes indicados para assumir a Sesacre é vergonha alheia, pois o cara foi demitido sob a alegação de incompetência em gerir a Fundação Hospitalar. O grupo que pensa política para José Bestene não tem a menor ideia do que seja estratégia ou gestão.

Mônica Feres deixa de legado um abacaxi imenso e que precisa ser gerido por alguém altamente compentente e desvinculado de redutos políticos com donos, como é o caso da turma do Bestene, ávida pela Sesacre.

Terminou no dia 31 o contrato emergêncial de mais de 242 médicos que prestavam serviços em diversas unidades, o concurso público por ela realizado contratará no máximo 172 profissionais e o “buraco” da falta de médicos só aumenta. O Pronto Socorro ficará pior ainda com ausência de profissionais. A tragédia foi anunciada e devidamente comunicada pelo Sindicato dos Médicos do Acre (Sindmed/AC) que buscou uma forma de não deixar as unidades sem médicos. Mas tudo que houve foi conversas, de resultados não se viu nada por parte da Sesacre.

Enquanto escrevo aqui pelas terras de Galvez, a médica deve estar por Brasília ou seus arredores, por onde ela recebe salário como médica, mesmo sendo secretária no Acre, mas que afirmou ser engano. As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) seguem sem médicos. Os médicos do Pronto Socorro se recusam a tirarem plantão com medo de calotes e a população padece. O retrato da saúde nesta semana foi uma paciente recém-cirurgiada do pulmão deitada em um colchão no chão do PS.

O governador Gladson Cameli visitou a UPA da Sobral e teve um faniquito ao descobrir que não tinha médicos. Ora essa, governador, todo dia é assim! Não tem porque ter surpresa em algo que é rotina. Todos os dias os jornais e as redes sociais denunciam isto. Não adianta colocar culpa na direção porque eles não podem tirar médicos da cartola. Tem que achar soluções urgentes.

Quanto ao decreto de calamidade pública publicado no Diário Oficial de 15 de fevereiro apontava que a decisão foi tomada por que mais 600 servidores foram aposentados e mais de 1,7 mil exonerados entre 2015 e 2018 no estado. Conforme o documento, existia “grave comprometimento” da execução dos trabalhos e serviços oferecidos pela saúde estadual por conta da insuficiência de profissionais para atendimento da demanda.

Além das exonerações e aposentadorias dos servidores, a abertura de 12 setores após concurso público de 2013/2014 também é um dos motivos para a falta de servidores públicos na área da saúde, segundo alega o governo.

O governo afirma que a abertura das unidades aumentou consideravelmente a demanda por servidores em relação ao planejado. Outro motivo seria a obrigação do desligamento de 1,8 mil profissionais de saúde que prestam serviços nas unidades do estado e exoneração “abrupta” de mais de 300 servidores com contratos temporários vencidos.

O interessante é que enquanto o decreto rolou suavemente e sem pressa de acabar, beneficiando sabe Deus quem, a secretária Mônica Feres lancou um edital de contratação de médicos que sequer cobria o déficit já existente.

O Acre clama por um secretário de Saúde de verdade e não de alguém que queira transformar a pasta em um quartel ou num curral eleitoral.

*Gina Menezes é jornalista, colunista política e sócia-fundadora do jornal Folha do Acre

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