Como atualizar ou eliminar nossas crenças se o cérebro tende a negar o contraditório?

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A israelense Tali Sharot é neurocientista cognitiva. Trabalha no Laboratório do Cérebro Afetivo do Departamento de Psicologia Experimental da University College London, no Reino Unido, estudando as bases neurais das nossas emoções e tomadas de decisão diz que: Segundo a teoria do “viés da confirmação”, as pessoas buscam confirmar as suas próprias opiniões, e nosso cérebro resiste a evidências contrárias a nossas crenças. Por que a evolução tornou os humanos tão resistentes a mudar de opinião?

Vieses cognitivos são erros sistemáticos do processo de tomada de decisão, que ocorrem quando estamos processando e interpretando informações ao nosso redor.

Aversão a perdas: Este viés cognitivo indica que o impacto de uma perda é maior que o impacto de um ganho na mesma proporção. Em outras palavras, o medo de perder costuma superar a satisfação de ganhar.

Estudos mostram que este impacto costuma ser em média duas vezes maior para o campo das perdas (Kahneman e Tversky, 1979) – especificamente, a perda tende a gerar um impacto 2,25 vezes maior que um ganho. A aversão a perdas pode conduzir a outros vieses cognitivos, como o efeito disposição, o efeito dotação ou ainda o status quo.

Os vieses cognitivos podem ser causados por heurísticas (processos cognitivos empregados em decisões não racionais, sendo definidas como estratégias que ignoram parte da informação com o objetivo de tornar a escolha mais fácil e rápida), isto é, atalhos mentais. No entanto, outros fatores como pressões sociais, motivações individuais, emoções e limitações na habilidade mental de processar informações podem contribuir para a ocorrência de vieses cognitivos na tomada de decisão.

O propósito deste texto é apresentar de forma sucinta vieses cognitivos que podem interferir no processo decisório, com suas respectivas definições e publicações científicas relevantes. O foco é apresentar vieses que interferem na tomada de decisão de investimentos. Contudo, a maior parte pode ser generalizada para variadas situações do dia a dia.

Precisamos estar atentos e graças ao viés da confirmação, após uma informação contraditória, partirmos para pesquisas do zero, sem levar em consideração históricos.

Quatro fatores entram em jogo quando formamos uma crença: nossa crença antiga propriamente dita, nossa confiança nessa crença anterior, a nova prova que a contradiz e a nossa confiança nessa nova prova. Se uma criança diz que viu um elefante amarelo voar, o adulto não vai acreditar, porque se agarra automaticamente à crença de que elefantes não voam, muito menos amarelos, porque não existem. Mas, se uma criança ouvir o pai dizer que viu o mesmo elefante amarelo voando, ela vai acreditar, já que ainda não formulou a certeza de que elefantes não voam e que não existem elefantes amarelos. Além disso, ela tem em alta consideração a opinião do seu pai.

Isso acontece claramente no mundo das redes sociais, onde Zuckerberg, seleciona para nossas timelines aquilo que ele sabe que iremos curtir. Precisamos acordar, reagir a este mundo massificado, precisamos deixar de sermos papagaio de insanos, malucos que compartilham memes idiotas, na fúria do momento. Fugir dessa “loucura das massas” elevar nosso nível e ajudar a não sermos manipulados por informações muitas vezes fraudulentas, porque um grupo de “torcedores de arquibancadas” sabem que aquela informação é a que vai te agradar.

Adriano Gonçalves
Coach (IAC)

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