Empresas querem investir mais em influenciadores, diz pesquisa

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ROI e influenciadores: como as principais marcas do país mensuram resultados ainda maiores com influenciadores.

Pesquisa realizada pela YOUPIX revela aumento no investimento anual das marcas em influência e aponta tendência crescente do conteúdo como protagonista de ações com influenciadores, em 2017 essa marca estava na casa dos 64%, hoje já atinge 83%.

De acordo com o levantamento, 68% das empresas consideram o Marketing de Influência estratégico para seu negócio e 69% entende que esta modalidade de marketing traz resultados diferentes de qualquer outro tipo de comunicação.

Em 2017, quando a primeira pesquisa foi realizada, 36% das empresas investiam até R$ 100 mil por ano. Já em 2019, 40% das empresas passaram a concentrar de R$ 100 mil a 700 mil em Marketing de Influência. O estudo também revela otimismo das marcas em relação ao segmento, já que 56% delas afirmam que vão investir mais em 2019 do que no ano anterior.

A maior parte das marcas que trabalha com influenciadores, 51%, o faz de forma pontual sem continuidade na relação com o influenciador. Essa é uma das constatações da segunda edição da pesquisa “ROI & Marketing de Influência”, desenvolvida pela aceleradora Youpix. De acordo com o levantamento, conteúdo se sobressai na pretensão dos anunciantes.

Para o resultado, foram ouvidas 94 grandes empresas brasileiras no período de 18 a 22 de fevereiro. Mais de 60% das respostas partiram de executivos de altos cargos como diretores, gerentes e coordenadores de empresas de segmentos como Bens de Consumo, Telecom e Mídia, Automotivo, Serviços Financeiros, Varejo, Tecnologia e Serviços. Do montante, 83% das marcas realizam ações remuneradas com influenciadores, em 2017, na primeira edição da pesquisa, eram 64%.

O poder de alcance e capacidade de engajar dos influenciadores digitais já é algo conhecido do mercado publicitário. Tanto que estratégias utilizando esses produtores de conteúdo têm sido cada vez mais frequentes. No entanto, cada vez mais os institutos de pesquisa vêm identificando vantagens específicas relacionadas a essas personalidades.

Pesquisa do Instituto QualiBest, por exemplo, identificou o poder dos influenciadores no comportamento dos consumidores. “Um dos dados apurados mostra que eles são a segunda fonte de informações para a tomada de decisão na compra de um produto, citada por 49% dos respondentes, perdendo apenas para amigos e parentes, citados por 57% dos respondentes”, explica Daniela Malouf, diretora-geral do Instituto QualiBest.

Com 39% das preferências estão sites de reviews e blogs, 34% sites oficiais de marcas seguidos por 26% de publicidade na internet, 22% vendedor, 17% propaganda em TV e rádio e 4% em anúncios impressos.

O levantamento foi realizado entre os dias 7 e 21 de março com 700 pessoas por meio de questionário online. Os entrevistados são de todas as classes e com idades entre 20 e 29 anos. Do montante, 76% afirmam seguir ao menos um influenciador digital. Deste grupo, as redes sociais mais utilizadas são Facebook, 92%, YouTube, 90%, Instagram, 73%, Twitter, 31% e SnapChat, 23%.

Porém, quando a pergunta é sobre preferência, 41% optam pelo Facebook ante 24% que gostam mais do YouTube e 23% do Instagram. Nos segmentos de beleza e alimentos, influenciadores têm enorme poder tanto na apresentação de novos produtos, quanto na alavancagem de vendas.

O que isso tudo significa? Significa que se o seu negócio não está nas mídias sociais, ele está “morto”.

O futuro do consumo: 5 tendências para ficar de olho

Um levantamento feito pela WGSN, consultoria global em análises e previsões de tendências, revela que o principal fator que acelera as mudanças no varejo não é a tecnologia, mas os próprios consumidores. São eles que estão impulsionando a transformação na sociedade e desafiando os antigos modelos econômicos.

“Precisamos entender que os consumidores estão mapeando, estudando as marcas. Eles querem, inclusive, saber se as empresas mudaram seu modelo de negócio, principalmente quando este impacta a sociedade. O intuito dos consumidores é saber se as marcas estão alinhadas às suas novas demandas e a um propósito – além, claro, como se relacionam com suas necessidades. Ou seja, consumidores estão impulsionando o mercado em outro nível”, afirma Luiz Arruda, Head da WGSN Mindset.

Partindo dessa premissa, a consultoria identificou seis grandes tendências que vão impactar o mercado a partir de 2020 e deu dicas de ações fundamentais para acompanhar esse processo e não perder oportunidades de vendas.

1 – Revolução do m-commerce

O que é? A nova sociedade já é norteada pelos smartphones e as pessoas querem consumir via dispositivos móveis. Sem interação e sem processos.

Uma pesquisa realizada pela agência YouGov, mostrou que 44% dos entrevistados entre 18 e 24 anos se sentem mais confortáveis ao conversar com novas pessoas por meio de redes sociais, do que ao vivo. Outro estudo feito pelo instituto Pew afirma que 26% dos adultos americanos estão “quase sempre” online.

O que fazer? Aumentar o uso do celular dentro da loja; criar interações mais naturais pelos dispositivos móveis; redefinir o papel do funcionário da loja física e desenvolver mecanismos que aumentem o nível de confiança.

2 – A importância dos sentimentos (Feel factor)

O que é? As conexões humanas são valorizadas à medida em que as pessoas se sentem mais sozinhas. Por isso, consumidores estão em busca de conexões que ajudem a se sentirem mais completos. Além disso, uma vez que os varejistas investem em tecnologia de inteligência artificial e experiências digitais, a importância da conexão humana será um diferencial fundamental paras as marcas.

“O consumo passa a ser consequência da experiência. Invista em experiência, use a tecnologia como ponte. Não se trata mais de personalização, como recomendar coisas que o consumidor gosta, mas de uma relação pessoal. ”, comentou Luiz.

O que fazer? Invista nas pessoas, no aspecto humano. “Enquanto outras pessoas investem em drones apenas, nós investimos em nossos funcionários”, comentou Paula Nicholds, diretora da rede de varejo John Lewis & Partners, loja que vendeu 30% ao oferecer um serviço de styling. Invista em tecnologias que aprofundem as relações. Desenvolva estratégias que reúnam o humano e o tecnológico para criar uma experiência inesquecível e, por fim, vá além do que o cliente diz que está procurando. Crie estratégias que explorem como ele quer se sentir.

3 – A economia da confiança (Trustenomics)

O que é? As pessoas nunca foram tão desconfiadas. Todas as instituições estão em descrédito: governos, imprensa, marcas e empresas. Por isso, a confiança virou moeda de troca. “Empresas que inspiram confiança, geram conversão, pois hoje a confiança é rara”, disse Luiz. Nos EUA, a última pesquisa Edelman Trust Barometer apontou que a confiança da população norte-americana caiu nove pontos. Esse colapso é estimulado pelo baixo nível de confiança no governo, que caiu 14 pontos.

Para se ter ideia do tamanho do problema, um estudo do MIT revelou que 89% das crianças entre os 6 e 10 anos de idade acreditam que a Alexa sempre diz a verdade. Ou seja, o problema de confiança deve se agravar com o tempo.

O que fazer? Represente o consumidor. Se posicione e tenha uma voz, apoie causas. Procure entender os temores dos clientes. Crie estratégias que diminuam esse problema por meio da transparência. Assuma um papel de liderança nas questões que são importantes ao seu consumidor. Atue como membro da comunidade, assim como a Coca-Cola e Unilever fizeram durante a crise de água na Cidade do Cabo, na África do Sul. Ambas reduziram a quantidade de água usada em seus produtos. Embora não sejam atitudes filantrópicas, as marcas se posicionaram ao lado dos clientes.

4 – A geração longeva

O que é? As pessoas estão vivendo mais e melhor. E as marcas precisam estar atentas a essa demanda crescente. Os países desenvolvidos – dos EUA ao Japão – reconhecem que é difícil lidar com o envelhecimento da população e com as grandes mudanças que acontecem na distribuição de renda. De acordo com a ONU, essa questão causará a transformação social mais significativa do século 21, com implicações em todos os setores da sociedade. Nestes países, os consumidores mais velhos, apesar de se sentirem ignorados ou negligenciados, têm um poder de compra muito maior do que o dos consumidores jovens.

“Não podemos ignorar essas pessoas. O Japão, por exemplo, já entendeu a importância e hoje é líder em estratégias voltadas a engajar consumidores idosos”, comentou Luiz.

O que fazer? Desenvolva estratégias para a inclusão no mundo digital com tecnologias que se adequem ao público mais velho. Redefina os modelos de varejo, assim como fez a AEON, que passou a abrir o shopping mais cedo promovendo serviços e atividades aos idosos. Também é preciso desenvolver estratégias para a inclusão desse público no mundo mobile.

5 – Fim da posse

O que é? Não é sobre ter é sobre viver. A economia compartilhada ganha forças em um cenário que os consumidores estão mais abertos a experimentarem e as marcas precisam entender a dinâmica deste novo mercado.

As pessoas estão deixando de gastar em coisas para investir em experiências. E isso tem sido notado. O processo de descoberta de produtos também parece ter mudado para sempre: os consumidores de hoje deixam de “ir às compras”, mas ao mesmo tempo, nunca deixam de fazer compras, já que estão sempre conectados a aplicativos móveis e ao Instagram.

ADRIANO GONÇALVES
Prosperity Coaching (influencer)

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