Goleira da seleção feminina diz que chorou ao ver post racista de conselheiro acreano

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Bárbara supera racismo e vira símbolo pelo bronze
Bárbara supera racismo e vira símbolo pelo bronze

O desafio continua. Não acabou diante da Suécia. Nesta sexta-feira, a seleção brasileira feminina enfrenta o Canadá na briga por mais uma medalha olímpica, às 13h (de Brasília), na Arena Corinthians – GloboEsporte.com, TV Globo e SporTV transmitem ao vivo a partida, que também será acompanhada pela Rádio Globo e CBN. O ouro ficou para trás, mas o bronze pode se unir às duas pratas já existentes – 2004 e 2008. O caminho foi um carrossel de emoções. E Bárbara sabe bem disso. Defendeu três pênaltis, dois contra a Austrália e um no último jogo. A vitória pessoal acabou não sendo suficiente. Mas provou que nem mesmo um episódio de racismo afetou seu foco. Logo depois da partida pelas quartas, um comentário racista de um integrante do Conselho Federal de Administração (CFA) em um perfil no Facebook a fez chorar. Respirou fundo e decretou: ninguém atrapalharia seus sonhos. Assim, passou por cima e deu seu melhor.

– É muito triste. Qualquer pessoa que passe por uma situação dessas é realmente triste. Eu cheguei a chorar. Conversei com minha mãe, conversei com meus familiares. Mas eu tinha um objetivo maior. Meu objetivo maior era a Olimpíada, a medalha de ouro. Eu jamais iria deixar que nada e nem ninguém atrapalhasse meu trabalho e nem a minha concentração porque eu estava vivendo um momento único. Talvez daqui quatro anos eu não esteja mais aqui, não esteja mais como titular. O momento que estou vivendo é meu. Não seria uma pessoa dessas que iria atrapalhar. Não sei nem como lidar, chamar uma pessoa assim. Não sei nem se é ser humano uma pessoa dessas. Não digo animal porque você termina até discriminando os animais. Porque adoro animais e teria até um zoológico. Trato como se fossem humanos – disse Barbara em entrevista exclusiva ao GloboEsporte.com.

E completou:

– Independente da raça, da cor, que acho que isso não tem interferência nenhuma. No momento eu vi e nem acreditei que estivesse sendo comigo. Mas, enfim, relevei, fingi que não vi, levantei minha cabeça. Ele é um dentro de 210 milhões de pessoas que estão torcendo pela gente que admiram o futebol feminino, admiram minha cor, admiram outras cores. Ele seria só uma pessoa querendo chamar atenção e eu fingi que nada aconteceu. Fiz o meu trabalho, acredito que fiz muito bem e não seria uma pessoa dessa iria interferir.

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Se o episódio não a fez baixar a cabeça, a perda da vaga na final também não o fará. A goleira do Brasil diz que o momento é de se fortalecer, fortalecer o grupo e assegurar para o futebol feminino do país a terceira medalha olímpica. A jogadora faz questão de ressaltar que “bronze também é medalha”. É o momento de esquecer a derrotar e os questionamentos sobre as razões de não terem chegado à decisão.

– É um momento que a gente tem que levantar a cabeça. A tristeza já passou. A gente não tem que ficar parada nessa situação de “poxa, a gente perdeu para uma equipe que a gente já tinha ganho”. Enfim, agora a gente tem que levantar a cabeça e se fortalecer porque temos uma disputa muito grande. O bronze também é medalha. A torcida, o país inteiro, o mundo sabem que a gente lutou, fez de tudo que a gente poderia fazer. Demos o nosso máximo. Claro, fica aquele receio que poderia ter dado mais, porque a bola não entrou. Sempre fica esse porquê das coisas. Mais uma vez a gente fica se perguntando: por que não aconteceu? Sendo que tudo estava conspirando a nosso favor. Mas infelizmente as coisas acontecem na hora certa e momento certo. A gente acredita que não aconteceu porque não era o nosso momento. Mas a gente não vai deixar de batalhar, batalhar pelo futebol feminino, por uma conquista de uma medalha de ouro inédita tanto no Mundial quanto nas Olimpíadas. Isso só faz com que a gente possa se fortalecer mais e mais.

Da eliminação, uma certeza entre as jogadoras da seleção feminina. Se as pratas asseguradas vieram com derrotas, agora, a equipe de Vadão tem a possibilidade de encerrar um ciclo com uma vitória, uma medalha que ainda não está presente na história das meninas do Brasil. Se o ouro não veio, é hora de trazer o bronze.

– Acredito que da prata e do bronze a diferença é muito pouco. Mas é melhor sim terminar um ciclo nosso com a vitória e colocando uma medalha no peito só que claro eu preferia estar lutando pelo ouro. Mas terminar um ciclo perfeito com a medalha, mas com uma derrota… Faz parte do futebol. Escolhas a gente faz. A minha escolha seria sempre o ouro. Infelizmente alguém tem que ganhar. Mas agora temos a disputa pelo bronze e vamos brigar por ela.

Fonte: Globoesporte

 

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