Ex-BBB Vanderson depõe na Delegacia da Mulher e nega acusações: ‘Não sou agressor’

Biólogo foi ouvido na Deam, em Rio Branco, e a polícia arquivou o caso de estupro. Vanderson voltou para o Acre e afirmou desconhecer os motivos para as acusações

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Biólogo Vanderson Brito se defendeu das acusações de estupro, agressão física e importunação sexual — Foto: Aline Nascimento/G1

De volta ao Acre, o ex-participante do Big Brother Brasil Vanderson Brito foi ouvido na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), em Rio Branco, nesta quinta-feira (24), sobre as denúncias feitas por três mulheres.

Após o depoimento, o biólogo conversou com o G1. Acompanhado de advogados, ele negou todas as acusações e se disse surpreso com as denúncias.

“Foi uma surpresa extrema. Não fazia noção do que estava acontecendo. Fui acordado com a notícia de que teria que sair do programa, mas fui ter noção hoje [quinta,24] pela manhã quando me contaram quais eram as acusações. Tudo era muito superficial e agressivo, principalmente nas redes sociais”, relatou.

Vanderson foi denunciado na Deam por estupro, agressão física e importunação sexual. As denúncias foram feitas um dia antes do acreano entrar na casa do BBB.

“Não sou agressivo. Fui criado por quatro mulheres, três irmãs e minha mãe. A vivência com mulher é desde que nasci, trago isso para as relações, sejam de amizade ou amorosas. Isso é extremamente desconfortável porque tenho um histórico de vida, mas alguém pontua uma coisa e cria-se uma situação ou fragilidade emocional ou ego ferido e isso acaba ferindo a integridade do outro”, reclamou.

Denúncias

Além das denúncias na delegacia, o biólogo foi acusado nas redes sociais de ser agressivo e abusivo nos relacionamentos amorosos. Uma dessas acusações partiu da ex-namorada Maíra Menezes, que afirmou ter sido agredida pelo professor. Os dois terminaram o relacionamento em 2011.

“Após três meses [do início do namoro], um familiar dela teve que viajar e fazer um transplante e o pai dela pediu para que eu ficasse ajudando ela e o irmão dela, que era menor de idade. Fiquei acompanhando esse processo por mais de dez meses. Acabou que criou-se mais um relacionamento fraternal do que casal mesmo. Nunca houve agressividade em ambas das partes. Sempre foi muito tranquilo”, defendeu-se.

Ainda segundo o professor, os problemas surgiram após o fim do relacionamento. Segundo ele, a ex-namorada tentou reatar o namoro após ele viajar para o interior do Acre para um trabalho como professor. Ele acusa a jovem de ofendê-lo nas redes sociais e falar mal dele para amigas após se recursar a voltar.

O G1 tentou contato com Maíra, mas as ligações não foram atendidas, e a jovem falou por mensagem que não quer se pronunciar.

“Estava tudo bem. Pouco tempo depois ela engatou um namoro com um amigo meu e ele veio falar comigo. Eu disse que achava o máximo. Ela começou a mandar mensagem e falou em reatar o namoro. Falei não, porque o que tínhamos vivido tinha passado. Continuou a mandar mensagem e falei que iria mostrar para o meu amigo, caso ela não parasse. Ela respondeu: ‘Ah é, então tá bom'”, relatou o biólogo.

Segundo ele, as acusações surgiram na época, após essa conversa. O professor alegou que sempre tentou manter distância da ex-namorada, mas não tomou providências sobre as primeiras acusações e o fato veio à tona novamente após entrar no programa.

“Nunca encontrei ela no mesmo ambiente. Se tivesse noção que estava em uma festa já me afastava. Continua influenciando amigas próximas para situações como essas. Os relacionamentos que tive, longos ou curtos, são com pessoas que estão próximas a mim, três foram me receber em casa. Temos uma relação boa. Para mim, mesmo depois de terminar um relacionamento, tem carinho e respeito”, afirmou.

Caso de estupro arquivado

A acusação de estupro foi arquivada pela Polícia Civil do Acre. Segundo a delegada responsável pelo caso, Juliana d’Angelis, a denúncia foi arquivada por decadência, ou seja, o caso ocorreu em 2016, quando a lei exigia que a vítima denunciasse o agressor em um prazo de seis meses.

“Nos casos de estupro, a ação penal dependia de representação criminal da vítima, que tinha que ocorrer em seis meses. A partir do momento que ultrapassa esse prazo não tem como desenrolar o inquérito. Foi meramente questão de prazo. Atualmente, não depende da vontade da vítima, a polícia deve proceder a qualquer momento, mas o fato dela foi anterior a essa mudança”, explicou a delegada.

Sobre o arquivamento, o acreano disse que vai trabalhar para provar a inocência sobre as outras duas acusações. Ele argumentou ainda que as acusações só surgiram após a entrada dele no programa, o que pode, de alguma forma, ter causado inveja ou até mesmo ciúmes nas pessoas. Segundo ele, não há um motivo específico para as acusações.

“Não consigo visualizar um motivo lógico. Consigo ver pontualidades, um ego ferido, ciúme de alguma coisa ou até mesmo inveja. A gente vive em uma cidade pequena, todo mundo conhece todo mundo. Não sei nem porque ter inveja, sou um professor”, acrescentou.

Assédio alunas

Vanderson falou também sobre as postagens em redes sociais de supostas alunas afirmando que foram assediadas pelo biólogo. Ele destacou que sempre tratou os alunos de forma igual e nunca houve problemas nas escolas onde lecionou.

“Sou carinhoso por natureza, abraço homens, mulheres, não tenho problemas com isso. Agora há uma questão que hoje tudo é sexualizado. Sexualiza um abraço, homem não pode beijar homem no rosto. Nunca tive problemas com alunos, ou na escola, nunca fui chamado a atenção. Ontem uma diretora, da primeira escola que trabalhei, foi me receber”, destacou.

De volta para casa

Ao sair da casa do BBB, Vanderson foi acompanhado por um segurança até o Acre. No trajeto do Rio de Janeiro para o estado acreano, ele diz que foi abordado por diversas pessoas que torciam por ele e demonstraram carinho.

“Não fui para o Vanderson Brito aparecer, mas para a causa indígena ter visibilidade, mas, infelizmente, criou-se essa situação e pesou, mas não é um problema para mim. É chato, choca, você perde a oportunidade de R$ 1,5 milhão e quem junta esse dinheiro do nada? Em compensação a gente vê que não é só o dinheiro, só o prêmio. O carinho que as pessoas têm é incrível. Isso vai passar, a verdade está surgindo”, justificou.

Vídeo fake

Um dos advogados que compõem a defesa do acreano, Roberto Almeida, revelou que, além de provar a inocência, a defesa vai pedir reparação de danos para o biólogo. Isso porque um site de notícias que compartilhou um vídeo de uma mulher sendo agredida e afirmou que o agressor era Vanderson.

“Vamos entrar no cível e criminal. Um site utilizou um vídeo e alegou que era ele, depois retirou e se desculpou, mas, depois de causar um dano. Mesmo se a delegada não tivesse ido lá [na casa do BBB] a divulgação do vídeo iria atrapalhar muito nas votações. A pessoa que olhasse o vídeo teria ele como um monstro e a votação ia cair”, alegou.

Fonte: Aline Nascimento, G1 AC

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