Com médicos em greve, metade dos pacientes acreanos que procura hospital não é atendida

No ambulatório do Hospital do Juruá, em Cruzeiro do Sul, as consultas com especialistas também estão suspensas e pelo menos 200 pacientes deixam de ser atendidos diariamente

0

Os médicos que prestam serviços para a empresa que administra o Hospital do Juruá, em Cruzeiro do Sul, interior do Acre, continuam em greve para tentar receber o pagamento do mês de outubro. Enquanto isso, apenas os procedimentos de urgência e emergência estão sendo feitos.

Com a paralisação, todos os dias, quase 50% dos pacientes que procuram o Pronto-Socorro da unidade de saúde voltam sem receber atendimento.

Dos 33 pacientes que foram ao PS para tentar uma consulta na manhã desta segunda-feira (26), 15 não conseguiram falar com um médico. O professor Marcondes Souza, 28 anos, disse que viajou dois dias de barco do município de Marechal Thaumaturgo encaminhado para uma avaliação com um cardiologista, mas não conseguiu consulta.

“É muito difícil a gente vir de longe chegar aqui e não ser atendido. Agora vou ficar preocupado, porque preciso de uma consulta com um cardiologista e queria, pelo menos, saber qual realmente é o meu problema. Vou voltar sem saber o que tenho e todo mudo sabe que coração não espera”, lamentou o paciente.

A dona de casa Camila Amorim, de 20 anos, também não conseguiu atendimento para o filho de dois anos. Ela mora em uma comunidade rural que fica a 30 quilômetros da cidade e demonstrava preocupação com o menino que está há uma semana com uma inflamação na cabeça.

“É revoltante a gente vir de longe achando que vai ser atendida, logo com uma criança, e não ter atendimento”, disse a mãe.

Além dos serviços suspensos no Pronto-Socorro, os pacientes que agendaram consultas no ambulatório do Hospital do Juruá, que é referência para sete municípios do Acre e mais dois do Amazonas, também não estão sendo atendidos. Em média, o ambulatório atende 200 pacientes com especialistas por dia.

Os médicos da unidade de saúde decidiram suspender parte das atividades na última sexta (23) para exigir o pagamento dos serviços prestados no mês de outubro.

A Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre) declarou que a greve dos profissionais é ilegal por serem contratados como pessoas jurídicas e exigiu o fim da paralisação. A categoria afirma que só retoma as atividades normais depois do pagamento do salário ou por decisão judicial.

Fonte: G1/AC

Comentários

comentários