Com 80 mil habitantes, Baixada conta com 78 policiais enquanto Tião tem 91 PMs à sua disposição

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PM disponibiliza apenas 78 policiais para manter segurança na Baixada da Sobral

Com mais de três anos vivendo o terror da guerra pelo comando do tráfico de drogas, o Acre deixou de ser, e muito, o melhor lugar para se viver na Amazônia. A população vive amedrontada e encarcerada dentro de residências cada vez mais cheias de grades, correntes e outros utensílios de segurança.

A cada semana dezenas de corpos são recolhidos por funcionários do Instituto Médico Legal (IML), aumentando ainda mais o número de vítimas da desenfreada disputa das facções por espaços na venda de drogas. Enquanto corpos estendidos no meio das ruas, dentro de residências e comércios da capital acreana, o governador do Acre, Tião Viana (PT) vem sendo muito bem protegido, haja vista que somente no gabinete militar pouco mais de 90 policiais militares estão à sua disposição. Muitos deles, cerca de cinco ao todo, são destacados até para acompanhar familiares de Tião Viana em clinicas de estética.

Só para fazer um comparativo, na região da Baixada do Sol, em Rio Branco, onde moram quase 80 mil pessoas o contingente de policiais militares não passa de 78, contando praças e oficiais. Isso sem contar nas precárias condições de trabalho, falta de fardamento, viaturas e economia de combustível.

O segundo estado com a maior taxa de mortes violentas do país, tem quase 40% da sua população vivendo com recursos do bolsa família, saúde e educação com qualidade duvidosa e uma segurança pública que agoniza na UTI, enquanto o ex-gestor da pasta, delegado de carreira e pré-candidato a vice-governador pelo Partido dos Trabalhadores, repita como um mantar que toda a onda de violência que se enraizava em meio a população acreana, sobretudo a mais carente, não passava de “um ponto fora da curva”.

O secretário de Polícia Civil, Carlos Flávio Portela, parece também que é adepto ao mantra do ex-secretário de Segurança Pública, Emylson Farias, quando em entrevista à afiliada da Rede Globo no Acre disse que todos os envolvidos, mortos ou feridos, possuíam passagens pela polícia, seja por tráfico de drogas, assassinatos ou envolvimento com facções criminosas.

“Não morreu ou foi ferido nenhum inocente. Todos os envolvidos tinham histórico ou por tráfico de drogas, homicídios ou ligações com as facções”, disse Portela.

O secretário enfatizou ainda que a Polícia Civil do Acre é uma das mais preparadas do pais, é a que mais prende e é a 5ª mais valorizada profissionalmente em todo o país, como se tal afirmação fosse o suficiente para conter o tsunami de violência que devasta o Acre.

Ponto fora da curva, ou não, o certo é que diariamente dezenas de famílias choram por seus entes queridos, sejam eles membros ou não das facções criminosas que dominam o Estado e deixam acuada as forças de segurança.

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