Casal que morreu em explosão de barco no Juruá deixou 14 filhos e família faz campanha

Amigos tentam arrecadar donativos para os filhos do casal. Menino de 4 anos continua internado

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Casal que morreu em explosão de barco no AC deixou 14 filhos e família faz campanha — Foto: Arquivo pessoal

Valdir Torquato da Silva e Jocicleia Ferreira da Silva morreram vítima da explosão de um barco no interior do Acre, no começo de junho. Os dois estavam na embarcação junto com o filho de 4 anos, Paulo Vitor, que continua internado no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte (MG).

A criança apresentou melhoras nas queimaduras, mas, segundo a família, apresenta problemas emocionais devido ao acidente e ainda não foi informado da morte dos pais.

Mas, além de Paulo Vitor, o casal ainda tinha 13 filhos, o mais velho com 21 anos, que ficaram desamparados após a tragédia do Rio Juruá.

Por isso, para ajudar os filhos do casal, familiares e amigos iniciaram uma campanha para arrecadar donativos.

“Estamos pedindo ajuda mesmo de quem pode doar alguma coisa, porque eles estão passando muita necessidade. Até a feira e outras coisas que o pai deles que estava fazendo um tratamento em Cruzeiro do Sul, antes do acidente, ia deixar na comunidade para eles, queimou tudo na explosão. Então, quem puder ajudar, com roupas, calçados, alimentos ou qualquer tipo de doação, nós agradecemos de coração”, pede Eliete Rodrigues da Silva dos jovens.

Recuperação

De acordo com a tia da criança, das lesões das queimaduras ele já está bem recuperado e, inclusive, fez uma cirurgia de enxerto nas mãos.

“Ele chora todo tempo e acorda chamando pelo pai dele e pela mãe e isso tem dificultado a recuperação. Por isso, os médicos continuam com ele na UTI e com sedativos, porque ele se desespera querendo ver os pais”, disse Eliete Rodrigues da Silva, irmã de Valdir da Silva.

Segundo a tia, os médicos pediram para que outro irmão de Paulo Vitor vá para BH para informar da morte do casal. Uma irmã da criança já está aguardando as passagens para viajar para acompanhar Paulo Vitor que, desde o início do tratamento está sendo acompanhado por um primo.

“Os médicos querem que um irmão dele diga para ele que os pais morreram, porque, apesar de ter apenas 4 anos, o Paulo Vitor é muito inteligente e tem noção das coisas por isso está sofrendo muito por não está sendo acompanhado pelo pai nem pela mãe dele”, afirmou Eliete.

Ajuda

A mãe da criança foi sepultada nesta sexta-feira (12), em Marechal Thaumaturgo, sob muita comoção dos outros 13 filhos que já tinham feito o enterro do pai na semana passada. Sem a presença dos pais, os filhos de Valdir e Jocicleia, que viviam da agricultura na comunidade Novo Horizonte, passaram a enfrentar dificuldades para se manter.

“Para se alimentar eles estão comendo do que caçam e da criança de galinha que a família tinha, mas os produtos de supermercado eles não têm como comprar porque quem trabalhava para mantê-los era praticamente meu irmão e minha cunhada. Agora o mais velho tem apenas 21 anos e é quem está responsável pelo sustento dos outros irmãos que ainda são quase todos menores de idade”, conta a tia.

G1/Ac

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