Após fechamento de ambulatório por falta de médicos, Huerb vira um caos, denunciam funcionários

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Sem triagem e ambulatório, pacientes são atendidos juntos em uma única sala

Depois da decisão tomada pela direção do Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb) que lacrou o principal portão de entrada ao hospital e determinou a extinção do setor de triagem, ambulatórios e setor de medicação, a unidade hospitalar, o único com classificação de Pronto Socorro da rede pública, transformou-se em caos sem precedentes.

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A denúncia é feita por servidores do Huerb, que em contato com a reportagem da Folha do Acre, relatam as dificuldades enfrentadas e o clima de caos e descaso que impera no local. O nome dos funcionários é preservado com base na lei que garante o anonimato às fontes que temem retaliações.

De acordo com um servidor que foi ouvido pela Folha do Acre, as duas salas de emergência, a clínica e a cirúrgica estão superlotadas, sem condições para garantir que pacientes em estado gravíssimo venham a ser atendidos com segurança.

“Não tem como garantir um socorro digno, não há espaço nem para entubar um paciente depois que lotou as emergências com o fechamento de setores essenciais do Huerb”, diz.

Sem cadeiras, pacientes são atendidos em escadas de maca

A primeira determinação da direção do Huerb era de que o hospital só receberia pacientes pela sala de emergência levados pelo Samu, mas o Ministério Público do Acre (MPE) fez valer a lei que atendimento não pode ser negado a ninguém que procure Pronto Socorro.

“Vários atendimentos ambulatoriais foram destinados às salas emergenciais, salas estas, que são para atendimentos de classificação laranja ou vermelho, ou seja, de pacientes que correm risco de morte, mas, não é bem assim que está sendo feito estes atendimentos. As salas de emergência estão superlotadas com casos ambulatoriais e os pacientes que ali estão internados, precisando de cuidados, pacientes emergenciais, como pacientes entubados, estão ficando desassistidos pela parte médica, pois um médico só não tem como dar assistência a vários pacientes ao mesmo tempo”, diz o servidor.

O funcionário do Huerb conta, ainda, que sequer a intimidade do paciente, a dignidade está sendo mantida.

“Estão fazendo procedimentos na frente de pacientes lúcidos e orientados, já houve casos de pacientes passarem mal por verem outro paciente ter uma parada cardiorrespiratória”, diz.

Além da superlotação em áreas que deveriam ser para classificação mais rigorosa, os servidores contam, ainda, que com o fechamento de alas inteiras da unidade hospitalar não restou espaço para procedimentos.

“Se chegar uma emergência, como um paciente em parada por exemplo, não tem como prestar assistência devido a sala estar superlotada” diz.

De acordo com o promotor titular da Promotoria de Saúde do MPE, Gláucio Ney Shiroma, a direção do hospital não pode fechar alas como medicação, triagem e ambulatório.

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