Governo fracassa na gestão da Natex; privatização da fábrica de preservativos é oficializada

A fábrica custou R$ 31 milhões e foi inaugurada no governo Binho Marques (PT), em 2008

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Decreto do DOE
Decreto do DOE

O governo do Estado do Acre autorizou a privatização da fábrica de preservativos Natex. Um ato assinado pelo governador Tião Viana (PT) publicado no Diário Oficial desta quarta-feira (27) “concede” a exploração da indústria por 15 anos, podendo ser renovada por igual período “a depender do interesse público”.

A justificativa é, segundo o governo, ampliar a produção de itens derivados do látex. Na prática, o poder público fracassou na intenção de associar o uso sustentável da floresta amazônica às tecnologias de ponta para produção de preservativos masculinos. A meta de fornecer 100 milhões de unidades ao Ministério da Saúde também falhou.

A matéria-prima está escassa. Há atraso no pagamento dos salários dos funcionários, muitos dos quais ameaçados de demissão. Atualmente, o quadro de servidores está reduzido à metade. A capacidade de produção foi reduzida em 70% e a renda dos fornecedores do látex (seringueiros quer habitam a região) despencou.

A licitação está a caminho. O grupo que vai gerir a Natex deverá assumir responsabilidades totais com os trabalhadores, que são terceirizados.

O governador já recebeu em seu gabinete, no dia 10 de maio, Alexandre Portugal, diretor da empresa Lemgruber, do Rio de Janeiro, que atua no segmento de produtos para a saúde. A empresa oficializou o interesse em assumir a fábrica de preservativos masculinos e expandir suas atividades.

Fábrica custou R$ 31 milhões aos cofres públicos/Foto: Secom
Fábrica custou R$ 31 milhões aos cofres públicos/Foto: Secom

A fábrica custou R$ 31 milhões (financiamento do Ministério da Saúde) e foi inaugurada no governo Binho Marques (PT), em 2008. O empreendimento nasceu com o discurso de beneficiar a população rural como a recuperação de ramais e de varadouros, afim de garantir o acesso e o escoamento da produção, e a instalação de módulos sanitários e de captação de água nas escolas e associações das comunidades extrativistas, bem como nas moradias.O projeto não passou de teoria.

Houve, à época, a promessa de realizar pesquisas focadas no desenvolvimento tecnológico de lubrificantes naturais para substituição completa ou parcialmente do uso do atual óleo de silicone por produtos naturais da floresta. Outro foco da indústria seria o desenvolvimento de um gel lubrificante com ação retardante natural para o preservativo masculino, com base nos extratos vegetais das espécies nativas da Amazônia. Também não passou de promessa.

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