Vida interrompida aos 11 anos: aluna atingida por raio no Iaco sonhava em ser modelo

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"Nós estamos sofrendo muito, é uma dor muito grande”, comentou Laudimar Araújo

A estudante Yasmin Ferreira da Silva, de apenas 11 anos de idade, está entre as vítimas fatais de uma tragédia ocorrida na tarde de ontem na região da Boca do Iaco, próximo ao município de Sena Madureira. A embarcação que transportava ela e outros estudantes para a Escola José Manoel dos Santos, na Boca do Iaco, foi atingida em cheio por um raio que deixou um saldo de quatro mortos.

O corpo de Yasmin está sendo velado na Capela Esperança, situada na Rua Maranhão, e o sepultamento ocorrerá na tarde desta quinta-feira (11) no cemitério São João Batista.

O trabalhador rural Laudimar Araújo da Silva, 47 anos de idade, padrasto da aluna, lamentou profundamente a tragédia. Em entrevista à reportagem, ele contou que tinha vindo à cidade fazer umas compras e, no retorno, tomou conhecimento da tragédia. “Quando cheguei ao local e vi os corpos dentro da embarcação não acreditei. Foi muito desespero. Nós estamos sofrendo muito, é uma dor muito grande”, comentou.

Quatro pessoas morreram na tragédia

Ele acrescentou que Yasmin era uma menina muito dedicada aos estudos, não faltava um dia sequer às aulas. Ontem, mesmo com a chuva atingindo a região ela não hesitou em ir para escola. “Todos os dias ela se arrumava com antecedência e pegava a catraia para se deslocar até a escola. Era uma filha obediente e estudiosa”, confirmou.

Laudimar Araújo, aos prantos, contou que a garota tinha um sonho: “Ela dizia pra nós que o seu sonho era ser modelo, mas infelizmente teve sua vida interrompida muito cedo. Nesse momento, a única coisa que podemos pedir é forças a Deus para tentarmos superar essa grande perda”, finalizou.

Três corpos estão sendo velados em Sena Madureira e um foi levado para a zona rural (comunidade Estirão do Alcântara, no rio Purus).

“Meu filho era um herói. Começou a trabalhar com oito anos de idade”, diz pai de barqueiro

“Meu filho era um herói”, diz Alzemir Freire

Outra vítima fatal dessa tragédia foi o barqueiro Magneto Júnior Ribeiro do Nascimento, 26 anos, conhecido pela alcunha de “Mano”, que morava na comunidade Estirão do Alcântara, rio Purus. Ele estava no timão do motor – um Yamaha B12, no momento em que o raio atingiu a embarcação.

Magneto ficou algumas horas desaparecido nas águas e seu corpo só foi encontrado no final da tarde por pescadores da região.

Corpo de Magneto foi encontrado por pescadores

O pai de Magneto, Alzemir Freire do Nascimento, muito abalado com o que aconteceu, relatou que o filho era muito dedicado ao trabalho. “Ele começou a trabalhar quando tinha somente oito anos de idade. Meu filho era um herói. No transporte dos alunos ele começou a trabalhar neste ano e infelizmente morreu em pleno exercício de sua atividade. O sofrimento é muito grande nesse momento”, frisou.

Alzemir Freire acrescentou que todos os dias ficava aguardando o filho passar no rio com os alunos. “A gente conhecia que era ele somente pelo barulho do motor. Ontem meu filho não tinha almoçado. A irmã dele preparou a comida e entregou pra ele dentro do barco. Ele disse que ia comer somente quando entregasse os alunos na escola, mas não conseguiu chegar ao destino final”, lembrou.

Além dos quatro ocupantes do barco que morreram, outros quatro estudantes ficaram feridos e deram entrada no Hospital João Câncio Fernandes. Um deles foi transferido para Rio Branco. Os que ficaram em Sena Madureira foram liberados na manhã de hoje.

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