Posseiros denunciam que estão sendo ameaçados de morte por fazendeiros na divisa do Acre com o Amazonas

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Famílias procuram CUT para denunciar ameças de morte/Foto: Folha do Acre

Um grupo de posseiros esteve na sede da Central Única dos Trabalhadores, no Acre, na manhã desta quarta-feira (28), para denunciar que estão sendo ameaçados de morte por fazendeiros em um seringal que fica localizado na divisa do município de Porto Acre com Boca do Acre, região Sul do Amazonas.

Representantes do grupo composto por mais de 30 famílias denunciaram o caso à presidente da CUT, Rosana Nascimento, que prometeu acompanhar as denúncias e levar o assunto ao Ministério Público do Acre.

Segundo um dos posseiros, Josias Silva, o grileiro que se diz dono das terras procurou a Justiça do Acre para denunciar o caso e pedir a saída das famílias, que já estão há cerca de 12 anos no local. Josias conta que um juiz acreano decidiu pela desapropriação da terra, mas o posseiro alega que a propriedade fica em solo amazonense, portanto, o magistrado acreano não teria jurisdição para decidir sobre o caso.

“O grileiro que se diz dono das terras procurou a Justiça do Acre e conseguiu decisão favorável para nos retirar da terra, mas ele disse que tinha apenas uma família morando no local, mas isso não é verdade, somos em bem mais. E o juiz acreano não pode tomar nenhuma decisão porque a terra fica no Amazonas, em Boca do Acre”, farante o posseiro.

Ele conta que já procurou o Incra, em Rio Branco, e CUT para denunciar o caso.

Rosana Nascimento conversou com a reportagem da Folha do Acre e garantiu que a CUT vai encaminhar o caso à Defensoria Pública e Ministério Público. Ela alega que por conta da área ser propriedade da União os fazendeiros não podem expulsar as famílias que construíram moradias no local.

“As terras que eles estão falando são terras das União e os fazendeiros querem se apossar dessas áreas e expulsar as famílias, isso não pode acontecer. O fazendeiro entrou com pedido de reintegração de posse em Boca do Acre e a Justiça negou o pedido. Com isso ele procurou a Justiça acreana, que não vai até o local fiscalizar a área e acaba cometendo injustiça ao dar parecer favorável ao fazendeiro”, disse Rosana.

Famílias denuncia que tiveram suas casas queimadas por capangas de fazendeiro

A sindicalista afirma que recebeu a denúncia de que as famílias estão sendo ameaçadas de morte pelos fazendeiros mesmo após perderem suas casas.

“As famílias contaram que perderam tudo e ainda estão sendo ameaçadas pelo fazendeiros que querem tirar os trabalhadores na marra. O caso já foi denunciado na delegacia de Boca do Acre. Essas famílias estão lá há mais de 10 anos e precisam ter seus direitos respeitados”, conclui.

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