Servidores da saúde declaram greve geral à partir de terça-feira por conta dos assédios e falta de negociação

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A grave crise vivida na saúde pública Estadual chegou com toda a força à Região do Juruá: a partir de terça-feira (22) começa a greve no Hospital Geral de Cruzeiro do Sul por tempo indeterminado. Uma série de ações da empresa terceirizada contra os servidores levou a situação a um impasse e os servidores apoiados pelo Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Estado do Acre (Sintesac) decidiram parar as atividades. O hospital atende à toda a região e é a unidade de referência local.

Adailton Cruz, presidente do Sintesac, informou que contra tudo e contra todos, os sindicatos reuniram nesta terça-feira (15) os servidores e aprovaram a data da paralisação: “Fizemos hoje uma Assembleia Geral (AG) com a maioria esmagadora dos servidores presentes, bem como dos representantes do Spate, Sindicato dos Enfermeiros e da CUT em Cruzeiro do Sul e a decisão foi unânime pela decretação da greve”.

“Não podemos admitir os trabalhadores estão sendo tratados como lixo, sendo coagido, humilhados, desrespeitados e obrigados a assinar um acordo individual de trabalho, ilegal, que aumenta a jornada de trabalho de 36 para quase 50 horas semanais, redução, congelamento de salários, e precarização total dos serviços. Um verdadeiro crime a saúde pública do Juruá”, destacou Adailton.

Problemas na gestão

Segundo Adailton, o hospital está entregue para Associação Nossa Senhora da Saúde (Anssau), a qual coagiu à todos os trabalhadores para aumentar a jornada de trabalho de 36 para quase 50h, contrariando a carga horária dos profissionais.

Além disso, prosseguiu o sindicalista, a Anssau congelou unilateralmente os salários e precarizou as condições de trabalho para todos. Além disso, obrigou aos servidores assinarem a adesão sob coação de demissão. “Sequer deixaram o servidores se reunir e ameaçaram demitir quem participasse da AG. Isso só se viu isso na Ditadura Militar”.

Hospital virou um caos

Adailton ressaltou que o hospital está um caos total, faltando profissional em todos os setores, a ponto de um profissional de enfermagem ter de atender duas enfermarias e 45 pessoas de uma só vez. “Não havia sutura e se alguém precisasse de uma cirurgia, morreria”.

Além disso, continuou o sindicalista, não havia antibióticos nem dos mais simples, bem como outros medicamentos básicos como dipirona ou diclofenaco. Sequer havia material para curativo.

“O local está um caos total e este é mais um dos motivos da greve dos servidores. O acordo individual que obrigaram os servidores a assinarem é uma imoralidade e as condições de trabalho são péssimas”, informou.

Greve até a vitória

Para Adailton não restou outra alternativa senão a greve, uma decisão em conjunto dos trabalhadores e com os representantes de todos os sindicatos e a CUT em Cruzeiro do Sul.

Adailton ressaltou que a greve do dia 22 será mantida até a direção da Anssau rever as ações e, para pressionar, haverá uma concentração permanente na área em frente ao hospital.

“O hospital é referência em toda a região e não pode funcionar da forma com está. Nossa expectativa é de que todos os setores paralisem: de médicos e enfermeiros até a lavanderia e portaria”.

Denúncias no Judiciário, MPT e CES

Paralelo a isso, Adailton informou que o Sintesac vai ajuizar uma ação para cancelar estes atos considerados ilegais junto a Justiça do Trabalho da cidade. “Também será feita uma queixa ao Ministério Público do Trabalho por conta dos assédios e dos contratos ilegais”.

Em outra via, o Sintesac vai acionar o Conselho Estadual de Saúde (CES), onde vai ser requerida a abertura de uma investigação sobre como estão sendo os gastos de recursos públicos na Ansaau, pois é mantida com recursos públicos.

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