Gladson é um dos senadores que mais gasta com passagens e responsável pela viagem mais cara do Senado

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Gladson é um dos senadores que mais gasta com passagens aéreas

Apenas dois senadores gastaram R$ 800 mil com viagens pelo mundo nos três últimos anos. O senador Gladson Cameli (PP-AC) consumiu R$ 48 mil – em valores atualizados – com passagens de ida e volta para a Conferência Mundial de Jovens Parlamentares, no Japão, em 2015. Ele fez também a viagem mais cara, no valor de R$ 57 mil, incluindo passagens e diárias, para a República Checa. O senador Ciro Nogueira (PP-PI) gastou R$ 28 mil com passagens para fazer parte do workshop “Consumo Inteligente e Responsável de Bebidas Alcoólicas” nos Estados Unidos, em 2016.

Mas a viagem mais cara de Nogueira – R$ 48 mil – foi para o Vietnã, onde participou da 132ª Assembleia da União Interparlamentar. Na mesma “missão”, Cameli gastou R$ 51 mil – tudo em valores atualizados. Juntos, os dois torraram mais dinheiro do que os 81 senadores gastaram com “missões oficiais” no ano passado – R$ 770 mil –, quando também lideraram a gastança.

Senador Gladson e Ciro Nogueira

Um detalhe curioso: Cameli, de 39 anos, e Nogueira, de 49 anos, foram companheiros de viagem em seis eventos em três continentes. Entre eles o Parlamento de Jovens Parlamentares no Canadá, no ano passado. Também viajaram juntos para Paris, Nova Iorque e Genebra. Em junho do ano passado, ficaram dez dias na capital francesa para um evento de dois dias. Cada um recebeu quatro diárias.

Mesma viagem custou R$ 27 mil para Cameli e R$ 6,6 mil para Jorge Viana

Não há um preço de tabela a ser seguido. O custo e o luxo da viagem são uma escolha do parlamentar. Assim, um voo para São Petesburgo (Rússia), onde foi realizado o Fórum Parlamentar do Brics no ano passado, pode custar R$ 27,8 mil, como aconteceu com Cameli; ou R$ 6,6 mil, no caso do senador Jorge Viana (PT-AC), que esteve no mesmo evento. Uma viagem para os Estados Unidos pode sair por R$ 28 mil ou apenas R$ 5,2 mil.

As viagens de Ciro e Gladson pelo mundo

Veja o destino e o motivo das viagens dos dois senadores:

Campeões de gastos

No ano passado, Nogueira liderou o ranking da gastança. Foram R$ 98 mil, sendo R$ 73 mil com passagens. Nesses valores estão incluídos, porém, as despesas de R$ 33,7 mil com o workshop sobre bebidas alcoólicas em Washington, ocorrido no final de 2016. Cameli gastou R$ 94 mil. Nos dois anos anteriores, o senador acreano consumiu ainda mais – R$ 139 mil em 2016 e R$ 206 mil em 2015.

Em terceiro lugar no ano passado ficou o senador Roberto Requião (PMDB-PR), com gastos de R$ 63 mil. Boa parte – R$ 27 mil – foi consumida em viagens ao Parlamento do Mercosul, em Montevidéu (Uruguai), que tem o senador paranaense como integrante da Mesa Diretora. A viagem mais longa dele foi para Florença (Itália), onde participou da sessão do Parlamento Euro-Latinoamericano (Eurolat). Requião recebeu cinco diárias para três dias de evento, mas deu uma esticadinha e permaneceu na Itália de 17 a 26 de maio.

Alguns senadores têm preferência por feiras de tecnologia. O senador Jorge Viana (PT-AC) esteve em Barcelona para participar da GSMA Mobile World Congress, sobre novas tecnologias para celulares. Recebeu cinco diárias para cinco dias de evento. A passagem custou R$ 3,4 mil. Despesa total: R$ 10 mil.

Os senadores Vicentinho Alves (PR-TO) e José Maranhão (PMDB-PB) participaram da Sun’n Fun Internacional Fly, em Lakeland, na Flórida (EUA). O convite para o evento anunciava equipamentos de voo e eletrônicos, exibição de aviões militares clássicos da Segunda Guerra Mundial, oficinas e fóruns educacionais e “rotinas noturnas de acrobacias aéreas e fogos de artifício”. Os dois justificaram a viagem pela necessidade de troca de experiência para a elaboração do novo Código Brasileiro de Aeronáutica. Custo das diárias de ambos: R$ 12 mil.

A viagem mais longa em 2017 foi feita pelo senador Wellington Fagundes (PR-MT). Ele recebeu R$ 21,6 mil por 16 diárias numa “visita técnica” à Rússia para contatos com operadores ferroviários, hidroviários, industriais e estaleiros a convite do embaixador daquele país no Brasil. As passagens de Fagundes foram pagas pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja).

O senador Hélio José (PROS-DF) recebeu 15 diárias no valor de R$ 21 mil em visita às repúblicas da Sérvia e de Montenegro, a convite do embaixador do Brasil em Belgrado. Roberto Rocha (PSDB-MA) recebeu R$ 14 mil em diárias para uma viagem “oficial institucional” a Estocolmo (Suécia), Sevilha (Espanha) e Paris (França).

Na viagem a Nova Iorque para a Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável, o senador José Medeiros (PODE-MT) recebeu cinco diárias no valor de R$ 7 mil e gastou mais R$ 16 mil com passagens. Questionado pela reportagem, informou que o valor inclui a passagem do senador e de um assessor que o acompanhou na missão oficial.

“Para melhorar a mobilização de jovens”

O gabinete do senador Cameli não comentou sobre a compra de passagens mais caras, quando outros senadores gastam até um quarto do preço no mesmo trajeto. Questionada sobre a pauta da Conferência de Jovens Parlamentares, a assessoria afirmou: “participamos da conferência para buscar soluções para melhorar a mobilização de jovens líderes de diversas origens para o empreendimento de debates e apresentação de estratégias necessárias e inovadoras”.

Os senadores que mais gastaram com viagens em 2017:

Fonte: Senadores fazem viagens luxuosas para Paris, Nova Iorque e Tóquio. Adivinha quem pagou a conta?

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