‘A população corre risco de morte dentro do Hospital do Juruá’, diz médico ao denunciar falta de remédios básicos

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O médico Theobaldo Dantas, que atende no Hospital do Juruá, afirmou à reportagem da Folha do Acre na manhã desta quinta-feira (6) que os pacientes que procuram a unidade hospitalar correm risco de morte dentro do próprio hospital pela falta de insumos, profissionais e medicamentos essenciais para a sobrevivência em determinados casos.

O médico, que é representante do Sindicato dos Médicos no vale do Juruá, afirmou que o hospital está desabastecido de materiais essenciais como scalpe, material ortopédico, até medicamentos decisivos para salvar a vida de pacientes em caso de Acidente Vascular Cerebral (AVC), como é o caso do trombolíticos.

Theobaldo afirmou, ainda, que pelo fato do Hospital do Juruá não dispor de antibióticos há um risco das bactérias se tornarem mais resistentes na região.

“A população corre risco real dentro do hospital, falta antibióticos, trombolíticos, não dispomos de neurocirurgião. Falta condições de salvar vidas”, diz.

O médico diz que é preciso que a Sesacre tome providências urgentes para garantir que vidas sejam poupadas.

“Precisamos de ajuda, precisamos que repassem os recursos para quem está gerindo o hospital, é necessário salvaguardar a vida das pessoas e salvar o Hospital do Juruá. Este hospital é referência na região é pra cá que todos vêm em busca de atendimento médico, todos os casos graves vem para o Hospital do Juruá”, diz.

Theobaldo Dantas revela desespero diante da falta de condições de atender pacientes e o risco dos médicos serem responsabilizados.

“Estamos em um ato de desespero. A gente vai para o trabalho já com medo de chegar algum caso grave que não tenha como ser resolvido por falta de medicamento ou especialistas. Corremos o risco de perder um paciente e sermos responsabilizados”, diz.

Diante da falta de medicamentos, insumos e pagamentos atrasados, os médicos do Hospital do Juruá estão em análise jurídica para buscar a rescisão do contrato.

De acordo com Theobaldo Dantas, a Sesacre deve cerca de R$ 13 milhões em repasses que deveriam ter sido feitos à associação que administra o hospital.

Outro lado

Por meio de nota enviada pela assessoria de imprensa, a Secretaria Estadual de Saúde informou que o repasse já foi realizado.

“A Sesacre esclarece que foi realizado um repasse à Associação Nossa Senhora da Saúde (Anssau) na última semana e que o pagamento dos médicos e a compra de medicamentos e demais materiais compete à entidade”, diz.

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