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Ministério suspende vacina contra dengue após registros de reações graves

Por Wesley Tavares, da Folha do Acre 08/06/2026 às 19:17

A decisão do Ministério da Saúde de suspender temporariamente a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan repercutiu em todo o país nesta segunda-feira (8). A medida foi adotada após o sistema nacional de vigilância pós-vacinação identificar 42 casos de reações adversas graves entre mais de 500 mil doses aplicadas desde o início da campanha de imunização. Entre os registros, duas mortes seguem sob investigação das autoridades sanitárias.

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a suspensão tem caráter preventivo e busca permitir uma análise mais aprofundada dos casos notificados. O governo federal, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Butantan irão investigar se existe alguma relação entre os eventos registrados e a vacina. Até o momento, não há confirmação de que os óbitos ou as reações graves tenham sido provocados pelo imunizante.

A vacina foi incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) em janeiro deste ano e começou a ser aplicada em larga escala a partir de fevereiro, principalmente entre profissionais da atenção primária à saúde. Até 30 de maio, pouco mais de 500 mil doses haviam sido administradas em todo o país.

De acordo com os dados divulgados pelo Ministério da Saúde, os 42 casos considerados mais preocupantes apresentaram sinais de alerta semelhantes aos observados em quadros graves de dengue, incluindo dores abdominais intensas, vômitos persistentes e sangramentos. Apesar da repercussão, esses episódios representam uma parcela extremamente pequena do total de vacinados.

Durante coletiva de imprensa em Brasília, o ministro Alexandre Padilha afirmou que a interrupção da vacinação não significa que a vacina seja ineficaz ou insegura. Segundo ele, a medida segue protocolos internacionais de farmacovigilância e tem o objetivo de garantir que qualquer possível fator de risco seja identificado antes da continuidade da estratégia de imunização.

Especialistas explicam que um evento adverso pós-vacinação é qualquer problema de saúde registrado após a aplicação de uma vacina. No entanto, a ocorrência de um evento desse tipo não significa necessariamente que ele tenha sido causado pelo imunizante. Por esse motivo, cada caso passa por investigação técnica detalhada para determinar se há ou não relação entre os fatos.

O Ministério da Saúde também ressaltou que a suspensão vale exclusivamente para a vacina contra dengue produzida pelo Instituto Butantan. A vacina Qdenga, fabricada pela Takeda e utilizada em outras estratégias de imunização do SUS, não foi afetada pela decisão e continua sendo aplicada normalmente.

Enquanto as investigações avançam, as autoridades sanitárias orientam a população a manter as medidas de prevenção contra o mosquito Aedes aegypti, principal transmissor da dengue. O combate aos criadouros continua sendo considerado a principal ferramenta para reduzir os casos da doença, especialmente em um período em que diversos estados brasileiros ainda enfrentam alta circulação do vírus.

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