Mais de 23 mil famílias acreanas deixaram o Bolsa Família entre março de 2023 e maio de 2026 após ampliarem sua renda e superarem os critérios de permanência no programa social. Os dados foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).
Segundo o levantamento, os desligamentos ocorreram após as famílias conseguirem emprego com carteira assinada, ampliarem seus rendimentos por meio de atividades empreendedoras ou ultrapassarem os limites estabelecidos pela Regra de Proteção do programa.
Somente em maio deste ano, 1.341 famílias deixaram o Bolsa Família no Acre. Rio Branco concentrou o maior número de desligamentos, com 597 famílias. Na sequência aparecem Cruzeiro do Sul, com 151, Sena Madureira, com 86, Tarauacá, com 64, e Feijó, com 55.
A lista dos dez municípios acreanos com mais famílias que deixaram o programa também inclui Senador Guiomard (48), Brasiléia (39), Manoel Urbano (35), Epitaciolândia (34) e Xapuri (32).
Em nível nacional, mais de 5,1 milhões de famílias deixaram o Bolsa Família entre março de 2023 e maio de 2026 após registrarem aumento da renda familiar. Os maiores números foram observados em São Paulo, com 745,6 mil desligamentos, seguido pelo Distrito Federal, com 546 mil, Bahia, com 487,6 mil, Minas Gerais, com 430,2 mil, e Rio de Janeiro, com 393,7 mil.
Entre as capitais brasileiras, São Paulo liderou os desligamentos em maio de 2026, com 7.312 famílias deixando o programa. Em seguida aparecem Rio de Janeiro (4.387), Fortaleza (3.790), Salvador (3.095) e Brasília (1.896).
Criada na reformulação do Bolsa Família, a Regra de Proteção permite que famílias que aumentam a renda continuem recebendo parte do benefício durante um período de transição. Atualmente, mesmo após ultrapassarem o limite de R$ 218 por pessoa da família, os beneficiários podem permanecer no programa recebendo 50% do valor por até 12 meses, desde que a renda per capita permaneça abaixo de R$ 706.
Ao comentar os números, o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, afirmou que os resultados estão ligados ao crescimento do emprego e do empreendedorismo entre os beneficiários.
“O novo modelo estimula o emprego. Só de 2023 para cá, 5,1 milhões de famílias saíram da pobreza. Saíram do Bolsa Família porque passaram a ter um emprego ou começaram a empreender”, declarou.
Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), cruzados com informações do Cadastro Único, mostram que 80% das vagas formais criadas no primeiro trimestre de 2026 foram ocupadas por pessoas inscritas no CadÚnico.
Ainda segundo Wellington Dias, os indicadores demonstram a inserção dos beneficiários no mercado de trabalho e contrariam a ideia de que os atendidos pelo programa evitam buscar emprego formal.
Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV Social) apontou que a renda do trabalho da população mais pobre cresceu 10,7% em 2025, percentual superior à média nacional. O levantamento atribui o resultado principalmente à expansão dos empregos com carteira assinada e aos mecanismos de transição previstos no Bolsa Família.

