O Acre registrou, em 2024, taxa de 6,2 suicídios por 100 mil habitantes entre jovens de 10 a 19 anos, ante a média nacional de 3,4 no mesmo período, quase o dobro do índice do país. Os dados constam do Atlas da Violência 2026, publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), consultado neste sábado (6).
O estado também registrou, em 2024, taxa de 8,1 internações por lesão autoprovocada entre jovens na mesma faixa etária por 100 mil habitantes, acima da média nacional de 6,4. Entre 2019 e 2024, esse índice cresceu mais de 300% no Acre, o maior aumento registrado entre todos os estados brasileiros no período. No mesmo intervalo, a média nacional recuou 1,5%.
O pico da série histórica no estado ocorreu em 2022, quando a taxa de internações por autolesão chegou a 11,6 e a de suicídios a 11,0. Naquele ano, foram registradas 18 mortes por suicídio entre jovens de 10 a 19 anos, o maior número desde 2014. Em 2024, esse total recuou para dez casos.
Trajetória de longo prazo
Em uma década, a taxa de suicídio juvenil no Acre cresceu 34,8%, enquanto o Brasil registrou alta de 41,7% no mesmo período. Entre 2019 e 2024, o estado reduziu sua taxa em 17,3%, acompanhando a tendência nacional de queda de 12,8% no intervalo. Em 2019, a taxa de internações por autolesão entre jovens acreanos era de 1,9 por 100 mil habitantes.
O Atlas da Violência 2026 aponta que “a violência contra crianças e adolescentes no Brasil não é episódica, mas estrutural, multidimensional e profundamente marcada por desigualdades de idade, gênero e contexto social”, e que “os dados revelam que diferentes formas de violência se distribuem de maneira desigual ao longo do ciclo de vida.”
