Deputados de oposição combram investigação sobre recursos investidos em ponte que desabou em Sena Madureira

Por Gina Menezes, da Folha do Acre

A queda da ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, dominou a sessão desta terça-feira (9) na Assembleia Legislativa do Acre. Todos os deputados que subiram à tribuna abordaram o assunto, alguns defendendo o Executivo e outros cobrando explicações do governo estadual sobre o colapso da estrutura, inaugurada há pouco mais de dois anos e considerada uma das principais obras de mobilidade da região.

Emerson Jarude (Novo), Edvaldo Magalhães (PCdoB) e Tadeu Hassem (Republicanos) questionaram a execução do projeto, os recursos investidos e pediram atuação dos órgãos de controle.

Para Jarude, o desabamento não pode ser explicado apenas por fatores naturais. O parlamentar cobrou uma investigação sobre os custos da obra e os aditivos firmados durante a execução.

“O desabamento da ponte revela falhas graves na aplicação dos recursos públicos. A população acreana não pode arcar novamente com os prejuízos decorrentes de uma obra que consumiu milhões de reais e teve sua utilização interrompida pouco mais de um ano após a inauguração”, disse o deputado.

Jarude também citou o impacto imediato na rotina dos moradores. “Quem está pagando essa conta é o povo. A cidade voltou a enfrentar dificuldades de deslocamento e ninguém consegue dizer quando haverá outra ponte.”

Edvaldo Magalhães pediu uma apuração técnica sobre possíveis alterações entre o anteprojeto apresentado pelo Estado e o projeto executivo entregue pela empresa responsável. Para o deputado, construir às margens de rios exige cuidados específicos que precisam ser esclarecidos.

“Não podemos transformar esse debate em disputa política. O que precisa ser respondido é por que houve mudanças estruturais, quem autorizou essas modificações e se elas contribuíram para o resultado que todos nós vimos”, afirmou Magalhães.

Tadeu Hassem foi mais direto ao avaliar o colapso. “Não considero isso um fato isolado. Foi erro na execução”, declarou o parlamentar, que também pediu que o Tribunal de Contas, o Ministério Público e demais órgãos fiscalizadores se debrucem sobre o caso.

O líder do governo na Aleac, deputado Manoel Moraes, afirmou que as críticas da oposição são prematuras, haja vista que ainda não houve conclusão de investigação e afirmou que é preciso cautela.

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