O pesquisador meteorológico Davi Friale afirmou que os possíveis efeitos do fenômeno El Niño sobre o Acre têm sido superestimados e defendeu uma análise baseada no histórico climático da região. Segundo ele, o estado não figura entre as áreas que tradicionalmente registram impactos significativos associados ao fenômeno.
Friale informou que prepara um estudo para abordar o tema de forma mais detalhada e disse que algumas projeções divulgadas recentemente têm gerado preocupação além do necessário. “Estou preparando um artigo para falar mais detalhadamente sobre esse alarmismo desnecessário”, declarou.
De acordo com o pesquisador, o El Niño é um fenômeno natural e recorrente, presente ao longo da história climática do planeta. Na avaliação dele, caso o evento climático se consolide neste ano, os efeitos mais intensos deverão ser sentidos em outras regiões do país e da América do Sul.
“O norte da Região Norte, especialmente áreas de Roraima, Amazonas e Pará, além do Nordeste, tende a sentir mais os efeitos relacionados à seca. Já a Região Sul costuma registrar aumento significativo das chuvas durante episódios de El Niño”, explicou.
Ao comentar o cenário para o Acre e Rondônia, Friale afirmou que a influência do fenômeno costuma ser limitada devido à localização geográfica dos dois estados. Segundo ele, os dados históricos indicam que os reflexos diretos do El Niño na região são reduzidos quando comparados aos observados em outras partes do país.
O pesquisador informou ainda que divulgará, nos próximos dias, um artigo reunindo informações e análises sobre o comportamento do fenômeno e seus possíveis impactos para a Amazônia Ocidental.
