Marcha para Jesus
A Marcha para Jesus, realizada no último sábado (30), foi uma mistura de fé, aparência de palanque eleitoral e má organização, com influencers tomando o espaço da imprensa. Foi uma salada louca no caldeirão político do Acre.
Correria santa
Quem viu a Marcha para Jesus no sábado talvez tenha saído com uma dúvida: era um evento religioso ou uma prova de resistência física? A governadora Mailza Assis correu com o empenho de uma maratonista da São Silvestre.
Madson Cameli
Madson Cameli passou boa parte do tempo tentando acompanhar o ritmo da governadora. Quem observava de longe já começava a se preocupar com a capacidade cardiorrespiratória do rapaz.
2026
No fim, a Marcha para Jesus terminou, mas ficou a impressão de que alguns participantes estavam menos preocupados em chegar ao céu e mais interessados em chegar a 2026. E, pelo visto, de preferência na frente das câmeras.
Imprensa do lado de fora, influencers no altar
Parece que virou moda, em eventos oficiais no Acre, barrar jornalistas, esvaziar coletiva e abrir tapete vermelho para influenciadores digitais gravarem videozinhos.
Virou moda
No sábado, durante a Marcha para Jesus, repórteres foram impedidos de entrevistar o cantor Thalles Roberto. Enquanto isso, o camarim estava lotado de influencers, alguns com perfis mais inflados que balão de festa infantil, cheios de seguidores comprados e relevância alugada.
Complicado
A imprensa, que trabalha, pergunta, apura e incomoda, ficou do lado de fora. Já a turma do “grava um stories comigo?” teve acesso privilegiado, sorriso, pose e conteúdo para fingir prestígio na internet.
Depois reclamam
Depois reclamam quando a cobertura fica crítica. Querem divulgação, mas não querem perguntas. Querem palco, mas não querem imprensa. Querem repercussão, mas preferem entregar o microfone a quem confunde notícia com autopromoção.
Bocalom
Até aqui, parece não ter dado muito certo a aposta de Tião Bocalom de ancorar sua pré-candidatura ao governo nos resultados da gestão que fez à frente da Prefeitura de Rio Branco. A rejeição que ele tem como candidato, de acordo com as pesquisas, é justamente por conta da gestão. A gestão virou passivo eleitoral.
Arrependidos
Já tem gente do grupo de Bocalom, que o incentivou a ser candidato, arrependida e se dando conta de que pode ficar sem espaço político algum. Estão entendendo tarde que vencer a eleição em 2024 não significa automaticamente estar pronto para vencer o Acre.
O Senado virou a grande incógnita
A falta de definição sobre o furuto político de Gladson Camelí torna o cenário uma incóngita. Se Gladson conseguir liminar, entra forte e polariza. Sem liminar, vira cabo eleitoral de luxo, disputado, observado e limitado.
A pergunta real é: quem herda o espólio político?
Se Gladson ficar fora, o grupo precisa decidir se o substituto será alguém da família política, alguém de confiança de Mailza ou um nome de consenso da direita. Essa escolha pode unir ou rachar a base.
Resumo seco
Gladson continua sendo força política, mas deixou de ser dono do próprio calendário. Hoje, quem segura a caneta do futuro dele não é mais o eleitor acreano sozinho, é o Judiciário.
Jonatha Santiago
O advogado Jonatha Santiago, subchefe do Gabinete Pessoal da governadora, nega que tenha se metido na patuscada que empoderou o MDB em detrimento de partidos aliados de Mailza Assis.
Relaçao com MDB
Jonatha Santiago afirma que não tem qualquer relação com o MDB e, tampouco, fez qualquer movimento que enfraquecesse partidos aliados.
Bom dia a todos.

