Nunca se falou tanto.
Nunca se publicou tanto.
Nunca se opinou tanto.
E, ainda assim, a sensação é de que estamos entendendo cada vez menos.
Vivemos na era da hiperconectividade, onde a informação chega em segundos, atravessa continentes e se espalha em velocidade absurda. Qualquer fato vira debate. Qualquer opinião vira manifesto. Qualquer discordância vira guerra.
Mas a pergunta incômoda precisa ser feita: estamos realmente mais informados ou apenas mais barulhentos?
O excesso de informação não nos tornou necessariamente mais conscientes. Em muitos casos, nos tornou apenas mais reativos. Opina-se antes de compreender. Julga-se antes de ouvir. Cancela-se antes de refletir. A profundidade foi substituída pela urgência de dizer alguma coisa, qualquer coisa.
Hoje, saber um título parece suficiente. Ler o conteúdo virou detalhe. Contexto, então, quase um luxo. O importante é participar do ruído, marcar posição, mostrar alinhamento. Pensar dá trabalho. Repetir é mais fácil.
Criamos uma sociedade onde todo mundo fala, mas poucos escutam. Onde todos querem ensinar, mas quase ninguém aceita aprender. Onde a opinião passou a valer mais pelo volume do que pela consistência.
Ser informado exige tempo, leitura, confronto de ideias. Ser barulhento exige apenas conexão e indignação momentânea.
E aqui está o ponto mais delicado: o barulho dá uma falsa sensação de engajamento cívico. Parece que estamos participando da construção do mundo, quando muitas vezes estamos apenas reagindo a estímulos cuidadosamente fabricados para nos manter irritados, divididos e rasos.
A informação deveria nos tornar mais críticos.
O barulho apenas nos torna mais previsíveis.
Talvez o grande desafio do nosso tempo não seja ter acesso à informação, isso já temos de sobra. O verdadeiro desafio é reaprender a filtrar, a silenciar o excesso e a resgatar o pensamento próprio.
Porque uma sociedade que fala demais e pensa de menos corre um risco sério: confundir ruído com consciência.
E ruído, por si só, nunca mudou o mundo.
*Lúcio Costa é jornalista
