Artigo: A sociedade está mais informada ou apenas mais barulhenta?

Por Lúcio Costa

Nunca se falou tanto.

Nunca se publicou tanto.

Nunca se opinou tanto.

E, ainda assim, a sensação é de que estamos entendendo cada vez menos.

Vivemos na era da hiperconectividade, onde a informação chega em segundos, atravessa continentes e se espalha em velocidade absurda. Qualquer fato vira debate. Qualquer opinião vira manifesto. Qualquer discordância vira guerra.

Mas a pergunta incômoda precisa ser feita: estamos realmente mais informados ou apenas mais barulhentos?

O excesso de informação não nos tornou necessariamente mais conscientes. Em muitos casos, nos tornou apenas mais reativos. Opina-se antes de compreender. Julga-se antes de ouvir. Cancela-se antes de refletir. A profundidade foi substituída pela urgência de dizer alguma coisa, qualquer coisa.

Hoje, saber um título parece suficiente. Ler o conteúdo virou detalhe. Contexto, então, quase um luxo. O importante é participar do ruído, marcar posição, mostrar alinhamento. Pensar dá trabalho. Repetir é mais fácil.

Criamos uma sociedade onde todo mundo fala, mas poucos escutam. Onde todos querem ensinar, mas quase ninguém aceita aprender. Onde a opinião passou a valer mais pelo volume do que pela consistência.

Ser informado exige tempo, leitura, confronto de ideias. Ser barulhento exige apenas conexão e indignação momentânea.

E aqui está o ponto mais delicado: o barulho dá uma falsa sensação de engajamento cívico. Parece que estamos participando da construção do mundo, quando muitas vezes estamos apenas reagindo a estímulos cuidadosamente fabricados para nos manter irritados, divididos e rasos.

A informação deveria nos tornar mais críticos.

O barulho apenas nos torna mais previsíveis.

Talvez o grande desafio do nosso tempo não seja ter acesso à informação, isso já temos de sobra. O verdadeiro desafio é reaprender a filtrar, a silenciar o excesso e a resgatar o pensamento próprio.

Porque uma sociedade que fala demais e pensa de menos corre um risco sério: confundir ruído com consciência.

E ruído, por si só, nunca mudou o mundo.

*Lúcio Costa é jornalista

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