A Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) emitiu nesta segunda-feira, 1º de junho, um alerta epidemiológico para todo o estado diante do aumento de casos graves de doenças respiratórias. Entre janeiro e maio deste ano, o Acre registrou 1.303 notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), número superior ao contabilizado nos mesmos períodos de 2024 e 2025.
A pressão sobre a rede hospitalar é mais intensa entre crianças. A UTI Pediátrica 1 opera com 91,9% de ocupação, a UTI Pediátrica 2 registra 89,2% e as enfermarias infantis estão com 87,7% dos leitos ocupados, de acordo com dados da Vigilância Epidemiológica.
Segundo a Sesacre, o cenário está relacionado à maior circulação de vírus respiratórios nesta época do ano, entre eles influenza A, vírus sincicial respiratório (VSR), rinovírus, adenovírus e metapneumovírus.
O secretário de Saúde, José Bestene, informou que o estado intensificou o acompanhamento da situação e monitora diariamente a ocupação das unidades, além de avaliar medidas para ampliar a capacidade assistencial, se necessário.
Crianças menores de dois anos e indígenas entre os mais afetados
Crianças com menos de dois anos estão entre os grupos que mais demandam atenção, principalmente em razão de casos de bronquiolite associados ao VSR. Entre crianças maiores e idosos, predominam casos de pneumonia e outras complicações que podem exigir internação.
O alerta aponta ainda uma mudança no perfil dos óbitos. Embora o número total de mortes tenha recuado em relação a anos anteriores, 42,4% dos óbitos registrados em 2026 ocorreram na primeira infância. Dos 14 óbitos infantis contabilizados até o momento, sete envolveram crianças com menos de dois anos.
O município de Feijó concentra nove mortes por SRAG neste ano, sendo que seis delas ocorreram entre crianças indígenas.
Monitoramento e vacinação reforçados
Diante do aumento das notificações, a Sesacre intensificou o monitoramento epidemiológico em todas as regionais, com acompanhamento diário da ocupação hospitalar, reforço de equipes e reorganização dos fluxos de atendimento.
A coordenadora da área técnica de vírus respiratórios da Vigilância em Saúde, Anub Martins, destacou a importância da identificação precoce de sintomas como dificuldade para respirar, febre persistente, chiado no peito e cansaço excessivo, que podem indicar necessidade de avaliação médica.
As unidades de saúde do estado seguem ofertando vacinação contra a gripe. A rede pública também disponibiliza imunização contra o VSR para gestantes e aplicação de imunoglobulina para bebês prematuros nascidos a partir de abril de 2026, conforme critérios do Ministério da Saúde.
As autoridades sanitárias orientam a população a manter a vacinação em dia, evitar aglomerações com sintomas respiratórios, usar máscaras em caso de gripe e buscar atendimento médico diante de sinais de agravamento, especialmente em crianças pequenas e idosos.
