A promotora de Justiça do Ministério Público do Acre (MP-AC) Patrícia Paula se alterou e questionou uma abordagem do Exército Brasileiro no Ramal Novo Horizonte, zona rural de Plácido de Castro, interior do Acre, no último dia 30 por volta das 22h40.
O veículo dela foi parado pelos militares durante Operação Ágata 2026. Um vídeo gravado no local é possível ver o momento em que a promotora discute com os militares, responsáveis pela abordagem.
Nas imagens, a servidora pública questiona de quem é a ordem para a operação. O MP-AC informou que a promotora está de licença médica e fora das funções.
“Não tem preparo para abordar, não tem autorização, vocês não estão junto. Está com a ordem de quem?”, diz a promotora.
A reportagem entrou em contato com a promotora e o comando de Fronteira Acre e 4º Batalhão de Infantaria de Selva (4º BIS) aguarda retorno. O espaço segue aberto para os devidos esclarecimentos.
Um policial, que também participava da ação, começa a explicar o motivo da operação, quando a promotora volta a questionar a abordagem.
Nesse momento, um militar do Exército, que se apresenta como responsável pela abordagem e estava ao lado acompanhando a conversa, começa a falar que tentou explicar a finalidade do bloqueio para a promotora, mas é interrompido.
“Estou falando com autoridade, você não é autoridade. Você não é autoridade”, afirma a promotora de forma exaltada.
O comandante do grupo tentou explicar o motivo do bloqueio, mas não teve êxito e, por isso, solicitou apoio da equipe do Gefron para mediar a situação.
“A operação é nacional e devidamente legalizada. O local estava devidamente sinalizado por cones e veículos militares do Exército Brasileiro”, reforçou o coordenador do Gefron.
Ainda conforme o Gefron, os policiais revistaram a carroceria da caminhonete da promotora e a liberaram para seguir viagem, após ela apresentar a carteira de funcionária do MP-AC.
Ainda de acordo com o coordenador do Gefron, o Exército possui poder de polícia na região de fronteira, essa autoridade é garantida por lei e permite que os militares atuem diretamente no combate a crimes sem depender exclusivamente das forças policiais tradicionais.
O principal amparo jurídico, segundo ele, está na Lei Complementar nº 97/1999, que foi atualizada em 2004 e 2010, para dar mais autonomia às Forças Armadas.
“Na prática, isso significa que o Exército pode fazer vistorias em pessoas, veículos, barcos e aviões; prisões, execução de prisões em flagrante delito, patrulhamento, monitoramento preventivo e repressivo contra crimes como narcotráfico, contrabando, tráfico de armas e crimes ambientais”, finalizou.
Informações G1
