A ausência de uma agenda entre a governadora do Acre, Mailza Assis, e o prefeito de Feijó, Railson Correia, provocou desconforto político e ampliou a tensão entre integrantes do governo e a gestão municipal daquele município.
O episódio ocorreu após o prefeito viajar duas vezes a Rio Branco, em menos de duas semanas, na tentativa de discutir medidas emergenciais para o município, atingido pelos impactos do inverno rigoroso. Mesmo diante de inúmeros pedidos de agenda, de busca pelo convênio que auxiliasse a cidade, o prefeito alega que foi ignorado.
Segundo relatos de parlamentares estaduais ouvidos pela reportagem, deputados da própria base tentaram intermediar um encontro entre Railson e a governadora na manhã desta terça-feira (12), sem sucesso. Entre os interlocutores estariam o líder do governo na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), deputado Manoel Moraes, e o presidente da Aleac, Nicolau Júnior.
A principal pauta apresentada pelo prefeito seria a formalização de um convênio entre o governo do Estado e a Prefeitura de Feijó para auxiliar na recuperação de áreas afetadas pelas chuvas. O tipo de parceria é considerado comum em situações emergenciais e já teria sido firmado anteriormente com outros municípios acreanos.
A falta de definição sobre a agenda gerou reações públicas dentro e fora do governo. O secretário Luiz Calixto afirmou à imprensa que o prefeito estaria promovendo “jogo de cena” e “chantagem política”, declarações que ampliaram o desgaste institucional envolvendo o caso.
Aliados do prefeito afirmam que houve falta de diálogo e tratamento inadequado diante da importância da pauta apresentada. Já integrantes do governo sustentam que Railson teria se afastado anteriormente de agendas oficiais da governadora em Feijó, argumento usado por governistas para justificar o clima de distanciamento político.
Nas redes sociais, Railson Correia divulgou um vídeo afirmando que passou mal após o episódio. No pronunciamento, o prefeito demonstrou abatimento ao comentar a tentativa frustrada de audiência com a chefe do Executivo estadual.
O caso repercutiu nos bastidores políticos por expor dificuldades de articulação dentro da própria base aliada e levantar questionamentos sobre a condução institucional do conflito em meio a demandas emergenciais enfrentadas pela população de Feijó.
