“Não existe cultura de estupro”, diz conselheiro tutelar ao rebater justificativas para violência sexual

Por Aikon Vitor, da Folha do Acre

O conselheiro tutelar Anilton Andrade criticou a tentativa de justificar casos de violência sexual com argumentos culturais ou comportamentais. A declaração foi feita durante o FolhaCast, ao comentar discursos que relativizam o abuso.

“A gente tem que parar de dizer que isso é cultural. Não existe cultura de estupro”, afirmou.

Segundo ele, esse tipo de argumento contribui para perpetuar a violência e culpabilizar vítimas. Andrade também rejeitou a ideia de que roupas ou comportamento possam justificar o crime.

“O fato de uma pessoa estar com roupa curta não dá o direito de ninguém abusar. A vítima nunca é culpada”, disse.

O conselheiro ainda alertou para a disseminação de informações falsas envolvendo comunidades tradicionais. “A cultura indígena é muito linda. A gente não pode criminalizar a cultura nem usar isso para justificar crime.”

A discussão ocorreu em diálogo com os jornalistas Gina Menezes e Kauã Lucca, que abordaram a normalização de práticas violentas em diferentes contextos sociais.

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