Uma disputa envolvendo a posse de uma propriedade rural em Brasileia, no interior do Acre, mobiliza uma família que afirma estar sendo ameaçada de deixar uma área adquirida por meio de leilão judicial após um processo que se estendeu por quase três décadas. O médico Júnior Correia que comprou o imóvel em um leilão judicial enfrenta o drama de um eminente despejo após o antigo dono não desistir de reaver o imóvel.
Segundo Júnior Correia, médico acreano que mora em São Paulo e cuja família reside na propriedade em Brasiléia, o imóvel foi arrematado em leilão promovido pelo Ministério Público, com pagamento integral do valor exigido e emissão de carta de quitação pela leiloeira responsável. Apesar disso, os moradores alegam enfrentar sucessivas tentativas de reintegração de posse relacionadas ao antigo proprietário da área.
A situação tem provocado apreensão entre os familiares, que afirmam viver sob insegurança jurídica e emocional. Entre os moradores estariam idosos e pessoas com problemas de saúde, incluindo pacientes que necessitam de acompanhamento médico e psicológico.
Júnior afirma que a disputa ultrapassou a esfera patrimonial e passou a representar uma crise humanitária para o núcleo familiar.
“Não estamos falando apenas de um processo. Estamos falando de pessoas que vivem ali, que têm histórias, doenças e não sabem para onde irão caso sejam obrigadas a sair”, afirmou.
De acordo com o relato, a propriedade abriga mais de uma dezena de familiares. Entre eles está uma idosa de 78 anos que, segundo a família, perdeu a residência anterior em um incêndio e encontrou abrigo na área atualmente em disputa.
Os familiares também alegam que enfrentam dificuldades para compreender os desdobramentos judiciais do caso, especialmente diante de decisões que, segundo eles, teriam sido revertidas anteriormente.
A família afirma ainda que busca apoio de autoridades municipais, estaduais e representantes políticos para que o caso seja analisado levando em consideração não apenas os aspectos legais, mas também os impactos sociais e humanos de uma eventual desocupação.
Até o momento, a versão apresentada pelos familiares sustenta que a aquisição do imóvel ocorreu dentro dos procedimentos legais previstos em leilão judicial. Já as razões que fundamentam os pedidos de reintegração de posse e a posição do antigo proprietário não foram apresentadas nesta reportagem.
O caso segue em discussão nas instâncias competentes e poderá ter novos desdobramentos judiciais nos próximos dias.
Enquanto aguardam uma definição, os moradores relatam viver sob incerteza e temor quanto ao futuro da propriedade e das famílias que nela residem.
Aldemir Lopes teria sido ressarcido de móveis, mas agora age de forma intransigente
De acordo com o médico, ao adquirir o imóvel no leilão, o antigo dono, Aldemir Lopes, externou dificuldades financeiras e falta de condições de se mudar do local, pedindo que o médico comprasse os móveis do local como forma de ajudá-los.
“Ele disse que não sequer como sair de lá, pagar um carro e me fez uma proposta. Meu representante foi lá e me disse que não valia o valor perdido, mesmo assim para evitar transtornos e ajudar eu paguei o valor pedido. Agora ele age dessa forma provocando a justiça sucessivas vezes, já tinha pedido a reintegração 3 vezes e na quarta conseguiu, daí faz isso com minha família sem nos dar prazo, nada”, disse.
Aldemir Lopes foi procurado pela reportagem, mas não respondeu as mensagens ou atendeu a ligação. O espaço segue aberto para o contraditório.
