A publicação do edital do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 reacendeu a incerteza sobre como será o ingresso no curso de Medicina da Universidade Federal do Acre (Ufac) no próximo ano.
Após implantar vestibular próprio em 2025, em meio às polêmicas envolvendo o bônus regional, a universidade agora avalia a possibilidade de voltar a utilizar a nota do Enem como critério de seleção para o curso mais disputado da instituição.
A discussão ganhou força após declarações do vice-reitor e reitor eleito da Ufac, Josimar Ferreira, que assume a gestão em agosto deste ano.
Segundo ele, o alto custo do último vestibular pode inviabilizar uma nova edição do processo seletivo próprio.
“Estamos avaliando. Tudo depende do orçamento disponibilizado e contrato de banca. Não tendo orçamento carimbado para esta ação, tratamos que um dos encaminhamentos para a questão seria a nota do Enem com edital próprio da Ufac”, afirmou à GAZETA.
O último vestibular de Medicina, organizado pelo Cebraspe, ultrapassou meio milhão de reais em custos, mesmo sendo realizado apenas em Rio Branco e Cruzeiro do Sul.
Indefinição preocupa estudantes
A falta de definição sobre o modelo de ingresso já vinha gerando preocupação entre estudantes e cursinhos preparatórios desde o início do ano.
Isso porque o Enem e vestibulares tradicionais possuem formatos diferentes de cobrança. Enquanto o Enem trabalha com competências e habilidades por meio da Teoria de Resposta ao Item (TRI), vestibulares próprios costumam ter questões mais conteudistas e diretas.
Em abril, estudantes relataram ao portal A GAZETA insegurança e dificuldades para organizar a preparação sem saber qual modelo será adotado pela universidade.
Professores e coordenadores de cursinhos também criticaram a demora na definição, apontando prejuízos pedagógicos e emocionais para os candidatos.
Ufac diz que possui condições de realizar vestibular
Apesar das declarações sobre os custos do processo seletivo, a pró-reitora de Graduação da Ufac, Ednaceli Damasceno, afirmou que a instituição possui condições técnicas e orçamentárias para repetir o vestibular aplicado neste ano.
Segundo ela, porém, a decisão deverá ser tomada pela próxima gestão da universidade.
“Do ponto de vista orçamentário, há possibilidade de execução do vestibular nos moldes realizados neste ano, com provas em Rio Branco e Cruzeiro do Sul. No entanto, essa definição não é apenas financeira, trata-se de uma decisão institucional que deve caber à próxima gestão da Ufac”, informou.
A universidade destacou ainda que possui experiência acumulada na realização do vestibular próprio e que a definição dependerá de avaliação administrativa da nova gestão.
Mudança aconteceu após polêmica do bônus regional
O vestibular próprio para Medicina foi criado pela Ufac após debates envolvendo o bônus regional adotado anteriormente no ingresso pelo Sisu.
O modelo garantia acréscimo na nota de estudantes da região Norte, mas acabou se tornando alvo de questionamentos judiciais e discussões sobre o acesso de estudantes acreanos ao curso.
Agora, com a proximidade do Enem 2026 e da troca de gestão na universidade, o debate sobre o formato de ingresso volta ao centro das discussões acadêmicas no Acre.
Confira a nota na íntegra:
A UFAC tem conhecimento da viabilização de recursos de emenda parlamentar para a realização de processo seletivo próprio para o curso de Medicina. Assim, do ponto de vista orçamentário, há possibilidade de execução de vestibular nos moldes realizados neste ano, com provas em Rio Branco e Cruzeiro do Sul.
No entanto, essa definição não é apenas financeira. Trata-se de uma decisão institucional que deve caber à próxima gestão da UFAC, considerando que a atual administração está em fase de encerramento de mandato e que não seria adequado assumir, neste momento, uma deliberação com potencial impacto sobre o planejamento da nova equipe administrativa.
A UFAC possui experiência acumulada na execução do processo seletivo próprio para Medicina, bem como condições técnicas e orçamentárias que deverão ser avaliadas pela gestão que assumirá a condução da Universidade.
Fonte: A Gazeta do Acre
