O governo federal lançou nesta segunda feira (18), em Manaus, uma nova ofensiva voltada ao combate do crime organizado na Amazônia Legal e nas regiões de fronteira do país. Batizado de Território Seguro, Amazônia Soberana, o programa prevê investimento de R$ 209 milhões em ações de segurança, inteligência e desenvolvimento social em áreas consideradas estratégicas pelo Ministério da Justiça.
A iniciativa foi apresentada durante o evento Brasil Contra o Crime Organizado: Amazônia, realizado no Centro de Cooperação Policial Internacional (CCPI), na capital amazonense. O projeto integra o pacote nacional de enfrentamento às facções criminosas anunciado recentemente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na primeira etapa, o programa alcançará 42 municípios localizados em seis estados: Acre, Amazonas, Pará, Maranhão, Mato Grosso e Paraná. O foco das operações será o combate ao tráfico de drogas, garimpo ilegal, crimes ambientais e ocupação criminosa de áreas vulneráveis.
Segundo o Ministério da Justiça, a proposta é ampliar a atuação conjunta entre União e estados, unificando operações policiais, troca de informações e ações de inteligência em regiões consideradas rotas estratégicas para organizações criminosas.
Durante o lançamento, o ministro da Justiça, Wellington Lima, afirmou que o modelo tradicional de atuação isolada dos estados perdeu eficácia diante da estrutura nacional das facções.
“O crime organizado opera em rede há muitos anos. O Estado brasileiro precisa responder da mesma forma”, declarou.
Além do reforço policial, o programa prevê ações sociais e econômicas voltadas às populações locais. Entre as medidas anunciadas estão projetos de inclusão produtiva, fortalecimento da presença estatal e iniciativas para reduzir o aliciamento de jovens por organizações criminosas.
A secretária nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos, Marta Machado, afirmou que o governo pretende abandonar a lógica de ações fragmentadas na Amazônia.
“A proteção ambiental, a segurança pública e o desenvolvimento sustentável não podem mais caminhar separados”, disse.
O diretor geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, destacou que uma das prioridades será atingir financeiramente as facções criminosas. De acordo com ele, operações da PF apreenderam ou bloquearam cerca de R$ 10 bilhões ligados ao crime organizado em 2025.
O evento também serviu para apresentação do balanço do Plano Amazônia: Segurança e Soberania (Amas), criado para intensificar o combate ao desmatamento ilegal, grilagem, queimadas e atuação de facções criminosas na região amazônica.
Entre as metas previstas para o próximo ano estão o reforço do monitoramento da BR 319, a ampliação das operações integradas nos estados da Amazônia Legal e o fortalecimento das ações de inteligência contra organizações criminosas que atuam na floresta e em áreas de fronteira.
