Uma operação da Polícia Militar do Acre (PMAC), na noite desta terça-feira (26), terminou com denúncias de abuso de autoridade policial, invasão de imóvel sem mandado judicial e agressão contra duas adolescentes grávidas e um jovem na Rua Maria de Jesus, Quadra 10, no conjunto habitacional Cidade do Povo, em Rio Branco.
De acordo com informações de familiares, os policiais militares invadiram uma casa no conjunto Cidade do Povo e agrediram um jovem identificado pelas iniciais G. da S. F. a golpes de coronhadas na cabeça. Nas imagens que a reportagem da Folha do Acre teve acesso, o jovem aparece sangrando com um corte na cabeça.
Os familiares ainda denunciaram que duas jovens grávidas identificadas pelas iniciais M.E., 19 anos, e E.V. da S., 17 anos, também foram agredidas pelos militares ao tentarem impedir que o jovem fosse ferido durante a abordagem policial.
De acordo com vídeos que a reportagem teve acesso, moradores do conjunto habitacional aparecem pedindo que os militares levassem o jovem para a delegacia, mas que não o agredissem.
“Vocês vão matar ele. O cara é trabalhador. Se vocês querem prender levem ele para a delegacia, mas não batam nele”, disse um dos moradores que acompanhou a ocorrência.

Familiares dos envolvidos denunciaram ainda que os policiais invadiram a residência sem mandado judicial e sem a presença do dono do imóvel, identificado como Rael, 50 anos.
Moradores que acompanharam a cena relatam terem ouvido gemidos e sons de agressão vindos do interior da residência antes de conseguirem qualquer acesso ao local.
“Na hora que eu escutei a primeira pancada, eu já gritei. Ouvi o gemido do moleque. Estavam batendo nele lá dentro da casa”, declarou uma moradora que aparece nas gravações.
Outra testemunha relatou ter visto claramente o momento da violência: “Nós vimos na hora que o policial deu a coronhada nele”. Segundo ela, apesar da gravidade da agressão, a versão apresentada pelos militares foi de que o jovem havia “batido a cabeça na cerca”, versão que os moradores rejeitaram categoricamente.
Uma das testemunhas afirmou que há vídeo registrando o momento em que um policial agride uma das grávidas: “Eu vi um policial batendo em uma grávida, foi gravado”, disse a moradora.

Ao perceberem a ação da polícia, moradores se reuniram em frente à casa e pediram para que os policiais parassem com a supostas agressões.
“Eles não mataram o menino lá dentro por que os meninos começaram a gritar daqui. Todo mundo se reuniu e começou a gritar”, relatou uma das moradoras. “Ainda bem que o menino gritou, porque se ele não gritasse, todo mundo tinha ficado quieto”, completou outra testemunha.
Com a pressão popular, os policiais teriam tentado retirar o jovem agredido do local alegando necessidade de atendimento médico, o que os moradores interpretaram como tentativa de encobrir as agressões.
“Eles sabem tanto que fizeram errado que queriam levar ele pra UPA”, disse uma das mulheres presentes. Segundo os relatos, a mãe do jovem, identificada nas gravações como Gleice, impediu a transferência.
A Polícia Militar do Acre ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso. O jornal Folha do Acre mantém o espaço reservado para os devidos esclarecimentos da polícia.
