Uma educadora que já lecionou no Instituto São José relatou o choque e a tristeza após o ataque que matou as inspetoras Raquel Sales Feitosa e Alzenir Pereira da Silva na terça-feira (5). O adolescente de 13 anos responsável pelos disparos foi aluno dela.
Em depoimento emocionado, a professora contou que o adolescente era conhecido na escola por apresentar dificuldades.
“Ele foi meu aluno. Aluno problemático, com preguiça, não queria fazer tarefa. Típico dos nossos, né? A gente chama a família, chama responsável, chama Conselho Tutelar”, disse.
Ela relatou que o estudante faltava muito às aulas. “A escola lá faz tudo. A escola tá presente, né? Liga e tudo. Aí o garoto é aceito novamente, volta, corrige a falta e vai levando a vida. É o que a gente vai fazendo”, explicou.
A educadora expressou consternação pela morte das duas inspetoras com quem trabalhou. “Perdi colega que trabalhei junto. Destruída”, desabafou.
No relato, ela também demonstrou preocupação com narrativas que possam surgir para explicar o crime.
“Mas ainda vão dizer o quê? Daqui a pouco a sociedade vai começar a criar: ‘ele sofria bullying, ele era incompreendido’”, questionou.
Ao final, a professora pediu desculpas pelo desabafo, mas reforçou o abalo causado pela tragédia.
“Sinceramente, gente, desculpa o desabafo, mas eu estou arrasada com a situação toda aí”.
O caso segue sob investigação da Delegacia de Homicídios e do Juizado da Infância e Juventude. O Instituto São José suspendeu as aulas.
