A Conexão Cipó e a Comissão Transfronteiriça Juruá–Yurúa–Alto Tamaya divulgaram nota pública criticando declarações feitas pelo ex-prefeito de Rio Branco e pré-candidato ao governo do Acre, Tião Bocalom (PSDB), durante entrevista ao programa “Gazeta Entrevista”, na última segunda-feira, 4.
Na ocasião, Bocalom defendeu a abertura de estradas em áreas indígenas e reservas ambientais e afirmou que “o índio hoje não quer mais ficar lá no mato comendo bicho”.
A declaração gerou reação de entidades ligadas à defesa dos povos indígenas e da preservação ambiental na Amazônia.
No documento, as organizações afirmam que a fala reforça estereótipos históricos relacionados às populações indígenas e contribui para simplificar o debate sobre infraestrutura e desenvolvimento na região amazônica.
“As narrativas simplificam um debate complexo e contribuem para deslocar o foco da prevenção, da proteção territorial e da governança socioambiental para uma lógica de aprovação acelerada de obras e empreendimentos”, diz trecho da nota.
As entidades também argumentam que o posicionamento ignora discussões técnicas relacionadas ao licenciamento ambiental, estudos de impacto e mecanismos de participação social.
Segundo a manifestação, a expansão desordenada de projetos de infraestrutura em áreas de floresta e regiões de fronteira pode ampliar problemas ligados ao avanço de atividades ilícitas.
“O discurso ignora evidências concretas sobre os impactos da expansão desordenada de projetos de infraestrutura na Amazônia, especialmente em regiões de fronteira marcadas pelo avanço das economias ilícitas, do narcotráfico, da exploração ilegal de madeira e da violência contra povos indígenas e comunidades tradicionais”, afirmam as organizações.
A nota destaca ainda que instituições acadêmicas, lideranças indígenas e organizações da sociedade civil vêm alertando para os riscos da abertura de estradas e ramais sem planejamento técnico adequado na região de fronteira entre Acre e Peru.
