Uma verdadeira imersão na cultura e na identidade acreana, destacando, sobretudo, a apresentação do Acre como uma nova fronteira estratégica de desenvolvimento. O estado se posiciona como a porta brasileira de conexão com o Oceano Pacífico e como corredor logístico capaz de ampliar a integração comercial do Brasil com os mercados internacionais, especialmente com os países asiáticos. Esse é o propósito do evento “Vem pro Acre – Amazônia: Conexão Pacífico, Turismo e Negócios”, realizado na capital fluminense nos dias 14 e 15 de maio.
A governadora do Acre, Mailza Assis, participou, nesta quarta-feira, da abertura do evento, promovida pelo governo do Estado do Acre, por meio da Casa Civil e diversas secretarias e instituições estaduais, com apoio do Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento do Acre.
Em seu discurso, Mailza Assis destacou a importância da parceria com o governo do Rio de Janeiro, a Assembleia Legislativa fluminense, órgãos federais, embaixadas, consulados, a imprensa, o Sebrae e representantes da indústria, do comércio e do agronegócio. “Este encontro leva ao Brasil e ao mundo o significado da experiência cultural, ecológica e humana da Amazônia”, afirmou.
A governadora ressaltou que o Acre possui cerca de 85% de cobertura florestal e é referência internacional em sustentabilidade. Entre os exemplos citados está o Sistema de Incentivos a Serviços Ambientais (Sisa), modelo pioneiro que integra governança participativa e conservação ambiental, incluindo o programa ISA Carbono. Segundo ela, o estado tem firmado parcerias com instituições como o Banco Alemão KfW, BID, Banco Mundial e o Fundo Amazônia, beneficiando comunidades locais e povos indígenas.
Mailza Assis também enfatizou o compromisso do Acre com a transição para uma economia de baixo carbono, os investimentos em bioeconomia e energias renováveis, além da certificação de créditos de carbono de alta integridade. “Estamos acelerando a adoção de fontes de energia limpa e criando empregos verdes para população”, disse.
Outro ponto destacado foi a posição estratégica do Acre como corredor de oportunidades, em razão de sua proximidade com o Oceano Pacífico. A governadora lembrou que o estado possui 2.183 km de fronteira internacional, sendo 72% com o Peru, e está localizado a cerca de 1,2 mil km do Porto de Chancay, fator que pode reduzir em até 15 dias o tempo de viagem para países asiáticos.
O evento “Vem pro Acre” busca evidenciar as potencialidades do estado em áreas como exportações, turismo sustentável, etnoturismo, bioeconomia e economia criativa. A programação inclui painéis sobre integração sul-americana e desenvolvimento sustentável na Amazônia.
“Mais do que um evento, o ‘Vem pro Acre’ reafirma nosso compromisso com um futuro promissor, baseado na união, no trabalho e na responsabilidade ambiental”, concluiu a governadora.
Acre aposta na integração sul-americana para impulsionar a economia verde
O governo do Acre vem consolidando sua posição estratégica no cenário internacional com a retomada das Rotas de Integração Sul-Americana, em especial o Quadrante Rondon, que conecta Acre, Rondônia e parte do Mato Grosso ao Peru e à Bolívia. A iniciativa, lançada pelo Ministério do Planejamento e Orçamento em 2023, promete reduzir custos logísticos e aproximar o estado dos mercados asiáticos por meio da Estrada Interoceânica e do Porto de Chancay, no Pacífico.
Crescimento e investimentos
Entre 2023 e 2025, o Acre registrou avanços socioeconômicos com investimentos em educação, geração de emprego e renda, agricultura e segurança alimentar. O orçamento estadual saltou de R$ 8,9 bilhões, em 2023 para R$ 13,8 bilhões projetados para 2026, representando um crescimento de 55%. Programas ambientais, agrícolas e de empreendedorismo mobilizaram mais de R$ 410 milhões, alinhando o estado às agendas de transição ecológica e sustentabilidade.
Agenda Acre 10 Anos
O plano estratégico organiza o desenvolvimento em seis pilares: cadeias produtivas sustentáveis; infraestrutura e logística; cultura e turismo; capital humano; ambiente de negócios e inovação; além de serviços públicos e governança. O documento está em processo de alinhamento às diretrizes da Estratégia Brasil 2050 e da Estratégia Regional Amazônia 2050.
Meio ambiente e financiamento internacional
A política ambiental é destaque, com cerca de R$ 272 milhões investidos em projetos apoiados pelo Fundo Amazônia, pelo Programa REM, pelo Projeto Paisagens Sustentáveis e pela cooperação Brasil–ONU. Em 2025, o estado garantiu mais R$ 15 milhões junto ao Fundo da ONU para o Programa de Resiliência Socioambiental em Rio Branco.
ZPE do Acre
A Zona de Processamento de Exportação (ZPE) tornou-se peça-chave na integração econômica. Em fevereiro, o governo firmou acordo com a Zona Especial de Desenvolvimento (ZED) de Ilo, no Peru, para integrar regimes aduaneiros e facilitar o acesso aos portos peruanos. A medida amplia a competitividade de produtos como proteína animal, madeira, café e grãos, além de reduzir a dependência dos portos das regiões Sudeste e Sul do Brasil.
Turismo e bioeconomia
O Acre também aposta no etnoturismo como vetor econômico, unindo conservação da floresta, geração de renda e valorização das culturas indígenas. Artesanato, biojoias, tecelagens e gastronomia regional reforçam a identidade cultural e movimentam festivais comunitários. Em 2025, o governo passou a conceder subsídios ao extrativismo sustentável, fortalecendo cadeias produtivas ligadas à bioeconomia.
‘Nenhum estado para trás’
Durante encontro realizado no Rio de Janeiro, a governadora Mailza Assis ressaltou o papel estratégico do Acre no desenvolvimento sustentável e na integração econômica do Brasil com países vizinhos e asiáticos.
“Estamos aqui para mostrar o potencial do Acre e despertar o interesse de investidores. O Rio de Janeiro é referência em turismo, empresas e grandes histórias, e queremos que o Acre esteja inserido nesse cenário. Apesar da distância, nosso objetivo é aproximar o estado desses centros e revelar suas oportunidades”, afirmou.
Mailza destacou que o sonho dos acreanos e do governo é transformar o estado em porta de entrada para o desenvolvimento, aliado à preservação ambiental. “É possível extrair da preservação ambiental um modelo econômico sustentável. Temos solo fértil e grande capacidade de produção de café, cacau e açaí, além de óleos vegetais, artesanato e móveis oriundos do manejo florestal. Isso prova que podemos ter uma economia sustentável e um turismo pujante”, disse.
Segundo ela, o desenvolvimento do Acre depende da união de esforços. “Com a integração econômica, social e política, nenhum estado da Amazônia ficará para trás. Viemos apresentar essas possibilidades e mostrar até onde o Acre pode chegar. Agradeço a todos que vieram ouvir e conhecer nosso projeto”, concluiu.
Agência de Notícias do Acre
