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Câmara Federal aprova, em dois turnos, PEC pelo fim da escala 6×1

Anderson Bodanese 27/05/2026 às 22:43

A Câmara dos Deputados aprovou, na noite desta quarta-feira, 27, em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19, que reduz a jornada máxima de trabalho no Brasil de 44 para 40 horas semanais e estabelece dois dias de descanso por semana. O texto também extingue a escala 6×1.

No segundo turno, a proposta recebeu 461 votos favoráveis e 19 contrários. Agora, a PEC segue para análise do Senado Federal.

O texto aprovado prevê que a nova jornada será implementada gradualmente. Após 60 dias da promulgação da emenda, a carga horária semanal cairá de 44 para 42 horas, já com adoção da escala de cinco dias de trabalho e dois de descanso. Depois de 14 meses, a jornada será reduzida para 40 horas semanais, mantendo o limite de oito horas diárias.

A proposta garante a manutenção dos salários dos trabalhadores durante a transição.

O texto relatado pelo deputado Leo Prates (Republicanos-BA) unificou duas PECs que tramitavam na Câmara: a PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), e a PEC 8/25, apresentada pela deputada Erika Hilton (Psol-SP), que previa a escala 4×3.

A proposta aprovada estabelece ainda que jornadas diferenciadas deverão ser regulamentadas por lei ordinária e permite compensação de horários mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho.

A nova regra não será aplicada a trabalhadores que já possuem jornada igual ou inferior a 40 horas semanais, nem a empregados com nível superior e remuneração mensal igual ou superior a R$ 8.475,55.

O texto também prevê que uma lei complementar poderá criar regras de transição específicas para microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte.

Após a aprovação, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a votação representa uma mudança significativa nas relações de trabalho desde a Constituição de 1988.

Durante a sessão, parlamentares governistas defenderam a redução da jornada como medida de valorização dos trabalhadores. Já deputados da oposição criticaram os impactos econômicos da proposta e questionaram os efeitos da mudança no mercado de trabalho.

Antes de chegar ao plenário, a PEC foi aprovada pela comissão especial responsável pela análise da matéria, com 34 votos favoráveis e quatro contrários.

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