Feijó e Tarauacá continuam entre os 50 municípios com maior supressão de vegetação nativa no país desde 2019
O Acre registrou uma das maiores reduções proporcionais de desmatamento do Brasil em 2025, com queda de 43,6% na área desmatada em relação ao ano anterior, segundo o Relatório Anual do Desmatamento (RAD 2025), divulgado pelo MapBiomas na quarta-feira, 27 de maio de 2026. Apesar do recuo expressivo, o estado permanece entre os cinco com maior número de alertas de desmatamento registrados no país.
O resultado acreano ficou acima da média nacional, que foi de 20,6% de redução. Apenas Rio Grande do Sul (-72,6%), Alagoas (-68,4%), Sergipe (-62,9%) e Goiás (-43,7%) apresentaram quedas proporcionais superiores à do Acre no mesmo período.
O estado, no entanto, aparece ao lado de Pará, Bahia, Ceará e Amazonas entre os cinco com mais alertas de desmatamento em 2025. Juntos, esses estados concentraram mais de 55% de todos os alertas detectados no país. O contraste indica mudança no perfil do desmatamento acreano: a derrubada perdeu intensidade em área total, mas continua ocorrendo de forma dispersa, em eventos menores espalhados pelo território.
Municípios no radar nacional
Dois municípios acreanos figuram entre os 50 que mais perderam vegetação nativa no Brasil desde o início da série histórica do MapBiomas, em 2019. Feijó ocupa a 40ª posição e Tarauacá, a 48ª.
Feijó desmatou 4.478 hectares em 2025, redução de 51,7% em relação aos 9.268 hectares registrados em 2024. A média diária foi de 12,3 hectares suprimidos ao longo do ano. O histórico do município registra pressão crescente: foram 8.820 hectares desmatados em 2019, 8.783 em 2020, 13.506 em 2021 e 17.422 em 2022 — o pico da série —, seguidos de 6.475 em 2023 e 9.268 em 2024.
Tarauacá registrou 3.933 hectares desmatados em 2025, queda de 19,1% na comparação com o ano anterior, com média diária de 10,8 hectares. O município também acumulou registros elevados nos anos anteriores: 5.558 hectares em 2019, 4.904 em 2020, 8.359 em 2021, 10.548 em 2022, 4.211 em 2023 e 4.861 em 2024.
Os dois municípios integram a lista federal de municípios prioritários para prevenção, monitoramento e controle do desmatamento na Amazônia, estabelecida pelo Ministério do Meio Ambiente.
