Amanda Ungaro fez uma série de publicações em que afirma que vai tomar medidas legais contra a primeira-dama americana, Melania Trump, e ‘seu marido pedófilo’
A ex-modelo brasileira Amanda Ungaro, de 41 anos, que era casada com Paolo Zampolli, aliado do presidente americano, Donald Trump, fez uma série de publicações no X nas quais ameaçou “derrubar todo o sistema” e expor “tudo o que sabe” sobre o republicano, a quem chamou de “pedófilo”, e sobre a primeira-dama, Melania Trump — “mesmo que seja a última coisa que eu faça na minha vida”, prometeu Amanda.
“Eu vou derrubar seu sistema corrupto, mesmo que seja a última coisa que eu faça na minha vida. Eu vou até o fim — não tenho medo. Talvez você devesse ter medo do que eu sei… de quem você é e de quem é o seu marido (…) Eu não tenho mais nada a perder na minha vida. Eu vou derrubar todo o sistema — tome cuidado comigo, sua idiota”, escreveu Amanda.
As mensagens foram postadas em resposta a um vídeo de Melania publicado na última quinta-feira, em que ela negou ter relação com o criminoso sexual Jeffrey Epstein.

Nas publicações, a ex-modelo disse que esteve “ao redor” do casal por 20 anos e que vai tomar medidas legais contra Melania e “seu marido pedófilo”:
“Você sabia que eu estava detida no ICE [Agência de Imigração e Alfândega dos EUA]. Você esteve presente na minha vida — todos os anos no aniversário do meu filho, inclusive enviando o Serviço Secreto e sendo a primeira a parabenizá-lo, lá em 2016. Algo claramente estava errado, mas eu não faço parte de nenhuma missão maligna envolvendo crianças. Então o que você fez, Melania? Você tentou me envolver, mas falhou — porque eu tenho caráter”, acusou Amanda.
A fala da ex-modelo faz referência a quando foi deportada pelo ICE em 2025, após 23 anos nos EUA. Uma medida que, em entrevista exclusiva ao GLOBO em fevereiro, ela creditou à influência do ex-companheiro, o empresário italiano Paolo Zampolli, nos bastidores do poder em Washington. A atuação de Zampolli foi confirmada por uma reportagem do New York Times.
O empresário, de fato, procurou um alto funcionário da imigração para que Amanda fosse levada a um centro de detenção do ICE. De acordo com a publicação, Zampolli tinha como objetivo recuperar a guarda do filho, Giovanni, de 15 anos, que ele e Amanda disputam na Justiça.
— Policiais entraram na nossa casa às seis da manhã, me jogaram de pijama no corredor, com o rosto voltado para a parede, e pegaram nossos passaportes. Algemaram a mim e ao meu atual marido na frente do Giovanni (seu filho), que também foi levado à delegacia porque é menor e eu não tinha com quem deixá-lo — contou ao GLOBO.
A ex-modelo disse também que pretende tomar medidas legais contra Melania e Trump. Amanda já foi convidada, mas ainda não intimada, a depor perante o Comitê de Supervisão do Congresso americano que investiga o caso.

‘Pareciam mais estudantes que modelos’
Amanda também contou ao GLOBO que, em 2002, na época com 17 anos, embarcou no avião de Jeffrey Epstein, onde afirma ter visto cerca de 30 meninas com o financista e sua cúmplice, Ghislaine Maxwell:
— Tinha mais ou menos umas 30 meninas no avião. Achei aquilo muito estranho. Elas eram mais parecidas com estudantes do que com modelos. Bonitas e bem novinhas, mas não tinham perfil de modelo.
A memória faz referência à vez em que esteve com o criminoso sexual, quando embarcou no Lolita Express, um dos aviões de Epstein, onde participaria de um casting. O evento ocorreu no ano de 2002, em Nova York. O avião partia de Paris. A ex-modelo viajou acompanhada de seu agente na época, o francês Jean-Luc Brunel, conhecido como o olheiro de Epstein no Brasil. No mesmo ano, Amanda encontraria com Zampolli, na época um agente de modelos, também em Nova York.
Meses depois, ela iniciou o relacionamento com o italiano, a quem acusa de abuso sexual e violência doméstica. Amanda e Zampolli viveram juntos por 19 anos.
Na entrevista ao GLOBO, Amanda disse que o abuso sexual aconteceu na mansão de cinco andares em Gramercy Park, Nova York, que ela e Zampolli dividiam. No dia seguinte a uma festa, ele teria comentado casualmente que havia tido relações com ela — e que Amanda não se lembraria porque estava dormindo, havia desmaiado.
— Eu falei: “Isso se chama estupro. Eu fui abusada”. Ele reagiu com uma risada — relatou Amanda, que afirma ter sido agredida em outra ocasião por se recusar a fazer sexo com Zampolli.
Ao longo dos 19 anos em que estiveram juntos, a ex-modelo também conta que Zampolli a levou a noitadas comandadas pelo rapper e produtor americano Sean “Diddy” Combs, atualmente cumprindo pena de quatro anos por transportar mulheres para prostituição, e a festas em iates em que a lista de convidados incluía celebridades e integrantes da realeza europeia.
Nesses eventos, diz ela, Zampolli costumava levar o próprio garçom para ter certeza de que ninguém colocaria drogas em sua bebida.
Proximidade de Zampolli com Trump
Zampolli é amigo de Donald Trump e exerce hoje o cargo de enviado especial do presidente americano para parcerias globais. Nascido em Milão, o empresário chegou a Nova York em meados dos anos 1990, mesma época em que conheceu Trump. Os dois começaram a trabalhar oficialmente juntos em 2004, mas foi nas eleições presidenciais de 2016 que a camaradagem virou lealdade.
Diante de sua defesa de políticas migratórias mais duras, Trump viu a imprensa questionar se sua esposa, Melania, trabalhara como modelo nos EUA com um visto inadequado antes de conhecê-lo. Zampolli então se apresentou como o responsável pela documentação da atual primeira-dama, afirmando ter usado sua posição como agente de modelos na época para garantir o visto de trabalho.
O círculo social de Zampolli e Trump envolvia ainda um terceiro personagem: Jeffrey Epstein, financista morto em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual. Zampolli chegou a tentar comprar em 2004, junto com Epstein, a Elite Models, uma das maiores agências de modelos do mundo.
Em 1996, ano da emissão do documento, Zampolli atuava junto à americana Metropolitan Models. No ano seguinte, ele fundou sua própria agência de modelos, a ID Models, frequentemente visitada por Epstein em Nova York. Zampolli aparece dezenas de vezes nos arquivos do caso Epstein liberados pelo Departamento de Justiça dos EUA.
Fonte: O Globo
