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Paralisação do transporte coletivo em Rio Branco entra no 3º dia com frota reduzida e linhas operando no limite mínimo

Mostoristas do transpote coletivo seguem em greve em Rio Branco/Foto: Natã Praxedes/Folha do Acre

A paralisação parcial dos motoristas do transporte coletivo de Rio Branco, organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Público do Acre (Sinttpac), completou o terceiro dia nesta sexta-feira (17) sem acordo entre a categoria e a empresa Ricco Transportes.

O movimento, que começou na manhã da quarta-feira (15), mantém cerca de 30% da frota parada, com possibilidade de redução ainda maior nos horários de pico. O que chama atenção é que, mesmo em meio à greve, a operação respeita a realidade operacional da cidade: a maior parte das linhas conta com apenas um ônibus por linha, e essas rotas não sofrem redução adicional, garantindo o mínimo de circulação previsto em casos de paralisação.

Mostoristas do transpote coletivo seguem em greve em Rio Branco/Foto: Natã Praxedes/Folha do Acre

De acordo com o presidente do Sinttpac, Antônio Neto, a paralisação é motivada por atrasos no pagamento dos salários de março, falta de depósitos de FGTS e INSS, além da não repasse de valores descontados em folha para empréstimos consignados e mensalidades sindicais.

“A empresa não procurou a categoria para negociar. Os trabalhadores estão sendo prejudicados há meses e não vamos recuar até que os direitos sejam cumpridos”, afirmou o sindicalista.

A Ricco Transportes, responsável pelo serviço por meio de contrato emergencial com a Prefeitura de Rio Branco, ainda não se manifestou oficialmente sobre as reivindicações. No entanto, o sindicato informou que, dos 96 ônibus previstos pela empresa, apenas 76 saíram da garagem no primeiro dia, com 20 retidos pela própria concessionária.

Mostoristas do transpote coletivo seguem em greve em Rio Branco/Foto: Natã Praxedes/Folha do Acre

Respeito à quantidade mínima de circulação

Diferentemente de greves totais, a paralisação atual segue o padrão adotado em movimentos anteriores da categoria na capital. Nas linhas que operam com dois ônibus, a frota foi reduzida para um veículo. Nas que contam com três ônibus, circulam apenas dois. Já as dezenas de linhas que têm apenas um ônibus – situação comum na maioria das rotas de Rio Branco, especialmente as que atendem bairros mais distantes como regiões da Transacreana e comunidades rurais – continuam com o veículo único em operação, sem qualquer corte.

Essa medida garante o cumprimento da cota mínima de circulação exigida para serviços essenciais durante paralisações, evitando o colapso total do transporte público. Ainda assim, o impacto é sentido diariamente: passageiros relatam esperas de até uma hora nas paradas, o que tem obrigado muitos a recorrer a aplicativos de transporte ou mototáxis, com custos até três vezes maiores.

Mostoristas do transpote coletivo seguem em greve em Rio Branco/Foto: Natã Praxedes/Folha do Acre

A mobilidade urbana da capital acreana, que depende quase exclusivamente do sistema gerido pela Ricco, fica comprometida especialmente nos horários de pico (6h às 9h e 17h às 19h). Estudantes, trabalhadores e idosos são os mais afetados, com relatos de atrasos em compromissos escolares e profissionais.

O Sinttpac afirma que o movimento é por tempo indeterminado e só será suspenso após o pagamento integral dos salários e regularização dos débitos trabalhistas. Até o fechamento desta reportagem, não havia agenda confirmada de negociação entre o sindicato, a empresa e o poder público.

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