Durante participação no podcast FolhaCast, realizado nesta quinta-feira (30), a deputada estadual Michele Melo (União Brasil) afirmou que a atuação feminina na política ainda enfrenta obstáculos estruturais, especialmente no que diz respeito à representatividade e ao reconhecimento.
Ao comentar o tema, Michele respondeu sobre as dificuldades enfrentadas por mulheres no ambiente político. “Não, não é fácil”, afirmou. Segundo ela, há uma exigência constante de comprovação de capacidade. “A gente não pode descansar um minuto mostrando que a gente chegou porque a gente vale realmente e tem capacidade para estar naquele lugar. Então a prova é diária, todo dia você tem que repetir, a gente parece que nunca passa no teste”, disse.
A parlamentar também destacou que, muitas vezes, mulheres precisam se posicionar de forma mais incisiva para serem ouvidas, o que pode gerar interpretações negativas. “Muitas vezes você precisa falar várias vezes ou subir o tom da fala, né, e muitas vezes as mulheres quando sobem o tom da fala não é muito bem visto, eles ainda não conseguem diferenciar muito o tom assertivo do tom agressivo”, declarou.
Durante a conversa com os jornalistas Gina Menezes e Kauã Lucca, Michele também abordou a baixa representatividade feminina nos espaços de poder. Segundo ela, atualmente há três mulheres na Assembleia Legislativa do Acre e duas na Câmara Municipal de Rio Branco. “É uma desproporcionalidade grande”, afirmou.
A deputada ressaltou que a discussão sobre gênero não deve ser reduzida a disputas ideológicas. “Eu costumo dizer, nem machista, nem feminista, é um discurso humano, é um discurso real”, disse. Ela citou dados nacionais que apontam o crescimento do número de mulheres chefes de família no Brasil e destacou a persistência da desigualdade salarial. “Muitas delas são chefes de famílias, provedoras de casa, e ainda cobram um salário inferior aos homens ali fazendo a mesma função”, afirmou.
A entrevista integrou a programação do FolhaCast, podcast apresentado por Gina Menezes e Kauã Lucca, que discutiu o papel das mulheres na política e no mercado de trabalho, com foco na realidade acreana.
