Reportagem de Veja desta semana mostra que o mau humor e o pessimismo da população com o rumo da economia, apesar de indicadores positivos de emprego e renda, ajudam a explicar o dano à imagem do presidente Lula. Na última rodada do Paraná Pesquisas, a aprovação ao governo ficou em 44,1%. Na do Meio/Ideia, em 45%. Na Genial/Quaest, em 44%.
Para o cientista político Antônio Lavareda, a reeleição de Lula corre riscos se o presidente não melhorar os índices. Abaixo de 45%, segundo ele, o candidato à reeleição enfrentará sérias dificuldades. As chances de sucesso são consideráveis quando a aprovação está entre 45% e 50%. Acima disso, é o franco favorito.
Lavareda explica que a linha de aprovação em torno de 45% como limite mínimo para a reeleição não é um número aleatório. “Esses números não são mágicos, são observáveis. São séries históricas”, explica o cientista político.
Cientista político diz que Lula pode ser derrotado
As pesquisas mostram que há risco de derrota de Lula nas próximas eleições. “Lula entrou no ano da eleição em viés de queda de sua aprovação. O desempenho nas pesquisas é muito apertado em relação a seus adversários”, afirma Lavareda. “Se não derrubar a desaprovação, pode ser derrotado. Mas, por enquanto, ele não pode ser descartado como vencedor, muito menos como perdedor eventual”, acrescenta.
Uma das vantagens do petista na disputa é a chamada “vantagem de incumbente” — o fato de ele estar sentado na cadeira presidente e poder tomar medidas que beneficiem o eleitor e se revertam em votos. Lavareda lembra que Bolsonaro utilizou essa vantagem quando estava com percentuais baixos de aprovação em 2022. O presidente apostou alto na força da máquina pública para ganhar fôlego na eleição, injetando 300 bilhões de reais na economia, mas não adiantou.
O cientista político destaca que alguns projetos do governo podem ajudar a impulsionar a aprovação de Lula até as eleições. Nesta lista estão o programa de refinanciamento de dívidas dos inadimplentes e o projeto que reduz a jornada semanal para 40 horas, sem redução salarial.
As pesquisas mostram que ainda há tempo para mudanças no cenário eleitoral. Isto porque os eleitores ainda não estão totalmente decididos sobre em quem votar. A Meio/Ideia publicada na última quarta-feira mostrou que 51,4% dos brasileiros afirmam que ainda podem mudar de candidato até outubro.
Na mesma pesquisa, Flávio Bolsonaro (PL) aparece numericamente à frente de Lula, com 45,8% nas simulações de segundo turno. A diferença é de apenas 0,3 ponto percentual.
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