Artigo: quando a proteção vira risco

Por Lúcio Costa

Tem algo acontecendo no Brasil… e muita gente ainda não percebeu.

A misoginia está sendo tratada como crime, com possibilidade de equiparação ao racismo.

A justificativa é clara: proteger mulheres de ataques, discriminação e violência.

E sejamos justos — isso é necessário.

Mas é exatamente aqui que mora o perigo.
Porque toda vez que o Estado amplia o poder de punir ideias, opiniões ou interpretações…a linha entre justiça e controle começa a ficar turva.

Ninguém em sã consciência defende agressão contra mulheres.

Ninguém deveria relativizar violência, humilhação ou desrespeito.

Mas a pergunta que precisa ser feita — e está sendo evitada — é outra:

Quem define o que é misoginia?

É o ódio explícito?

Ou passa a ser também a discordância?

A crítica?

A opinião fora do padrão?

Porque dependendo de quem interpreta,
uma fala pode deixar de ser um posicionamento
e passar a ser tratada como crime.

E quando isso acontece, não estamos mais falando apenas de proteção.

Estamos falando de poder.

Hoje, a justificativa é nobre.

Mas leis não são usadas apenas por quem tem boas intenções.

Elas atravessam governos, ideologias e interesses.

E a história já mostrou, mais de uma vez, que ferramentas criadas para proteger

também podem ser usadas para silenciar.

Isso não é sobre ser contra mulheres.

Isso é sobre ser a favor de equilíbrio.

Uma sociedade madura não combate injustiça criando outra.

Não resolve um problema abrindo espaço para outro.
Porque quando o medo de falar se instala, o debate morre.

E quando o debate morre…a liberdade vai junto.

O desafio não é simples.

Proteger sem censurar.

Punir sem exagerar.

Garantir respeito sem sufocar a liberdade.

Mas ignorar esse risco pode custar caro no futuro.

E talvez, quando isso acontecer…já seja tarde demais para discutir.

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