O monitoramento nacional da seca voltado à produção agrícola aponta que oito municípios do Acre apresentaram condição de seca moderada em fevereiro, segundo levantamento que considera os impactos do déficit hídrico sobre culturas como feijão e milho, principais produtos da agricultura familiar no país.
Os municípios citados no boletim são: Senador Guiomard, Acrelândia, Bujari, Plácido de Castro, Xapuri, Porto Acre, Capixaba e a capital Rio Branco.
Os dados integram análise baseada no calendário de plantio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e indicam que, no mesmo período, a região Norte registrou nove municípios em condição de seca severa — sete em Rondônia e dois no Tocantins. Além disso, 110 municípios da região foram classificados com seca moderada, sendo 90 no Tocantins, 12 em Rondônia e os oito no Acre.
De acordo com os especialistas, a intensidade da seca pode interferir em diferentes fases do ciclo das lavouras. Situações classificadas como seca fraca costumam representar apenas um alerta, sem necessariamente provocar impactos diretos na produção. Já os níveis moderado, severo ou excepcional podem afetar o desenvolvimento das culturas, dependendo do momento em que ocorre o déficit de chuva.
Quando o período de estiagem acontece no início do plantio, há risco de atraso no calendário agrícola. Se ocorre durante o desenvolvimento das plantas, a consequência pode ser redução na produtividade ou até perda de parte da safra.
Monitoramento considera solo, chuva e vegetação
A avaliação da severidade da seca na agricultura familiar é feita por meio do Índice Integrado de Seca (IIS). O indicador reúne diferentes variáveis climáticas e ambientais para identificar áreas mais vulneráveis.
Entre os fatores analisados estão o déficit de precipitação mensal, a umidade do solo em até um metro de profundidade e o índice de saúde da vegetação, que mede o vigor das plantas a partir de dados de temperatura e imagens de satélite.
A partir desse conjunto de informações, é possível estimar as regiões com maior probabilidade de impactos na produção agrícola, especialmente em áreas onde o cultivo depende exclusivamente da chuva.
Agricultura familiar também enfrenta risco de estiagem
Outro indicador avalia o risco de seca para a agricultura familiar, considerando lavouras de feijão e milho sem irrigação. O cálculo leva em conta a exposição ao déficit hídrico, além da capacidade de adaptação de cada município às condições climáticas.
Para lavouras plantadas em fevereiro de 2026, o levantamento identificou 63 municípios com risco alto de seca no país, sendo 18 deles na região Norte. Outros 220 municípios apresentaram risco moderado, incluindo 45 municípios da região Norte.
No caso de áreas que iniciaram o plantio em janeiro, o monitoramento apontou 166 municípios com risco alto de seca no Brasil, com 18 deles localizados na região Norte.
Já entre os municípios que plantaram em dezembro e encerraram o ciclo em fevereiro, foram identificados 160 municípios com risco alto de seca em diferentes regiões do país, além de 256 municípios com risco moderado.
Embora o Acre apareça com número menor de municípios afetados em comparação com outros estados da região Norte, o monitoramento indica a necessidade de atenção ao comportamento do clima, especialmente para produtores que dependem das chuvas para manter o calendário agrícola e garantir a produção.

